Os bancários da Bahia definiram, em assembleia virtual, os próximos passos da campanha salarial da categoria. Enquanto os trabalhadores da rede privada aprovaram, com 63,38% dos votos, a proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) para renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), os funcionários dos bancos públicos rejeitaram o acordo e decidiram iniciar uma greve a partir da próxima quinta-feira (10).
A rejeição foi registrada entre os funcionários do Banco do Brasil, com 83,82% dos votos; da Caixa Econômica Federal, com 97,52%; e do Banco do Nordeste (BNB), com 72,97%. Em Feira de Santana, os bancários realizam uma organização do movimento nesta quarta-feira (9), às 18h, no Ginásio.
De acordo com Edmilson Cerqueira, diretor de Imprensa e Comunicação do Sindicato dos Bancários de Feira de Santana, a mobilização faz parte de uma campanha salarial nacional, cuja data-base é 1º de setembro. Segundo ele, a categoria apresentou a pauta de reivindicações aos banqueiros no final de junho e início de julho e, desde então, foram realizadas 13 rodadas de negociação. “Os bancários entregaram a pauta de reivindicação aos banqueiros, à Fenaban, e onde se abriu uma agenda de negociação. De lá para cá, houve 13 rodadas de negociação”, explicou.
Segundo Edmilson, até aproximadamente a sétima ou oitava rodada de negociação, os bancos não haviam apresentado uma proposta de reajuste salarial. O sindicalista afirma que, naquele momento, as propostas discutidas representavam, na avaliação da categoria, redução de direitos e perda salarial. “Até a sétima, oitava rodada, os banqueiros não propuseram nada de percentual e vinham com proposta de rebaixamento do salário, de não repassar a inflação do período, de não oferecer nenhum reajuste”, afirmou.
Ele destacou ainda que a categoria considera a reposição da inflação um direito importante na negociação salarial. “Quando chega na data-base do trabalhador, o empregador tem que passar para o salário para recompor a inflação do período”, disse.
Edmilson também criticou o impacto da inflação sobre o poder de compra dos trabalhadores. Para ele, o índice oficial não representa, na prática, o aumento dos principais custos enfrentados pela população. “A inflação no Brasil não compra livros, não comporta livros, não comporta remédios, não comporta transportes, combustíveis, tudo isso que tem aumento diário que corrói o salário do trabalhador”, declarou.
Diante do impasse nas negociações, os bancários realizaram uma paralisação de advertência. Conforme o diretor do sindicato, após a mobilização, os bancos apresentaram uma proposta diferente, com manutenção de direitos já conquistados e reajuste correspondente ao INPC integral, acrescido de 0,006%. “Nós fizemos primeiro uma paralisação de advertência, e nas próximas eles já vieram diferentes, com a manutenção do que a gente já conquistou”, relatou.
A proposta foi então submetida às assembleias realizadas pelas entidades sindicais em todo o país. Edmilson ressaltou que a decisão sobre aceitar ou rejeitar o acordo cabe aos próprios trabalhadores. “A Assembleia é soberana e quem decide é o trabalhador. Não é o sindicato que diz aceite ou não aceite, é o trabalhador que avalia quais são as propostas”, afirmou.
Na rede privada, os bancários de Feira de Santana aprovaram a proposta. Segundo Edmilson, o resultado representa uma conquista diante das negociações anteriores. “Os bancários da rede privada de Feira de Santana aceitaram a proposta. Foi um avanço muito grande, foi uma luta muito grande, porque os banqueiros queriam retirar inclusive o direito e não manter o que a gente já tinha conquistado”, destacou.
Já nos bancos públicos, a situação foi diferente. Funcionários da Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Banco do Nordeste rejeitaram a proposta. Entre as principais questões apontadas estão problemas relacionados aos planos de saúde, retirada de direitos, falta de concursos e sobrecarga de trabalho. “Os da Caixa, Banco do Nordeste e Banco do Brasil não aceitaram, principalmente o da Caixa, porque a Caixa, além de ter alguns tipos de problema, como tem o Banco do Brasil e o Banco do Nordeste, eles estão tendo problemas inteiros com os planos de saúde”, explicou.
