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Operação Ressonância identifica 60 veículos em pátios de Feira de Santana e inicia devolução aos proprietários
Força-tarefa realizou perícias em mais de 100 veículos apreendidos e conseguiu identificar 40 deles, que serão restituídos aos donos; outros 20 devem ser encaminhados a leilão.
16/09/2026 12h05
Por: Karoliny Dias Fonte: Boca de Forno News

Foto: Boca de Forno News 

A Operação Ressonância, que reúne diferentes forças de segurança em Feira de Santana, identificou cerca de 60 veículos que estavam apreendidos em pátios do município e que, por diferentes motivos, ainda não haviam sido devolvidos aos seus proprietários. Após meses de trabalho, a força-tarefa iniciou, nesta quarta-feira (16), a etapa de restituição dos bens, com a entrega de 17 veículos nesta primeira fase.

A operação teve início em julho e contou com um trabalho de investigação e perícia técnica para localizar os proprietários e verificar a situação dos veículos. De acordo com o delegado José Marcos, responsável por apresentar os desdobramentos da ação, mais de 100 veículos foram periciados pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT). “Esse foi um trabalho árduo, principalmente do DPT, que realizou dezenas de perícias. Dessas análises, conseguimos identificar cerca de 60 veículos. Desses, 40 serão restituídos aos proprietários”, explicou o delegado.

Segundo José Marcos, os outros 20 veículos não puderam ser identificados ou tiveram seus proprietários não localizados. Por esse motivo, devem ser encaminhados a leilão, conforme os procedimentos legais.

A Operação Ressonância foi criada com o objetivo de realizar uma espécie de varredura nos pátios, identificando veículos que permaneciam apreendidos há meses ou até mesmo anos e que poderiam ser devolvidos aos seus proprietários. De acordo com o delegado, os veículos identificados têm origens variadas. Entre eles estão motocicletas e automóveis relacionados a ocorrências de furto e roubo, além de apreensões decorrentes de suspeitas de adulteração e medidas administrativas realizadas por órgãos como a Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) e a Superintendência Municipal de Trânsito (SMT).

“São veículos de origens variadas, tanto de furto quanto de roubo, além de apreensões decorrentes de suspeita de adulteração e até mesmo apreensões administrativas. Por algum motivo, esses veículos acabaram ficando nos pátios, seja porque o proprietário não foi localizado ou porque havia alguma dúvida sobre quem realmente era o dono”, afirmou.

José Marcos destacou ainda que algumas situações envolvem disputas pela posse dos veículos, falta de transferência de propriedade ou pendências judiciais que impedem a restituição imediata. “Às vezes, o veículo está registrado em nome de uma pessoa, mas o possuidor já é outro e não houve a transferência. Em outros casos, existe alguma pendência judicial. São vários motivos que fazem com que esses veículos permaneçam nos pátios”, explicou.

O delegado ressaltou que a força-tarefa também atua na localização dos proprietários, inclusive daqueles que já não acompanhavam mais a situação dos bens apreendidos. “Alguns proprietários já haviam até esquecido do veículo ou não estavam mais acompanhando o processo. Então, fizemos essa busca ativa para localizar essas pessoas e devolver os bens”, disse.

Além de beneficiar os proprietários, a ação também contribui para reduzir o acúmulo de veículos nos pátios de Feira de Santana. Segundo José Marcos, a permanência prolongada desses bens gera problemas relacionados à falta de espaço, às condições sanitárias e ao desgaste dos próprios veículos. “Em Feira de Santana, temos uma média de um a dois veículos recuperados e devolvidos por dia. No entanto, alguns acabam ficando para trás por conta de algum tipo de impedimento, como a falta de localização do proprietário ou uma pendência judicial”, explicou.

