Feira de Santana Manifestação
Funcionários terceirizados da UEFS paralisam atividades após 40 dias sem salários
Trabalhadores da empresa Creta, responsável por serviços de jardinagem e manutenção na universidade, afirmam que também estão sem receber vale-transporte e vale-alimentação.
10/09/2026 10h55
Por: Karoliny Dias Fonte: Boca de Forno News
Foto: Divulgação

Funcionários da empresa Creta, que presta serviços terceirizados à Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), paralisaram as atividades nesta quarta-feira (10) após, segundo relato de um trabalhador que pediu para não ser identificado, chegarem a 40 dias sem receber salários, vale-transporte e vale-alimentação. A situação atinge trabalhadores que atuam principalmente na área de jardinagem, além de outros setores da universidade.

Em entrevista ao Portal Boca de Forno News, o funcionário relatou que os trabalhadores estão mobilizados dentro da universidade e decidiram interromper as atividades até que os pagamentos sejam regularizados. “A empresa Creta está completando hoje 40 dias sem pagar o salário, o vale-transporte e o vale-alimentação. E não dá nenhuma justificativa para os funcionários”, afirmou.

Segundo ele, cerca de 70 trabalhadores da área de jardinagem estão entre os funcionários afetados. O entrevistado informou ainda que outros setores que contam com trabalhadores terceirizados também tiveram as atividades interrompidas, incluindo manutenção e serviços relacionados ao cuidado de animais. “Está todo mundo aqui sentado, sem trabalhar. Parou tudo. A área de trator, a área de animais, o pessoal que cuida dos animais e também o setor de manutenção. Todo mundo está parado por tempo determinado, até o dinheiro cair”, relatou.

O trabalhador afirma que os atrasos têm provocado dificuldades financeiras para os funcionários, que precisam manter despesas básicas mesmo sem receber os salários. “A gente está passando pela maior dificuldade. Cartão atrasado, luz, água, internet, tudo. A feira acabou, acabou tudo. Estamos passando por uma dificuldade muito grande, uma situação triste que a gente nunca passou”, declarou.

De acordo com o funcionário, os trabalhadores estão há aproximadamente seis anos vinculados à empresa e, até recentemente, os pagamentos eram realizados normalmente. “A gente trabalha com essa empresa há mais ou menos seis anos. Ela vinha pagando direitinho. Mas, a partir do mês de agosto, começou a atrasar e agora chegou a essa situação”, disse.

Ainda conforme o relato, a situação não estaria restrita aos trabalhadores que atuam na UEFS. O funcionário afirmou ter conhecimento de reclamações envolvendo contratos da empresa em outros locais da Bahia. “Ela está atrasando aqui, atrasou no HEMOBA e está com problemas em vários lugares, em Salvador e em outros locais. A reclamação é geral na Bahia”, afirmou.

Contato com a universidade

O funcionário também relatou que os trabalhadores procuraram a administração da UEFS em busca de informações sobre a situação. Segundo ele, a universidade teria informado que enfrenta limitações para efetuar diretamente o pagamento dos trabalhadores porque a empresa terceirizada ainda não apresentou a documentação necessária. “A gente teve contato com a reitora. Ela disse que o proprietário da empresa desliga o telefone e não quer dar uma justificativa, não quer dar nenhuma posição. E a gente está aqui à beira do caminho”, relatou.

Segundo o trabalhador, a administração da universidade teria explicado que o pagamento aos funcionários depende do envio, pela empresa contratada, da folha de pagamento. “No caso, a universidade só pode fazer o pagamento se a empresa passar a folha de pagamento do pessoal. Como ela não passou essa folha, a reitoria não pode pagar por enquanto, até que a empresa apresente a documentação”, explicou.

Diante do cenário, os funcionários permanecem mobilizados e cobram da empresa Creta uma solução para o atraso dos salários e dos benefícios. “Somos todos pais de família. A gente precisa receber para poder honrar nossos compromissos. Estamos esperando uma posição da empresa e que o pagamento seja feito”, concluiu o trabalhador.

O Boca de Forno News entrou em contato com a assessoria de comunicação da Uefs, mas até o momento da publicação dessa reportagem não obteve retorno.