A conscientização dos motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres foi o principal foco da ação realizada nesta quarta-feira (23), em Feira de Santana, dentro da programação da Semana Nacional de Trânsito 2026, que acontece entre os dias 18 e 25 de setembro. O evento foi realizado no Shopping Millenium e reuniu representantes da Superintendência Municipal de Trânsito (SMT), Polícia Rodoviária Federal (PRF) e Polícia Militar.
Com o tema “Desacelere, seu bem maior é a vida”, a programação buscou levar ao público informações sobre segurança viária e estimular mudanças de comportamento no trânsito. Durante a ação, foram apresentadas orientações sobre excesso de velocidade, álcool e direção, circulação de motociclistas e a importância da educação para o trânsito.
O superintendente Municipal de Trânsito, Ricardo Cunha, destacou que a proposta da SMT não é trabalhar apenas com fiscalização, mas principalmente com a mudança de comportamento dos usuários das vias. Segundo ele, uma das preocupações é fazer com que as pessoas compreendam que determinadas atitudes no trânsito precisam ser evitadas independentemente da existência de blitz ou fiscalização.
“A pessoa vai ter que mudar o comportamento. Não é porque tem uma blitz que eu vou parar de beber. Eu vou parar de beber e dirigir porque a proposta não é deixar que a pessoa não beba. Quem quer, bebe, não é proibido no Brasil. Mas o que precisamos efetivamente é que a pessoa entenda que beber e dirigir não".
Ricardo Cunha também defendeu que a educação para o trânsito seja trabalhada desde a infância. Para ele, a mudança de comportamento entre adultos é mais difícil, mas o trabalho educativo precisa ser permanente. “Estamos priorizando as crianças e fazendo um trabalho a longo prazo. É muito difícil mudar o comportamento de um adulto, mas não desistiremos. Faremos campanhas educativas nesse sentido".
O superintendente informou ainda que a SMT trabalha na criação de uma estrutura voltada à educação para o trânsito e pretende ampliar o alcance das ações para as escolas de Feira de Santana. “Estamos criando a nossa unidade de trânsito, uma das melhores do Brasil, dentro do próprio espaço da SMT. Todos os colégios de Feira de Santana eu quero que sejam alcançados por esse projeto, para que a gente possa mudar essa visão de trânsito".
De acordo com Ricardo Cunha, a programação não deve se limitar aos dias oficiais da Semana Nacional de Trânsito. Ele explicou que outras ações educativas estão previstas para serem realizadas nas ruas de Feira de Santana. “A gente entende que centralizar isso foi mais formidável do que efetivamente estar nas vias. Mas a Semana Nacional de Trânsito não vai se encerrar agora. Nós teremos ações de teatro e ações efetivas no dia a dia das pessoas, que nunca mais esquecerão o trânsito".
O superintendente afirmou que a intenção é manter atividades permanentes de educação e conscientização. “Feira de Santana terá Semana Nacional de Trânsito o ano todo".
Outro assunto abordado durante a ação foi a segurança dos motociclistas. Ricardo Cunha explicou que, embora ainda não tenha sido implantada faixa exclusiva para motocicletas, a SMT já colocou áreas de espera em frente aos semáforos em 11 pontos da região central.
Segundo ele, a medida está sendo avaliada tecnicamente antes de uma possível ampliação para outras áreas da cidade. “Colocamos as áreas de espera na frente do semáforo em 11 pontos diferentes do centro da cidade. Estamos fazendo uma análise inicialmente de 60 dias para entender se isso será levado para todas as regiões da cidade".
Ricardo explicou que as áreas de espera têm como objetivo organizar a posição das motocicletas diante dos demais veículos e reduzir situações de risco, principalmente nos chamados pontos cegos. “Quando você cria uma área específica para o motociclista, no mínimo ele vai ter uma sensação de segurança melhor. Você já impede, ou diminui, a quantidade de sinistros naqueles chamados pontos cegos".
Ele ressaltou ainda que a implantação foi precedida por estudos realizados em outras cidades e que a SMT pretende avaliar os resultados antes de ampliar a iniciativa.
Sobre uma possível penalização para quem desrespeitar a sinalização, Ricardo explicou que, neste momento, a prioridade da SMT é educativa. “A SMT tem uma lógica diferente. A gente pensa que a fiscalização tem que ser a última etapa. A gente tem que trabalhar hoje com educação. O interesse da SMT é criar uma situação de conforto maior para as motocicletas, as motonetas e os próprios ciclomotores".
