Bahia Clima e tempo
Primavera chega à Bahia sob influência de El Niño muito forte
Estação começa às 21h05 desta terça-feira; Salvador terá calor, nebulosidade e possibilidade de chuva nos primeiros dias.
21/09/2026 08h29 Atualizada há 2 horas atrás
Por: Karoliny Dias Fonte: Tribuna da Bahia
Foto: Romildo de Jesus/Tribuna da Bahia

A primavera começa oficialmente nessa terça-feira (22), às 21h05, trazendo para a Bahia a perspectiva de temperaturas acima da média e chuvas irregulares. A estação mais florida do ano seguirá até 21 de dezembro, quando terá início o verão. Em Salvador, a previsão para o primeiro dia é de muitas nuvens e chuva isolada, com temperaturas entre 20°C e 30°C.

Na quarta-feira (23), o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) estima mínima de 22°C e máxima de 31°C, com céu encoberto, pancadas de chuva e possibilidade de trovoadas isoladas. Para o restante da semana, a tendência é de períodos de sol intercalados por nebulosidade, chuva passageira e ventos mais intensos, especialmente na faixa litorânea. As projeções podem mudar conforme a aproximação das datas.

A troca de estação é determinada pelo equinócio, instante em que o Sol cruza o equador celeste. No Hemisfério Sul, o fenômeno marca o fim do inverno e o início da primavera; no Hemisfério Norte, representa a chegada do outono.

Segundo a astrônoma Josina Nascimento, do Observatório Nacional, as estações existem porque o eixo de rotação da Terra é inclinado em relação ao plano de sua órbita. “À medida que a Terra orbita o Sol, seu eixo inclinado sempre aponta na mesma direção e isso faz com que diferentes partes da Terra recebam os raios diretos do Sol”, explica.

Uma das curiosidades do equinócio é a duração semelhante do dia e da noite. A partir de agora, os dias ficarão gradualmente mais longos e as noites mais curtas no Hemisfério Sul, até 21 de dezembro, data do maior período de claridade do ano. No equinócio, o Sol também nasce próximo ao ponto cardeal leste e se põe a oeste.

Se, no imaginário popular, a primavera é associada apenas ao desabrochar das flores, em 2026 a estação será marcada também pela influência de um El Niño que pode atingir intensidade muito forte. O prognóstico conjunto do Inmet e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) aponta 98% de probabilidade dessa condição entre outubro e dezembro.

Para o Nordeste, os modelos indicam predomínio de chuva abaixo da média e temperaturas mais elevadas. Em alguns estados, os termômetros poderão registrar valores próximos ou superiores a 2°C acima da média histórica. Na Bahia, o cenário tende a ser mais delicado no interior, com maior risco de baixa umidade, perda de água do solo, queimadas e dificuldades para a agropecuária.

Isso não significa, porém, ausência de chuva. Salvador e o litoral baiano possuem características diferentes das áreas semiáridas. Mesmo em uma estação com menor volume acumulado, a entrada de umidade do oceano e a passagem de sistemas meteorológicos podem provocar pancadas fortes, rajadas de vento, descargas elétricas e alagamentos pontuais.

O meteorologista Fabio Pinto da Rocha, do Inpe, explica que a primavera modifica gradualmente a distribuição das chuvas no País. “Essas chuvas ocorrem principalmente na forma de pancadas localizadas, por vezes acompanhadas de descargas elétricas e rajadas de vento e eventual queda de granizo”, afirma. Ele recomenda o acompanhamento das previsões e dos avisos emitidos pelos órgãos meteorológicos e pela Defesa Civil.

O calor também exige atenção. Segundo o especialista, podem ocorrer períodos de vários dias consecutivos de sol, temperaturas elevadas e baixa umidade durante a tarde. A recomendação é reforçar a hidratação, usar protetor solar e evitar exposição prolongada entre 10h e 16h, sobretudo entre crianças, idosos e animais de estimação.

Plantio requer atenção

A primavera costuma marcar o início do plantio das principais culturas de verão em parte do Brasil. Neste ano, entretanto, a irregularidade das chuvas poderá dificultar a escolha do momento adequado para a semeadura na Bahia.

De acordo com o prognóstico do Inmet e do Inpe, lavouras de sequeiro, como soja, milho, arroz e feijão, exigirão acompanhamento da umidade do solo. Se o déficit hídrico persistir, culturas importantes para o Estado, como mandioca, banana e cacau, também poderão apresentar redução do crescimento e do potencial produtivo.

Nas áreas irrigadas, a situação tende a ser mais favorável, embora as temperaturas elevadas aumentem a necessidade de água. As pastagens também podem ser atingidas, com menor capacidade de rebrota e redução da oferta de alimento para os animais.

Nos jardins e pequenas hortas, o aumento gradual da luminosidade favorece brotações e florescimento, mas o calor exige cuidados. A orientação é realizar a irrigação no início da manhã ou no fim da tarde, evitar o encharcamento do solo e observar a quantidade de sol necessária para cada espécie. A estação das flores chega, portanto, com cores renovadas, mas também com um recado claro: cultivar exigirá planejamento e atenção ao comportamento do clima.