A Casa do Trabalhador de Feira de Santana realizou, nesta segunda-feira (15), o Dia D da empregabilidade da pessoa com deficiência. O mutirão reuniu 182 vagas de trabalho destinadas ao público com deficiência e contou com a participação presencial de 17 empresas, que realizaram entrevistas e recrutamento de candidatos ao longo da manhã. A iniciativa faz parte das ações realizadas durante o mês de setembro, período dedicado à conscientização e à luta pelos direitos das pessoas com deficiência.
Segundo o diretor da Casa do Trabalhador, Magno Felzemburgh, a realização do Dia D busca aproximar empresas e trabalhadores e fortalecer a inserção da pessoa com deficiência no mercado formal de trabalho. “Hoje estamos registrando aqui esse Dia D, um mutirão da empregabilidade para a pessoa com deficiência. Existe uma lei federal tratando desse assunto, e setembro é o mês de alusão à luta da pessoa com deficiência. A data oficial é 21 de setembro, mas cada município tem a liberdade de marcar a sua data. Então, desde que chega o mês de setembro, que faz essa alusão à luta, estamos aqui com 182 vagas para atender a pessoa com deficiência”, explicou.
Ainda de acordo com Magno, o evento reuniu empresas de diferentes segmentos da economia feirense, ampliando as possibilidades para os candidatos. Entre os setores presentes estavam indústria, serviços, construção civil e supermercados. “Dezessete empresas estão aqui, de forma presencial, fazendo entrevista e recrutamento para que o trabalhador possa exercer sua função. É um dia importante. Todo ano a gente determina uma data e realiza essa atividade”, destacou.
O diretor ressaltou ainda a participação de empresas do setor supermercadista, da indústria e de consultorias que atuam na intermediação de mão de obra. “Temos aqui indústria, serviço, construção civil e supermercado. Quero dar um destaque aos supermercados porque temos redes aqui dentro hoje. A rede de supermercados vem com muita força. A indústria também. E as duas maiores consultoras da cidade estão aqui oferecendo vagas. Então, está bem servido”, afirmou.
Para Magno, o desafio é fazer com que oportunidades como essas sejam ampliadas durante todo o ano e que a discussão sobre a inclusão profissional da pessoa com deficiência permaneça presente. “Agora vamos trabalhar para ampliar, na prática, os espaços e também as demandas para as pessoas com deficiência. A gente passa o ano todo divulgando essa área. Hoje é um dia em que reforçamos isso para chamar a atenção e trazer a discussão do tema”, disse.
O diretor também defendeu a importância da inserção profissional para além da questão financeira, destacando os efeitos sociais do trabalho. “A gente precisa trabalhar nessa questão da cultura de que formar o trabalhador é melhor, ele trabalhar é melhor. Ele socializa, contribui para a saúde mental, do que ficar apenas recebendo benefício do governo. É melhor ele trabalhar”, declarou.
A movimentação começou cedo na Casa do Trabalhador. Segundo Magno Felzemburgh, quando chegou ao local, por volta das 6h40, já havia trabalhadores aguardando para participar do mutirão. “A procura está boa. Está dentro do esperado. É um público reduzido em relação ao público normal, mas está fluindo bem. Eu cheguei aqui às 6h40 da manhã e já tinha trabalhador vindo para cá. Já tinha alguns na fila aguardando o horário para entrar”, relatou.
O atendimento do Dia D foi realizado durante a manhã, das 8h às 12h, permitindo que os candidatos tivessem contato direto com as empresas participantes.
Ministério Público do Trabalho destaca cumprimento da legislação
A atividade também contou com a presença da procuradora do Trabalho Annelise Fonseca, que atua como coordenadora na Procuradoria do Trabalho no Município (PTM) de Feira de Santana.
Para Annelise, o mutirão tem importância tanto para os trabalhadores quanto para as empresas, ao aproximar os dois lados e facilitar o cumprimento da legislação que determina a contratação de pessoas com deficiência. “Esse evento, esse mutirão, é muito importante para o município porque ele vem para conciliar a obrigação que a empresa tem de contratar pessoas com deficiência e também oportunizar às pessoas com deficiência essas vagas de trabalho”, afirmou.
Segundo a procuradora, uma das dificuldades encontradas é justamente a falta de conexão entre empresas que precisam contratar e trabalhadores que buscam oportunidades. “Muitas vezes as empresas não sabem onde encontrar essas pessoas e, da mesma forma, os trabalhadores também não sabem como se dirigir a essas empresas, onde estão essas vagas. Então, esse evento vem para conciliar esses dois interesses, com o foco de dar oportunidade de trabalho para as pessoas com deficiência”, explicou.