O delegado destacou que a acumulação de veículos apreendidos compromete a estrutura dos pátios e pode provocar o sucateamento de bens que ainda poderiam ser utilizados pelos seus donos. “É importante fazer essa varredura, identificar os veículos, realizar as perícias e devolvê-los. Isso é bom para o cidadão, que está recuperando o seu bem, e também para a polícia, porque os pátios têm uma área limitada. Apreende-se cada vez mais e, em determinado momento, o espaço acaba”, afirmou.

Delegado José Marcos - Foto: Boca de Forno News 

Durante a entrevista, o delegado José Marcos também explicou o que acontece com os veículos que não tiveram a origem ou a propriedade identificadas pela perícia técnica. Segundo ele, a identificação não depende apenas da declaração de uma pessoa que afirma ser dona do veículo. É necessário que os peritos confirmem tecnicamente a procedência do bem. “Não adianta o proprietário afirmar que o veículo é dele. A cor e o modelo não são suficientes para identificar um automóvel. Às vezes, a pessoa acredita que o veículo é seu, mas, quando é realizada a perícia, fica constatado que não é”, esclareceu.

Os 20 veículos que não puderam ser identificados deverão ser encaminhados a leilão. Conforme o delegado, quem arrematar um desses bens deverá seguir os procedimentos legais junto ao Departamento Estadual de Trânsito (Detran), incluindo a remarcação do chassi, quando necessária. “O DPT emite um laudo informando que não foi possível identificar o veículo. A partir daí, ele pode ser encaminhado a leilão. Quem arrematar será o novo proprietário e deverá realizar os procedimentos necessários no Detran, como a remarcação do chassi, para que o veículo receba uma nova identificação e tenha uma destinação legal”, explicou.

José Marcos ressaltou que, antes da realização do leilão, os procedimentos de identificação seguem critérios técnicos. Dessa forma, a simples reivindicação de propriedade não é suficiente para interromper o processo.

Outro ponto abordado durante a entrevista foi a adulteração de identificadores de veículos. Segundo José Marcos, as principais alterações criminosas envolvem a numeração do chassi e do motor, além de outros elementos que permitem rastrear a origem do automóvel. “Os principais tipos de adulteração envolvem o chassi e o motor. Também existem casos de alterações na caixa de câmbio e em outros componentes que possuem numeração e podem ser rastreados”, afirmou.

O delegado explicou que algumas adulterações são grosseiras e podem ser percebidas facilmente, enquanto outras são realizadas de maneira sofisticada, exigindo uma análise especializada. “Algumas alterações são grosseiras e perceptíveis até para uma pessoa comum. Outras são muito bem feitas e exigem que um perito técnico faça uma análise detalhada”, destacou.

Diante disso, José Marcos orientou os consumidores a realizarem uma vistoria cautelar antes de adquirir um veículo, mesmo quando não houver suspeitas aparentes de irregularidades. “É importante que a pessoa, ao comprar um veículo, procure uma empresa credenciada, faça a vistoria e guarde o laudo. Se futuramente houver algum problema, ela terá como comprovar que tomou os cuidados necessários e que o veículo foi vistoriado”, orientou.

O delegado lembrou ainda que outros componentes, como os vidros, também podem apresentar sinais de adulteração e devem ser observados durante a avaliação.

A operação também possibilitou a localização de proprietários que não haviam procurado as autoridades para saber sobre a situação dos veículos apreendidos. Nesta primeira etapa, 17 veículos foram devolvidos. De acordo com José Marcos, a previsão é que os demais bens identificados como aptos à restituição sejam entregues aos proprietários nas próximas fases da operação.

“Esses 17 veículos que estamos devolvendo hoje foram localizados por meio de uma busca ativa. Fomos atrás de telefones, endereços e realizamos intimações para encontrar essas pessoas e fazer com que elas viessem retirar os veículos”, contou.

O delegado orientou que as pessoas que tiveram veículos apreendidos e ainda não sabem se eles podem ser recuperados procurem uma unidade policial para verificar a situação. “Quem sabe que tem um veículo apreendido, possui a placa ou o número do boletim de ocorrência pode procurar a delegacia e verificar como está a situação. Qualquer delegacia pode fazer essa consulta, inclusive nos casos de furto ou roubo de veículos”, explicou.

