Uma ação de prevenção e diagnóstico de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) realizada durante o São João de Cachoeira, no Recôncavo Baiano, realizou mais de 3,6 mil testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites B e C. A mobilização ocorreu entre os dias 20 e 25 de junho, período de realização dos festejos, e contou com um estande da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), com apoio da Clínica Integral do Recôncavo.
Durante os cinco dias de atividade, equipes atuaram na recepção e captação dos pacientes, coleta dos exames, aconselhamento e orientação sobre prevenção e tratamento. Os resultados eram disponibilizados, em média, entre 20 e 30 minutos.
Do total de testes realizados, 51 casos de ISTs foram identificados. O balanço aponta 43 diagnósticos de sífilis, cinco de HIV, um de hepatite B e dois de hepatite C.
Além da identificação das infecções, a ação possibilitou o início imediato do tratamento para parte dos pacientes. Onze pessoas diagnosticadas com sífilis começaram o tratamento no próprio posto de atendimento, ampliando a importância da estratégia de levar testagem e assistência para locais de grande concentração de pessoas.
A mobilização foi coordenada pelo enfermeiro Edy Gomes, diretor do Núcleo de Saúde de Feira de Santana, com participação de profissionais envolvidos nas diferentes etapas do atendimento.
Os números registrados durante o São João chamam atenção para a importância da testagem como ferramenta de prevenção e diagnóstico. Muitas ISTs podem não apresentar sintomas nas fases iniciais, o que aumenta o risco de transmissão e de desenvolvimento de complicações quando não há diagnóstico e tratamento adequados.
O teste rápido permite identificar a infecção em pouco tempo e, diante de um resultado positivo, possibilita o encaminhamento para acompanhamento e tratamento.
O diagnóstico precoce do HIV, por exemplo, permite o início oportuno do tratamento e contribui para o controle da infecção. No caso da sífilis, o tratamento adequado é fundamental para interromper a evolução da doença e reduzir a possibilidade de transmissão.
As hepatites virais B e C também exigem atenção, já que podem evoluir de forma silenciosa e provocar complicações graves quando não são identificadas e acompanhadas adequadamente.
Entre as infecções identificadas durante a ação, a sífilis merece atenção especial, principalmente entre gestantes. Quando a infecção não é diagnosticada e tratada durante a gravidez, existe o risco de transmissão da bactéria da mãe para o bebê, podendo provocar a chamada sífilis congênita.
A infecção pode estar associada a complicações como aborto, nascimento prematuro, baixo peso ao nascer e alterações que podem comprometer diferentes órgãos e sistemas da criança.
Por esse motivo, o acompanhamento pré-natal é considerado fundamental para a identificação e o tratamento da sífilis durante a gestação. A testagem deve fazer parte da rotina de acompanhamento da gestante e, quando há diagnóstico, o tratamento adequado deve ser iniciado o quanto antes.
Embora a mobilização tenha sido realizada durante um período de grande circulação de pessoas, a orientação é que os cuidados com as ISTs não sejam restritos aos grandes eventos.
De acordo com as informações da campanha, os testes rápidos são oferecidos gratuitamente durante todo o ano nos postos de saúde de Cachoeira. Pessoas que tiveram relações sexuais sem proteção ou que possuem dúvidas sobre sua condição podem procurar uma unidade de saúde para realizar a testagem e receber orientação de profissionais.
O SAI, localizado na Policlínica, também conta com equipe especializada para atendimento.
A estratégia realizada durante o São João demonstra como ações de testagem em eventos de grande público podem contribuir para ampliar o diagnóstico e facilitar o acesso da população aos serviços de saúde.
Para o médico Teomas Sodré, da Clínica Integral do Recôncavo, os resultados obtidos durante os festejos ajudam a revelar um cenário que precisa ser acompanhado pelas autoridades e pela sociedade.
Segundo ele, os dados demonstram a necessidade de fortalecer as ações de prevenção, diagnóstico e acompanhamento das ISTs na região.
“Realmente somos gratos pela atenção dessa unidade tão avançada com uma equipe completa capaz de fazer prevenção, diagnósticos, acolhimentos, tratamento e estudos epidemiológicos que podem nortear nossos líderes a ajudar nosso povo e evitar aquelas complicações que afogam a média e alta complexidade”, afirmou Teomas.
O médico também destacou a relevância de transformar os dados obtidos nas ações de saúde em informações capazes de orientar políticas públicas e estratégias de atendimento.
Os mais de 3,6 mil testes realizados e os 51 casos identificados durante o São João de Cachoeira reforçam, portanto, que a prevenção precisa ser permanente. A orientação dos profissionais de saúde é que a população mantenha o uso de preservativos, realize testagens periódicas e procure atendimento diante de qualquer situação de risco ou suspeita de infecção.