Feira de Santana Ocupação
Corte de ligações clandestinas deixa cerca de 32 famílias sem energia em prédio ocupado do antigo INSS em Feira de Santana
Neoenergia Coelba afirma que removeu ligações irregulares que ofereciam riscos à comunidade; advogado das famílias contesta a falta de informações sobre a solicitação do desligamento e busca alternativas legais para restabelecer o fornecimento.
18/09/2026 13h33 Atualizada há 23 minutos atrás
Por: Karoliny Dias Fonte: Boca de Forno News

Foto: Boca de Forno News 

Cerca de 32 famílias, que reúnem mais de 100 pessoas, ficaram sem energia elétrica após uma operação realizada nesta sexta-feira (18), no prédio do antigo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), localizado no centro de Feira de Santana. A ação contou com a participação de equipes da Neoenergia Coelba, da Polícia Civil e de outros órgãos de segurança pública. Segundo a concessionária, foram identificadas e removidas ligações clandestinas de energia que ofereciam riscos à comunidade.

A situação gerou preocupação entre as famílias que ocupam o imóvel, especialmente em razão da presença de crianças e pessoas doentes no local. O advogado Jefferson Sampaio, OAB-BA 79.992, que representa os ocupantes, acompanhou a movimentação e questionou a falta de informações sobre a solicitação que teria dado origem ao desligamento da energia.

De acordo com o advogado, o imóvel é de propriedade do INSS e existem tratativas para que sejam garantidos serviços básicos às famílias que vivem na ocupação.

Jefferson Swmpaio - Foto: Boca de Forno News

Em entrevista, Jefferson Sampaio afirmou que a representação das famílias tentou obter informações sobre quem teria solicitado a retirada da energia elétrica do prédio, mas não conseguiu acesso a esses dados. “O órgão da Coelba havia feito a solicitação de retirada de energia, mas nos foi negado o acesso à informação sobre quem fez esse pedido. Trata-se de um prédio público federal, e existem tratativas para que sejam garantidos o fornecimento de energia e água às famílias que estão morando no local”, explicou.

Segundo o advogado, também foi solicitada a religação do fornecimento em nome do representante do instituto, mas não houve retorno da concessionária. “Foi solicitada a religação em nome do representante do instituto, mas, até o momento, não tivemos uma resposta dos órgãos responsáveis”, afirmou.

Jefferson destacou que a energia elétrica é um serviço essencial para as famílias que vivem no imóvel e classificou como preocupante a situação enfrentada pelos ocupantes. “O prédio hoje não tem energia, mesmo com a quantidade de famílias que vivem aqui. É uma situação desumana, porque não foi demonstrado quem solicitou a retirada da energia, e também não foi feita a religação, mesmo após o pedido em nome do instituto”, declarou.

O advogado também ressaltou a necessidade de acompanhamento assistencial para os moradores, que, segundo ele, vivem em uma situação de insegurança quanto ao futuro da ocupação. “As famílias precisam de moradia digna e de assistência social, mas esse acompanhamento não está acontecendo. Isso gera uma sensação de insegurança entre os moradores”, disse.

Questionado sobre os próximos passos, Jefferson afirmou que as famílias continuarão no local e que serão buscadas alternativas legais para garantir o acesso aos serviços básicos.

Preocupação com crianças e pessoas doentes

Brenda Pereira Lima - Foto: Boca de Forno News

Uma das ocupantes do prédio, Brenda Pereira Lima, afirmou que as famílias foram surpreendidas com a retirada da energia elétrica e que a situação trouxe dificuldades para os moradores. “Simplesmente chegaram aqui, retiraram a nossa energia e ficamos sem eletricidade. Tem crianças e pessoas doentes aqui. Estamos nessa situação porque precisamos de moradia e não temos para onde ir”, relatou.

Brenda também confirmou a existência de ligações clandestinas no imóvel e explicou que os moradores pretendem buscar uma solução por meios legais. “Infelizmente, havia ligações clandestinas, mas isso aconteceu porque a nossa solicitação não foi atendida. Agora, vamos buscar os meios legais para conseguir uma ligação regular de energia”, afirmou.

A ocupante informou ainda que a Defensoria Pública da União (DPU) deverá ser procurada para auxiliar as famílias na tentativa de restabelecer o fornecimento de energia elétrica. “Vamos procurar a Justiça para conseguir a religação legal da energia”, declarou.

Neoenergia Coelba explica operação

Por meio de nota divulgada nesta sexta-feira (18), a Neoenergia Coelba informou que suas equipes foram acionadas para realizar uma vistoria e remover ligações irregulares de energia no edifício de propriedade do INSS, no centro de Feira de Santana. Segundo a concessionária, o imóvel encontra-se ocupado irregularmente e, durante a inspeção, foram identificadas e removidas ligações clandestinas de energia elétrica.

A empresa afirmou que as ligações, além de irregulares, ofereciam riscos à segurança da comunidade. Ainda conforme a nota, a ação foi acompanhada pela Polícia Civil, que realizou uma perícia técnica no local. Ao final do comunicado, a Neoenergia Coelba informou que permanece à disposição.

Veja a nota completa abaixo: 

"NOTA DA NEOENERGIA COELBA

Desligamento de ligações clandestinas Edifício INSS Feira de Santana

18 de setembro de 2026

A Neoenergia Coelba informa que equipes da distribuidora foram acionadas para vistoria e remoção de ligações irregulares de energia em edifício de propriedade do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), no centro de Feira de Santana. Após inspeção no imóvel, que se encontra ocupado irregularmente, foram identificadas e removidas ligações clandestinas de energia, que além de irregulares ofereciam risco de segurança à comunidade. A ação foi acompanhada pela Polícia Civil, que realizou perícia técnica no local. A Neoenergia Coelba segue à disposição."

Policia Civil envia nota

A Polícia Civil informou que a Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos (DRFR) de Feira de Santana instaurou um inquérito policial para apurar uma denúncia de desvio de energia elétrica no Centro do município.

Segundo a corporação, diligências estão sendo realizadas para esclarecer os fatos e reunir informações sobre o caso.

Matéria atualizada às 14h44