Feira de Santana Expofeira 2026
Expofeira 2026 amplia espaço para negócios e coloca Feira de Santana no centro do debate sobre o desenvolvimento do interior da Bahia
Com parque reestruturado, aumento no número de expositores e expectativa de mais de 400 mil visitantes, 47ª edição aposta no agronegócio como vetor de geração de renda e negócios.
07/09/2026 09h57 Atualizada há 48 minutos atrás
Por: Karoliny Dias Fonte: Boca de Forno News

Foto: Boca de Forno News

A 47ª Exposição Agropecuária de Feira de Santana (Expofeira) começou oficialmente neste domingo (6), no Parque de Exposição João Martins da Silva, reunindo produtores rurais, expositores, autoridades, representantes do setor produtivo e visitantes. Mais do que marcar o início de oito dias de programação, a abertura da edição de 2026 evidenciou uma aposta na ampliação da estrutura do evento e no fortalecimento de Feira de Santana como polo de negócios ligados ao agronegócio.

Realizada pela Prefeitura de Feira de Santana, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura e Recursos Hídricos (Seagri), a Expofeira chega este ano com mudanças no espaço físico, aumento expressivo no número de expositores, novas áreas de circulação, ampliação do estacionamento, melhorias na pavimentação e iluminação e transporte gratuito durante todos os dias do evento.

José Ronaldo - Foto: Boca de Forno News

Uma das principais mudanças apontadas pelo prefeito José Ronaldo está justamente na configuração do parque. Segundo ele, a transferência do redondel para outra área permitiu reorganizar os espaços destinados aos expositores e melhorar a circulação do público. O número de participantes também cresceu de maneira significativa. De acordo com o prefeito, a Expofeira passou de 54 para 130 expositores, representando um aumento de mais de 100%.

“O parque esse ano mudou muito. O seu layout, a sua planta melhorou muito”, afirmou José Ronaldo. O prefeito destacou ainda a pavimentação das vias, o reforço da iluminação e a ampliação do estacionamento, viabilizada por meio da concessão de uma área à iniciativa privada.

Foto: Boca de Forno News

Para o gestor, as mudanças buscam oferecer uma experiência mais confortável ao público e, ao mesmo tempo, criar melhores condições para os negócios. Ele também destacou a redução da circulação de animais pelas áreas de passagem e a organização das atrações musicais locais em um espaço controlado, para evitar interferências na programação do parque.

Outro diferencial destacado por José Ronaldo é o transporte gratuito. Durante os oito dias da Expofeira, ônibus sairão do Terminal Central com destino ao Parque de Exposição, uma medida que, segundo o prefeito, deve contribuir para facilitar o acesso do público. “Feira de Santana é uma festa que o povo gosta, o povo de Feira ama a Expofeira”, declarou.

Expectativa de mais de 400 mil pessoas

Silvaney Araújo - Foto: Boca de Forno News

A dimensão da edição deste ano também aparece na expectativa de público. O secretário municipal de Agricultura e Recursos Hídricos, Silvaney Araújo, afirmou que a organização trabalha com a possibilidade de ultrapassar a marca de 400 mil visitantes.

Para o secretário, o crescimento do número de expositores demonstra a confiança do setor na Expofeira e reforça a intenção de transformar novamente o evento em uma grande vitrine do agronegócio baiano. “Nós acreditamos que vai passar dos 400 mil pessoas”, afirmou Silvaney.

O secretário também associou a estrutura do parque à possibilidade de geração de negócios e destacou que o objetivo é fazer com que Feira de Santana volte a ocupar uma posição de destaque no setor. Segundo Silvaney, a administração municipal vem trabalhando para transformar o Parque de Exposição em uma referência nacional. Ele revelou ainda que já existe procura relacionada à realização da Fenagro no espaço, o que, na avaliação dele, demonstra o potencial adquirido pelo equipamento após os investimentos.

Pequeno produtor também ganha espaço

Humberto Miranda - Foto: Boca de Forno News

A Expofeira, entretanto, não se resume à exposição de animais e aos grandes negócios do setor agropecuário. Para Humberto Miranda, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (FAEB), um dos principais papéis da feira é justamente aproximar diferentes segmentos da produção rural.

Durante a abertura, Miranda ressaltou que o evento reúne pequenos, médios e grandes produtores e permite que diferentes produtos cheguem ao público. “Aqui é uma feira de negócios”, afirmou.

O presidente da FAEB citou desde produtores que apresentam animais e genética até agricultores familiares que comercializam produtos como queijos e doces. Ele também destacou a participação de instituições como o Sebrae na criação de espaços para pequenos produtores.

