Promessas eleitorais em campanha, por serem geralmente imprecisas, exigem do eleitor uma análise cuidadosa. Realizações que podem ser concretizadas apenas a médio ou longo prazo tornam-se alvo de falsas promessas em períodos eleitorais. Se cumpridas, as promessas de curto prazo costumam ter impacto limitado, enquanto outras, mais relevantes, costumam ser deixadas de lado no governo. Elas apresentam uma expectativa positiva para o eleitorado e, ao final da gestão, uma decepção negativa, formando ciclos de esperança, frustração e descrédito nas promessas eleitorais e, por extensão, no processo político.
As promessas eleitorais não precisam ser necessariamente falsas, mas, como a responsabilidade do político sobre seu cumprimento é muito pequena, é comum que muitos candidatos façam promessas sem fundamento. As promessas eleitorais costumam ser falsas quando as ações têm metas muito vagas, não têm prazo para serem cumpridas, não têm custo nem são acompanhadas de um plano, são feitas por candidatos que só estão disputando a eleição para se divertir ou que visam o próprio interesse.
Quando um político faz promessas, muitos eleitores acreditam que elas são possíveis. Porém, alguns candidatos não têm a intenção de cumpri-las. Conselhos de profissionais experientes ajudam a evitar essas armadilhas: há candidatos que fazem promessas impossíveis, que não têm como, que não querem ou que não podem. Por que isso acontece?
A combinação de três fatores pode fazer com que políticos façam promessas falsas: a pressão eleitoral, a falta de dados e a mudança de governo. A pressão eleitoral é explicada pela distância entre o início da campanha e a campanha em si. Quase todos os gestores têm uma maior folguinha para criar novos projetos que gerem propostas novas. Com a quantidade de projetos que precisam ser feitos e com as campanhas eleitorais que se aproximam, ele sente a necessidade de prometer ou investir em algo que possa ser uma solução rápida e imediata com baixo custo de execução ou até mesmo de manutenção. E não tendo caixa com sobra, o caminho é oferecer projetos que pareçam resolver um problema, sem comprovação de resultados ou mesmo sem embasamento técnico.
Nem toda promessa eleitoral é legítima. Muitas são feitas apenas para conquistar votos e não têm base na realidade. O eleitor deve estar atento a sinais que indicam quando uma promessa não deve ser levada a sério.
Primeiro, as metas da promessa podem ser vagas ou ridiculamente amplas. Um exemplo é prometer mais segurança sem detalhar como. Segundo, os prazos podem ser inviáveis. Se a meta é melhorar a qualidade de ensino na educação básica em um ano, é bom desconfiar. Terceiro, a promessa pode ser feita sem avaliar o custo. Quando alguém diz que o governo pode aumentar benefícios sociais ou reduzir impostos sem explicar como, é hora de dúvida. Quarto, a promessa pode ser contraditória. Não é razoável prometer mais segurança, mais saúde e mais educação em dez meses e, ao mesmo tempo, prometer reduzir a carga tributária. Por fim, a promessa pode carecer de fontes de informação. Em geral, esses eleitores são os que têm informações sobre o candidato que contrasta com sua promessa eleitoral.
As campanhas eleitorais são marcadas por promessas dos candidatos, nem sempre com fundamento. Essas promessas são expectativas para o futuro que devem atender algumas características: o que será prometido, a que grupo se destina, a que data deve ser cumprido, com quais recursos e por quem. Promessas sem base, feitas com a intenção de conquistar votos e não de gerar expectativas realistas, afetam a confiança do eleitor e induzem a uma participação cívica menor e a um voto menos informado.
Por Alberto Peixoto