No caso da Caixa, Edmilson citou mudanças no modelo de cálculo da contribuição para o plano de saúde. Segundo ele, a alteração aumentou o desconto sobre os salários dos trabalhadores. “Inclusive com a mudança de cálculo que desconta no salário do trabalhador, inviabilizando a pessoa ter condição de ter o plano de saúde, que não era assim antes”, afirmou.
O sindicalista explicou que, anteriormente, a participação dos trabalhadores no plano de saúde era menor, enquanto os bancos arcavam com uma parcela maior dos custos. “Era através do acordo da Convenção Coletiva do Trabalho, onde o bancário pagava um valor menor e o banco entrava com a participação maior. E eles inverteram isso e os bancários não aceitaram”, disse.
Além dos planos de saúde, a categoria aponta outras pendências específicas nos bancos públicos. Edmilson citou a ausência de novos concursos e de convocações, o que, segundo ele, contribui para a sobrecarga dos funcionários e para o adoecimento dos trabalhadores. “Já tinham ouvindo pendências, que já tinham ouvindo retirando direitos, não tendo mais concurso, não chamando mais pessoas, sobrecarregando, adoecendo”, afirmou.
Nos bancos de economia mista, como Banco do Brasil e Banco do Nordeste, ele também apontou a pressão por metas como um dos problemas enfrentados pelos funcionários. “No caso do Banco do Nordeste e Brasil, que a economia mista, muita cobrança por metas, sem o merecimento do bancário, o bancário não aceitou”, declarou.
Com a rejeição das propostas nos bancos públicos, a greve está marcada para começar na quinta-feira (10), por tempo determinado, até que novas negociações sejam realizadas e as pendências sejam discutidas. “Foi rejeitada a proposta e está marcada a greve a partir do dia 10 de setembro em todo o país”, confirmou Edmilson.
Segundo ele, a rejeição foi expressiva especialmente entre os empregados da Caixa Econômica Federal. “A Caixa Econômica seria 98% de rejeição da proposta e irá ter uma greve”, afirmou, referindo-se ao resultado nacional.
Edmilson pediu ainda a compreensão dos clientes e usuários dos serviços bancários durante o período de paralisação. Para o sindicato, a mobilização não está relacionada apenas às condições salariais dos trabalhadores, mas também à qualidade do atendimento oferecido à população. “Nós pedimos a compreensão da população, dos usuários e dos clientes, porque nós não lutamos só pelo salário e nem a defesa do empregado bancário. A gente luta também pelo respeito à população”, declarou.
O diretor do sindicato defendeu a ampliação do número de agências e de trabalhadores para melhorar o atendimento. “A gente luta por mais bancos, por mais bancários e para que tenha um atendimento digno ao povo, que é um sofrimento, é uma humilhação quando precisa de uma agência bancária”, afirmou.
Ele também criticou o fechamento de agências e a crescente transferência dos serviços para plataformas digitais, principalmente para pessoas que não tiveram acesso ou oportunidade de se adaptar às novas tecnologias. “É expulsão, é fechamento de agências, é desrespeito, é empurrar a pessoa que não teve a oportunidade de ter conhecimento para o digital, dificultando muito, principalmente para as pessoas que não tiveram essa oportunidade”, disse.
Para Edmilson, existe uma diferença entre oferecer o atendimento digital como alternativa e obrigar o cliente a utilizá-lo. “Uma coisa é você ter a opção de você fazer pelo digital, pelo virtual. Outra coisa é você ser obrigado e ainda pagar pelo serviço, que é o que os bancos fazem”, criticou.
A greve dos trabalhadores dos bancos públicos, segundo o sindicato, deverá permanecer até que representantes do Banco do Brasil, Banco do Nordeste e Caixa Econômica Federal retomem as negociações e apresentem soluções para as reivindicações que permanecem pendentes. “Os bancários e os bancos públicos que não aceitaram a proposta irão paralisar por tempo determinado até que os banqueiros, representantes da direção do Banco do Brasil, Nordeste e de Caixa Econômica, sentem à mesa e resolvam as pendências que ficaram desde anos anteriores”, afirmou.