Cultura Crônica da semana
Jesus nunca se foi e permanece entre nós
Por Alberto Peixoto
12/09/2026 08h57
Por: Karoliny Dias Fonte: Alberto Peixoto

Foto: Bliznetsov  by Getty Images

Jesus nunca se foi e permanece entre nós. Essa ideia se define na prática: Ele não está ausente, e tem é uma influência contínua na vida diária.

Vários ensinamentos e tradições sugerem a continuidade da presença de Jesus entre seus seguidores. Essa noção é reforçada por autores de diversas épocas e por textos de diferentes vertentes teológicas. Frequentemente, a forma como ela é percebida pelas comunidades é mais complexa, mas o enfoque direto permite abordá-la sem complicações.

A interpretação bíblica pode também ser realizada de maneira simples. Alguns versículos sugerem que Jesus permanece entre seus seguidores, e a leitura direta de certas passagens não exige uma discussão hermenêutica sofisticada. Além disso, as diferenças de nuance nas declarações de Jesus e nas narrativas da ressurreição não afetam a ideia de sua permanência junto a nós.

Quando se considera a oração e os hábitos diários, a presença de Jesus tem implicações práticas significativas. A confiança, a esperança e a moral também são afetadas, e de modo mais fundamental. Sinais de sua presença são percebidos em momentos de paz e de busca por sentido. É natural que surjam algumas perguntas. Questões sobre o sofrimento e a presença divina são comuns e podem ser abordadas de forma direta.

A ideia de que Jesus nunca partiu e permanece entre nós tem raízes históricas. Os ensinamentos e tradições que sustentam a afirmação de que ele estaria sempre presente estão presentes nas Escrituras. Os relatos e a experiência na comunidade dos seguidores através dos séculos têm dado continuidade a essa ideia. A influência da filosofia e teologia também tem apoiado essa crença. Por outro lado, esse entendimento não é unanime entre as diversas comunidades cristãs.

Um aspecto importante da ideia de que Jesus nunca se foi é o seu suporte nas escrituras. Há versículos que sugerem que Ele, na sua essência, continua a estar presente entre aqueles que Nele creem. Embora esse ensinamento não esteja explicitado em doutrinas estruturadas, a sua verdade pode ser confirmada com estudos simples e diretos.

A análise dos textos não exige complexas noções hermenêuticas nem um grande conhecimento da Bíblia, sendo acessível a qualquer pessoa que a tenha lido pelo menos algumas vezes e que conheça minimamente a língua para a qual a tradução foi feita. Pode-se simplesmente examinar os versículos um por um e, ao final, compará-los entre si, observando o que têm em comum.

Existem muitas passagens que, quando lidas com cuidado, indicam que Jesus continua entre nós, mas cada uma delas enfatiza a sua presença de maneira ligeiramente diferente. Os textos que dizem "onde estiverem dois ou três em meu nome" ou "o que pedirem" falam em Jesus entre aqueles que estão em comunhão com Ele; o que diz que "a porta é estreita" trata de Sua presença na vida; "não me vereis" e "estou convosco" referem-se a um momento da história, ao tempo dos discípulos, enquanto "estou convosco" e "se alguém me ama" falam do presente; "fui ao Pai" e "na casa de meu Pai" mencionam a separação da natureza humana.

Assim, quando Jesus afirma que "estou convosco todos os dias até a consumação do século", a oração em Seu nome pode ser entendida como um ato dirigido ao Pai, o que leva a presença a um sentido mais amplo do que o que se resume à ação de orar.

Recapitulando: a ideia em foco é a de que Jesus nunca se foi e permanece entre nós. Não apenas como influência, mas como presença, e não apenas no sentido de que suas lições continuam a ser um guia que pode ser seguido. A proposta é que, ao longo de sua trajetória individual e comunitária, cada um consiga repetir a experiência de perceber essa presença. Que essa presença, embora não sentida por todos, seja reconhecida, lida e entendida como uma realidade cotidiana, sem contornos de mito ou de doutrina. Que a vivência cotidiana e o diálogo comunitário sejam a fonte e as marcas de uma fé que, embora simples, seja verdadeira.

Por Alberto Peixoto