Foto: Boca de Forno News

Na avaliação de Miranda, essa diversidade faz com que a Expofeira cumpra uma função que vai além do entretenimento: a de criar oportunidades comerciais e aproximar produtores e consumidores.

Foi justamente a partir da dimensão econômica do evento que o presidente da FAEB ampliou o debate para uma questão que ultrapassa os limites da Expofeira: o papel de Feira de Santana no desenvolvimento do interior da Bahia. Humberto Miranda defendeu a construção de um grande projeto de interiorização do desenvolvimento econômico do estado, com Feira de Santana como um dos pontos de partida.

Para ele, a concentração de investimentos na Região Metropolitana de Salvador precisa ser repensada, inclusive diante dos problemas relacionados ao crescimento populacional e à qualidade de vida na região. “Feira pode mais”, afirmou.

Segundo Miranda, a estratégia deveria envolver infraestrutura, atração de grandes empresas e indústrias, além de investimentos em saúde, educação e agropecuária. A localização geográfica do município, na avaliação dele, seria um dos principais diferenciais para transformar Feira em um polo de desenvolvimento regional.

O presidente da FAEB citou a facilidade de deslocamento para Feira de Santana como exemplo. Na visão dele, moradores de diferentes regiões da Bahia poderiam encontrar no município alternativas mais acessíveis tanto para atendimento de saúde quanto para educação, em comparação com Salvador. “Poucos lugares no Brasil têm um potencial logístico como Feira de Santana”, declarou.

Para Miranda, aproveitar essa condição significaria criar oportunidades para que a população permaneça no interior, com acesso a emprego, renda, negócios, ciência e tecnologia sem precisar migrar para a capital.

O cenário internacional também entrou na pauta da abertura da Expofeira. Questionado sobre os efeitos das guerras e conflitos internacionais sobre a pecuária e o agronegócio brasileiro, Humberto Miranda afirmou que os impactos chegam diretamente ao produtor por meio do aumento dos custos dos insumos. Segundo ele, o Brasil ainda possui forte dependência externa em determinados produtos utilizados na produção agrícola. Miranda citou o potássio e o fósforo entre os insumos que têm grande participação de produtos importados. 

A instabilidade no Oriente Médio, conforme explicou, pode provocar efeitos em cadeia sobre os custos de produção. “Quando aumenta o custo do produtor, aumenta o preço do produto que vai para a gôndola do supermercado e chega à mesa de todos os baianos, todos os brasileiros”, afirmou.

A preocupação, portanto, não estaria restrita ao produtor rural. O aumento dos custos de produção pode chegar ao consumidor final e pressionar os preços dos alimentos.

Diante dessa dependência dos mercados internacionais, o presidente da FAEB defendeu o aproveitamento de recursos naturais e tecnológicos disponíveis no Brasil para ampliar a produção nacional de insumos. Miranda citou o potencial brasileiro para a produção de bioinsumos e mencionou possibilidades envolvendo algas marinhas, energias renováveis e outros recursos.

Na avaliação dele, o país possui condições naturais favoráveis para avançar nesse segmento, especialmente pela disponibilidade de sol, terras e potencial de geração de energia eólica e solar. “Nós temos os instrumentos para isso. Mas, na prática, a gente ainda tem dever de casa”, reconheceu.

A fala coloca a Expofeira dentro de um debate maior sobre o futuro do agronegócio: ao mesmo tempo em que o evento apresenta animais, produtos, tecnologia e oportunidades comerciais, o setor também precisa discutir sua vulnerabilidade diante de fatores externos e a necessidade de ampliar a autonomia produtiva brasileira.

Foto: Boca de Forno News

Uma feira que pretende ir além dos oito dias

Com a estrutura ampliada e o número de expositores mais que dobrado, a 47ª Expofeira tenta consolidar uma nova fase do evento. Para a Prefeitura, a proposta é oferecer mais espaço e comodidade ao público. Para o setor produtivo, a expectativa está concentrada na realização de negócios e na valorização da produção rural.

Já para a representação empresarial e agropecuária, a feira pode servir como ponto de partida para uma discussão ainda maior: a transformação de Feira de Santana em um dos principais eixos de interiorização do desenvolvimento econômico da Bahia.

A expectativa da organização é de que mais de 400 mil pessoas passem pelo Parque de Exposição João Martins da Silva ao longo dos oito dias de programação.

Entre animais, produtos da agricultura familiar, negócios, atrações culturais e atividades voltadas ao setor agropecuário, a Expofeira 2026 começa, assim, com uma ambição que vai além da própria exposição: mostrar a força do campo e, ao mesmo tempo, recolocar Feira de Santana no centro das discussões sobre produção, logística, investimentos e desenvolvimento do interior baiano.

Com informações do repórter Onildo Rodrigues