Annelise também falou sobre os obstáculos encontrados no cumprimento da legislação. Para ela, é necessário avançar tanto na conscientização dos trabalhadores quanto na preparação das empresas para receber pessoas com deficiência. “Existe uma certa dificuldade porque nem sempre a pessoa com deficiência quer ingressar no trabalho. Existe uma perspectiva muito voltada para a remuneração, de que o trabalho vem apenas para gerar uma renda, uma questão financeira. Só que o trabalho vai muito além disso”, pontuou.
A procuradora destacou que o emprego também pode contribuir para a convivência social e para a autoestima. “A gente precisa entender que o trabalho dá oportunidade para que as pessoas possam ter um convívio social, viver experiências fora de casa e melhorar a autoestima no momento em que estiverem trabalhando”, disse.
Empresas precisam garantir acessibilidade
Além da contratação, Annelise Fonseca ressaltou que as empresas precisam oferecer condições adequadas para que o trabalhador com deficiência consiga desempenhar suas atividades. “É importante promover esse tipo de evento para conscientizar também essas pessoas sobre a importância do trabalho para elas e, ao mesmo tempo, para que a empresa possa cumprir essa cota”, afirmou.
Ela lembrou que a realização do Dia D também ajuda a enfrentar uma justificativa frequentemente apresentada por empresas que têm dificuldade para cumprir a legislação. “Quando chega aqui, existe uma relação de trabalhadores com deficiência e a empresa tem como cumprir essa cota. Então, não vai poder também se utilizar de um argumento no sentido de que ‘eu não sei onde procurar’. Não. Aqui é a oportunidade de você encontrar essas pessoas e dar essa oportunidade a elas, ao mesmo tempo em que cumpre a sua cota legal, que está prevista na lei”, declarou.
Para a procuradora, outro ponto fundamental é garantir acessibilidade no ambiente de trabalho. “Além de contratar a pessoa com deficiência, a empresa precisa dar condições para que essa pessoa trabalhe. Isso é o que se chama de acessibilidade. Você contrata uma pessoa com deficiência, mas tem que dar condições para aquela pessoa trabalhar”, explicou.
Anelise também defendeu uma atuação conjunta entre poder público e iniciativa privada para ampliar as oportunidades. “Ações como essa, das empresas e também do poder público, são importantes para fomentar e fortalecer esse sentido. É importante ter uma atuação efetiva do poder público para conciliar esses dois interesses e oportunizar o cumprimento da lei”, afirmou.
Candidato busca oportunidade compatível com experiência
Entre os trabalhadores que participaram do Dia D estava Erick Pinheiro, pessoa com deficiência que foi até a Casa do Trabalhador em busca de uma nova oportunidade profissional.
Erick avaliou positivamente a variedade de vagas disponibilizadas durante o mutirão e destacou que encontrou possibilidades que, segundo ele, podem representar uma evolução em relação às oportunidades normalmente oferecidas às pessoas com deficiência. “É muito bom ver que, dessa vez, tem até alguns cargos de confiança, alguns cargos melhores para a gente, da categoria PCD. Então vim ver como está aqui e, se me encaixar direitinho, estou indo junto”, contou.
Com experiência no mercado de trabalho formal, Erick demonstrou confiança em conseguir uma colocação compatível com seu perfil profissional. “Acredito que está em alta. Tenho um currículo bom e muita experiência dentro do mercado CLT. Dependendo do que eles tiverem apresentando aqui, acredito que posso me encaixar direitinho”, afirmou.
Apesar da expectativa, ele apontou uma dificuldade que, segundo sua experiência, ainda faz parte da realidade de muitos trabalhadores com deficiência: a oferta de vagas consideradas de entrada, mesmo para quem já possui experiência profissional. “A maior dificuldade é que, realmente, as vagas que eles apresentam são vagas de entrada no mercado CLT. Para quem já tem experiência, já tem um decorrer profissional, acaba sendo meio chato. A gente prefere recorrer a outros recursos”, relatou.
Ainda assim, Erick destacou a importância do mutirão por reunir, em um mesmo espaço, diferentes empresas e possibilidades de contratação. “Hoje, com esse mutirão, com essas possibilidades que estão aqui para a gente, vale a pena participar”, afirmou.
Questionado sobre o recebimento de algum benefício, Erick informou que não recebe benefício assistencial e que atualmente trabalha. “Não. Eu apenas trabalho mesmo, na correria do dia a dia”, concluiu.