PRF reforça importância da educação permanente
A Polícia Rodoviária Federal também participou da programação. O inspetor Ivanildo Siqueira destacou que ações de conscientização precisam ocorrer durante todo o ano para que as mensagens sobre segurança no trânsito sejam reforçadas continuamente. “É importante que as ações aconteçam ao longo de todo o ano. Não são ações pontuais que vão resolver os nossos problemas de educação para o trânsito. A repetição tem que ser algo constante para que a gente possa despertar a consciência das pessoas".
O inspetor explicou que a participação da PRF faz parte da atuação dos órgãos que integram o Sistema Nacional de Trânsito, mas ressaltou que o trabalho vai além do cumprimento de uma determinação legal. “A gente não faz simplesmente porque a lei manda, mas porque temos bastante satisfação e entendemos que somente através desse processo de ensino e capacitação vamos superar nossas mazelas".
Entre os pontos de preocupação da PRF na região de Feira de Santana, Ivanildo destacou o Anel de Contorno, especialmente no trecho que passa por processo de duplicação, além dos sinistros envolvendo motocicletas. “Na região de Feira de Santana, a gente destaca o Anel de Contorno, principalmente essa região que está sendo duplicada. Atualmente é pista simples. A gente atende muitos sinistros relacionados a motocicletas".
O inspetor também chamou atenção para o comportamento de alguns ciclistas e motociclistas e reforçou a necessidade de respeito às regras de circulação. “A gente ainda observa muito ciclista indisciplinado, que não respeita regras, anda com muita velocidade e anda entre os veículos nos corredores, se arriscando. Então, a gente ainda tem muita preocupação com os motociclistas".
A redução da velocidade foi outro ponto destacado durante a programação. Para Ivanildo Siqueira, o excesso de velocidade reduz a capacidade de reação do condutor diante de situações inesperadas. “O excesso de velocidade é muito perigoso. Dificilmente, quando uma pessoa está em excesso de velocidade, se uma circunstância exigir uma manobra mais brusca ou uma tentativa de desviar de um obstáculo, ela vai conseguir executar essa manobra com segurança".
Durante a ação, a PRF levou um radar para apresentar ao público e também disponibilizou um etilômetro, conhecido popularmente como bafômetro.
A corporação também apresentou uma atividade educativa com óculos que simulam os efeitos do álcool sobre a capacidade psicomotora. Os participantes percorrem um pequeno circuito com cones e realizam atividades que demonstram as dificuldades provocadas pela alteração da percepção e da coordenação motora. “A embriaguez altera a capacidade psicomotora do motorista, cognitiva e também motora. A capacidade técnica fica prejudicada, uma vez que a capacidade motora está prejudicada, e a cognitiva tem a ver com a percepção e com a memória".
Ivanildo explicou que a experiência é realizada em um ambiente controlado, justamente para mostrar aos participantes como o álcool pode interferir na condução de um veículo. “Aqui é um ambiente seguro. No máximo, você vai se esbarrar no cone. Mas lá fora é diferente. Lá fora é carro, é gente, é poste, é estrutura física. Então, a gente tenta despertar através desse momento que é importante entender como é estar sob esse efeito".
Para o inspetor, o objetivo é fazer com que o conhecimento sobre os riscos seja transformado em atitude. “A gente quer despertar a consciência para que todo esse conhecimento se transforme em atitude, em uma atitude respeitosa e responsável, para que possamos construir, juntamente com todos que participam do trânsito, um trânsito cada vez mais seguro".
Polícia Militar reforça fiscalização e combate à combinação entre álcool e direção
A Polícia Militar também participou da programação por meio do Pelotão Asa Branca. O subcomandante, capitão Lacerda, explicou que a corporação atua tanto na fiscalização quanto nas ações educativas. “A Polícia Militar é um órgão que compõe o Sistema Nacional de Trânsito e todos esses órgãos têm por obrigação, durante essa semana, se reunir e traçar medidas para trazer à sociedade conscientização e educação para o trânsito".
Segundo o capitão, a redução da velocidade é uma das medidas que podem contribuir para a prevenção de sinistros. “O excesso de velocidade já foi identificado como um dos maiores causadores de sinistros no trânsito, que trazem repercussões graves para os envolvidos. A conscientização do condutor, que deve observar e respeitar os limites de velocidade, vai trazer, sem dúvida, uma redução desse número de sinistros".
A fiscalização, conforme explicou, também busca identificar situações como condução sem habilitação, documentação irregular, embriaguez ao volante e veículos em condições inadequadas. “A fiscalização acontece não só com os condutores que estão conduzindo sem a CNH, com a CNH vencida ou sob efeito de álcool. A fiscalização parte do pressuposto de que precisamos identificar essas situações e corrigir esses condutores para que tenhamos um trânsito mais seguro".