Segundo ele, a restituição depende da análise individual de cada caso e da confirmação de que não existem impedimentos legais para a devolução. “Se o veículo estiver apto a ser restituído, é nossa obrigação devolvê-lo. É do nosso interesse fazer essa busca pelos proprietários e garantir que esses bens retornem para quem tem direito”, afirmou.

Um recomeço para Gilmara

Gilmara Santos - Foto: Boca de Forno News 

Entre os proprietários beneficiados pela Operação Ressonância está Gilmara da Paixão Santos, que recuperou a motocicleta roubada há cinco meses. Para ela, a devolução do veículo representa não apenas a recuperação de um bem material, mas também a possibilidade de retomar atividades que ajudam no sustento da família.

Em entrevista, Gilmara contou que recebeu a notícia da localização da moto com muita emoção. Segundo ela, a fé foi fundamental para manter a esperança durante o período em que ficou sem o veículo. “A felicidade foi enorme. Foi uma emoção muito grande. Eu orei muito e pedi a Deus que me mostrasse que aquele momento difícil que eu estava passando teria uma solução”, relatou.

Gilmara explicou que, durante o período em que permaneceu sem a motocicleta, enfrentou dificuldades para conciliar o trabalho com os cuidados dedicados à mãe. “Eu estava passando por um momento de dificuldade, tentando voltar ao trabalho e tendo muitos gastos. Também precisava estar presente em casa para cuidar da minha mãe. Deus foi me mostrando: ‘Calma, que tudo vai se resolver’. E, no momento certo, a moto voltou”, contou.

A recuperação aconteceu justamente no dia do aniversário dela, o que tornou a ocasião ainda mais especial. “Hoje é meu aniversário e estou muito feliz. É um presente que veio do Senhor. Espero que ela volte para me trazer ainda mais felicidade e proteção”, afirmou.

Gilmara contou que adquiriu a motocicleta há cerca de oito anos e que o veículo sempre teve um papel importante em sua rotina profissional e financeira. “Quando adquiri a moto, há oito anos, ela me ajudou muito no sustento da casa. Na época, eu tinha outro emprego e o veículo facilitava bastante a minha vida”, explicou.

Atualmente, além do trabalho formal, ela também atua com a venda de mercadorias, produtos e cosméticos. Segundo Gilmara, a motocicleta era essencial para reduzir os gastos com transporte. “Hoje, gasto cerca de R$ 20 para ir e voltar do trabalho quatro vezes ao dia. Com a moto, eu colocava R$ 20 de combustível e conseguia passar a semana toda. Então, a falta dela reduziu muito o meu lucro durante esses cinco meses”, relatou.

A proprietária estima que tenha enfrentado perdas financeiras significativas durante o período em que ficou sem o veículo. “Eu perdi muita coisa nesses cinco meses, mas Deus sabe o quanto estou ganhando hoje com essa recuperação. Estou muito feliz”, declarou.

Apesar da alegria com a recuperação, Gilmara explicou que a motocicleta precisará passar por novos reparos antes de voltar a ser utilizada normalmente. Segundo ela, o veículo já havia recebido investimentos recentes em manutenção e peças, mas agora será necessário realizar outros serviços para que volte às condições adequadas de uso. “Em dezembro, eu havia trocado várias peças e feito um investimento de quase R$ 2 mil na moto. Agora, vou precisar fazer novas modificações e deixá-la em ordem novamente”, contou.

Mesmo diante dos gastos que ainda terá pela frente, Gilmara afirma que a recuperação representa uma nova oportunidade de reorganizar a vida e retomar a rotina. “Vou arrumar tudo e voltar a andar com ela. Só tenho a agradecer a Deus por esse momento e por todas as bênçãos que Ele tem me dado”, afirmou. Ao final, emocionada, ela agradeceu pela oportunidade de recuperar o veículo