O tradicional desfile de 7 de Setembro, em Feira de Santana, também foi marcado pela realização do Grito dos Excluídos, manifestação que reúne movimentos sociais, entidades sindicais e organizações populares para apresentar reivindicações e dar visibilidade a pautas relacionadas aos direitos dos trabalhadores e da população. Durante o ato, estiveram presentes representantes da Frente Brasil Popular, APLB Sindicato, Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sindae, Sindquímica, Movimento Esperançar, além de outras organizações e movimentos sociais.
Entre as principais reivindicações apresentadas esteve o fim da escala de trabalho 6x1, defendida pelo Sindicato dos Comerciários de Feira de Santana. Para o representante da entidade, Décio Mendes, a mudança para uma jornada de cinco dias de trabalho e dois de descanso é necessária para garantir maior qualidade de vida aos trabalhadores. “Hoje nós estamos aqui participando do Grito dos Excluídos, reivindicando. Nós estamos representando a sociedade e, enquanto sindicato, nunca poderia ser diferente”, afirmou Décio.
Segundo ele, o Sindicato dos Comerciários participou da manifestação justamente para defender a redução da jornada e o direito dos trabalhadores ao convívio familiar e ao lazer. “O Sindicato dos Comerciários está aqui participando do Grito dos Excluídos, trazendo a mensagem de acabar com a 6x1 para entrar 5x2. É uma necessidade dos trabalhadores trabalhar um pouco menos para viver mais, ter também o direito de ter o convívio familiar e ter também o seu lazer”, destacou.
Décio ressaltou ainda que o descanso e o lazer são importantes para a qualidade de vida dos trabalhadores. “Nós sabemos perfeitamente que quem tem lazer vive mais. E nós precisamos estar demonstrando, acima de tudo, que nós estamos precisando viver mais”, disse.
Ao falar especificamente sobre os impactos da escala 6x1 na vida dos comerciários, Décio Mendes afirmou que a jornada representa uma sobrecarga para os trabalhadores. “Impacta justamente naquilo que eu falei antes, que é trabalhar demais. Trabalhar fora do limite, ter uma carga horária abusiva”, declarou.
O sindicalista também criticou a utilização do banco de horas como alternativa ao pagamento de horas extras. Segundo ele, o sistema acaba acumulando horas trabalhadas pelos funcionários. “O trabalhador de primeiro trabalhava fora da carga horária e recebia horas extras. Hoje ele não recebe horas extras, vai para o banco de horas, e o banco de horas nunca bate a carga horária do trabalhador com a carga horária do patrão. Sempre a do patrão é menos que a do trabalhador”, afirmou.
Para Décio, essa situação contribui para o acúmulo de horas e para o excesso de trabalho. “Isso acumula várias e várias horas, o trabalhador trabalhando demais e não tem esse retorno”, declarou. Ele defendeu que a mudança para a escala 5x2 permita que os trabalhadores tenham mais tempo para a família, lazer e outras atividades.
“Há necessidade de acabar com a escala 6x1 para entrar 5x2, para o trabalhador viver mais, ter a oportunidade de estar junto com sua família, ter oportunidade de ter lazer e ter a oportunidade de viver a vida”, afirmou.
Movimento em Defesa da Democracia
O integrante da Comissão de Organização do Grito dos Excluídos, Elisio Santa Cruz Guedes, destacou que o 7 de Setembro, embora seja uma data nacional marcada pela celebração da Independência do Brasil, também representa uma oportunidade para que movimentos sociais apresentem suas reivindicações.
Segundo ele, ainda existem diversas demandas sociais que precisam ser atendidas no país, especialmente nas áreas da saúde, direitos das mulheres, reforma agrária e políticas voltadas às populações mais vulneráveis. “É um dia simbólico para a gente. A gente sabe que tem solução social ainda no Brasil. Tem muita gente precisando de cuidado na saúde e em diversas áreas. A gente reconhece os avanços do governo Lula na área social, mas a gente sabe que precisa de muito mais”, afirmou.
Entre as pautas defendidas pelo movimento estão a reforma agrária popular, os direitos das mulheres e as demandas das populações, além da defesa da terra, da moradia e de condições dignas para os brasileiros. “Por isso a gente veio para a rua. Então, não é um dia qualquer. Acho que é uma pauta nacional de grande dimensão social, que tem repercussão internacional”, declarou.
O representante também ressaltou a importância de Feira de Santana como polo regional e destacou a presença de diferentes organizações durante a manifestação. “Feira de Santana é um polo regional. Por isso a gente está na rua. O Movimento em Defesa da Democracia está aqui presente. A Frente Brasil Popular está aqui presente. A APLB está aqui presente. A CUT, várias organizações”, afirmou.
Além das reivindicações trabalhistas, o ato também foi marcado pela defesa da democracia e pela cobrança por políticas públicas voltadas às populações do campo e da cidade.
O representante destacou a participação de diferentes segmentos da sociedade e classificou o momento como uma combinação de celebração e mobilização popular. “São muitas representações sociais. É um momento de alegria, mas um momento de luta popular, defesa da terra, defesa da moradia, defesa digna para o povo brasileiro. Por isso esse momento aqui é importante, é importante para a classe trabalhadora”, afirmou.
A manifestação também contou com atividades culturais. Durante o ato, os participantes acompanharam apresentações musicais, incluindo a presença da Orquestra Maravilha, apontada pelo movimento como uma representação da cultura popular. “Ali é a Banda Maravilha, é a bandinha da Orquestra Maravilha, da área popular. A gente valoriza também a arte, valoriza a cultura, valoriza a luta das mulheres, de todas as organizações sociais”, destacou.
Ao final, o representante reforçou que a mobilização pretende dar visibilidade às reivindicações dos trabalhadores e dos movimentos sociais. “Por isso que estamos aqui na rua para defender o direito dos trabalhadores no campo e da cidade”, concluiu.