O capitão Lacerda destacou ainda que um condutor embriagado representa risco para todos os demais usuários das vias. “Um condutor embriagado vai trazer um risco não só para ele, mas para todos os outros usuários. Um condutor com o veículo em mau estado de conservação ou fazendo malabarismo em uma motocicleta também está correndo o risco de se envolver em um sinistro, ocupar um leito hospitalar ou chegar a algo mais grave, como um óbito".
Questionado sobre os principais pontos de preocupação nas fiscalizações realizadas em Feira de Santana, o capitão Lacerda destacou a condução de veículos sob efeito de bebida alcoólica. “A gente observa ainda muito o condutor em Feira de Santana conduzindo seu veículo sob efeito de bebida alcoólica. Isso traz muito risco, porque, quando estamos sob efeito de bebida alcoólica, perdemos a nossa cognição".
Como alternativa, ele orientou que as pessoas que pretendem consumir bebida alcoólica optem por um transporte alternativo ou escolham previamente um condutor que não irá beber. “Dirigir um veículo automotor nesse estado traz muito risco para os usuários do trânsito. A gente pede a conscientização dessas pessoas para que usem um meio de transporte alternativo ou tenham um condutor da rodada, que não vai beber naquele dia".
SAMU alerta para alto número de acidentes envolvendo motociclistas
A preocupação com os acidentes envolvendo motociclistas também foi destacada pela coordenadora do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) de Feira de Santana, Rita de Oliveira Lima, durante a programação da Semana Nacional de Trânsito.
Segundo a coordenadora, o SAMU recebe diariamente chamados relacionados a acidentes de trânsito e, entre as ocorrências, os motociclistas representam a maior parte das vítimas. “O SAMU recebe diariamente várias ligações envolvendo acidentes de trânsito. Dentre os acidentes, a maior parte, em torno de 86%, são acidentes envolvendo motociclistas".
Rita explicou que diferentes fatores podem estar relacionados às ocorrências, entre eles o excesso de velocidade, manobras inadequadas, desrespeito às leis de trânsito e o consumo de álcool e outras substâncias psicoativas. Ela também citou as condições das vias como um dos fatores que podem contribuir para os acidentes. “São situações como excesso de velocidade, manobras arriscadas, desrespeito às leis de trânsito, uso de álcool, outras substâncias psicoativas e, algumas vezes, as condições da via".
A coordenadora chamou atenção para a vulnerabilidade dos motociclistas em comparação com quem está dentro de um carro. Segundo ela, enquanto os ocupantes de automóveis contam com estruturas de proteção, o motociclista fica mais exposto em caso de colisão ou queda. “Os motociclistas são os mais vulneráveis e são as principais vítimas. No carro, tem o para-brisa e a carcaça do carro. Na moto, não. O para-brisa é o próprio corpo do motociclista".
Diante desse cenário, Rita reforçou o pedido para que os condutores respeitem as regras de circulação e adotem uma postura mais cuidadosa no trânsito. “Pedimos encarecidamente que respeitem o trânsito, respeitem as leis de trânsito e pensem no bem maior, que é a vida. Preserve a sua vida, a minha vida, a nossa vida".
Além dos acidentes, a coordenadora do SAMU destacou outro problema que interfere diretamente no atendimento de urgência: os trotes telefônicos. De acordo com Rita, o serviço registra mais de 900 trotes por mês, número que representa um impacto significativo para o funcionamento do atendimento. “São 900 e poucos trotes por mês. É um número bastante relevante e tem um impacto direto no atendimento".
Ela explicou que, quando uma linha do SAMU está ocupada por uma ligação falsa, uma ocorrência verdadeira pode deixar de ser atendida naquele momento ou sofrer atraso. “Quando uma linha está ocupada por um trote, uma ligação verdadeira, que muitas vezes é grave, vai deixar de ser atendida ou será atendida com atraso".
Para Rita, a conscientização sobre os prejuízos provocados pelos trotes também deve fazer parte da educação desde os primeiros anos de vida, envolvendo crianças, adolescentes e adultos. “Com certeza. Desde pequenininho, a criança, o adolescente e também na fase adulta. É por isso que estamos aqui hoje, nesse momento de integração, de conscientização e de respeito à vida".
A coordenadora reforçou que a Semana Nacional de Trânsito é também um espaço para chamar atenção para a responsabilidade individual no trânsito e para a necessidade de preservar vidas. “Esse momento é de conscientização mesmo, de respeito às leis e de respeito à vida".
Programação
A programação da Semana Nacional de Trânsito em Feira de Santana reforçou, assim, a proposta de unir educação, conscientização e fiscalização para reduzir comportamentos de risco. Para os representantes dos órgãos participantes, a mudança no trânsito depende não apenas das ações realizadas pelas instituições, mas também da postura adotada diariamente por cada pessoa que circula pelas ruas e rodovias.