Bahia Transporte escolar
Estudantes denunciam superlotação, atrasos e problemas no transporte escolar em Santa Bárbara
Segundo relatos, ônibus apresentam problemas de manutenção, há estudantes que viajam em pé e, em um dos episódios, veículo teria ficado em situação de risco ao cruzar a frente de uma carreta.
03/09/2026 11h47
Por: Karoliny Dias Fonte: Boca de Forno News
Foto: Ilustrativa / Reprodução - Redes Sociais

Estudantes e moradores de Santa Bárbara denunciaram problemas no transporte escolar utilizado por alunos de comunidades da zona rural do município. Entre as reclamações estão superlotação, atrasos frequentes, falta de manutenção dos veículos, mudanças constantes de motoristas e situações consideradas de risco durante os trajetos. Uma estudante, que preferiu não se identificar, relatou que um dos episódios mais graves aconteceu nesta semana, quando o ônibus que transportava os alunos teria atravessado a frente de uma carreta durante uma tentativa de subir uma ladeira para realizar o retorno e seguir em direção à sede do município.

Segundo ela, a carreta vinha em alta velocidade e o motorista do ônibus precisou dar ré e descer novamente a ladeira para evitar uma colisão. “Aconteceu que, na hora que ele foi subir a ladeira, atravessou na frente de uma carreta. A carreta estava vindo com tudo. Foi tanto que ele deu a ré e desceu a ladeira”, relatou.

Ainda conforme a estudante, alguns passageiros que estavam em pé perderam o equilíbrio durante a manobra. Apesar do susto, não houve, segundo o relato, registro de pessoas feridas. A estudante também afirmou que os problemas não seriam recentes e que os alunos já teriam procurado o Departamento responsável pelo transporte escolar para reclamar da situação.

Entre as principais queixas está a superlotação. Segundo ela, há momentos em que estudantes precisam viajar em pé, inclusive mães acompanhadas de crianças pequenas. “Tem mães que vêm com filhos no colo, em pé, porque alguns passageiros ficam sentados e não dão lugar”, afirmou.

A estudante também chamou atenção para a presença de crianças pequenas nos veículos. De acordo com o relato, alguns alunos permanecem por várias horas fora de casa em razão dos atrasos no transporte. “Tem criança de dois anos. Onde é que uma criança de dois anos vai aguentar ficar sem comer, estudando desde as sete horas da manhã e ficando na rua até uma hora da tarde?”, questionou.

Atrasos e mudanças de motoristas

Outro problema apontado é a frequência com que os motoristas e os veículos utilizados no transporte seriam substituídos. A estudante afirmou que, praticamente todos os dias, há um motorista ou ônibus diferente. Ela também relatou que alguns veículos estariam apresentando problemas de manutenção. “Os ônibus estão sem manutenção, tudo quebrado”, declarou.

Sobre os condutores, a estudante fez críticas à preparação de alguns profissionais e afirmou que teria ouvido de um motorista que ele próprio apresentava dificuldades para enxergar. A denúncia, no entanto, não foi acompanhada de documentos que comprovem a situação relatada.

A estudante também citou dificuldades relacionadas às rotas. Segundo ela, em um dos dias da semana passada, os alunos chegaram em casa por volta das 14h, após enfrentarem problemas para retornar às comunidades. Ela explicou que o trajeto passa por localidades como Água Pequena, Gravatá, Sucupira e Tapera antes de chegar à comunidade do Papapim, que seria uma das últimas localidades atendidas no percurso.

Segundo o relato, em determinado dia o motorista teria levado cerca de uma hora para chegar até Papapim, por não conhecer adequadamente a rota.

Morador cobra providências

Um morador também se manifestou sobre a situação e demonstrou indignação diante do episódio envolvendo o ônibus escolar. Em tom de revolta, ele afirmou que situações semelhantes já teriam acontecido outras vezes e cobrou uma intervenção mais efetiva do poder público.

Para o morador, o transporte escolar exige atenção especial por envolver crianças, adolescentes e outros passageiros que dependem do serviço diariamente. Ele questionou a responsabilidade atribuída aos profissionais que conduzem os veículos e defendeu que sejam adotadas medidas para evitar que um problema no transporte resulte em uma tragédia. “É uma situação muito séria. Estamos falando de um ônibus cheio de crianças e de vidas. É preciso colocar uma pessoa preparada e responsável para conduzir esse veículo”, afirmou. 

As denúncias levantam questionamentos sobre as condições dos veículos, a qualificação dos motoristas, o cumprimento das rotas e a capacidade do transporte escolar para atender adequadamente os estudantes das comunidades rurais de Santa Bárbara.

Resposta do governo

Em resposta às denúncias apresentadas por estudantes e moradores, o coordenador de Transporte Escolar do Departamento de Trânsito de Santa Bárbara, Gervásio da Conceição, afirmou que o município mantém uma rotina de manutenção dos veículos utilizados no transporte escolar e contestou as críticas relacionadas às condições da frota.

Segundo Gervásio, os veículos passam por revisões preventivas e os problemas são corrigidos antes que possam comprometer a segurança dos passageiros. “A manutenção que a gente dá aqui é muito séria. Antes de acontecer alguma falha, nenhuma direção, nenhum pneu, a gente está corrigindo”, afirmou.

O coordenador destacou ainda que a frota é utilizada durante praticamente todo o dia, inclusive à noite e aos sábados, para atender estudantes de diferentes modalidades de ensino. “O transporte da gente aqui em Santa Bárbara roda durante o dia e à noite. Sábado também roda, porque a gente faz faculdade. Roda à noite com faculdade, com programa do EJA e com outros alunos que têm aulas à noite”, explicou.

Gervásio reconheceu que veículos podem apresentar problemas mecânicos, mesmo quando são novos, mas afirmou que isso não significa ausência de manutenção. “Carro quebra. Quando quebra, a gente precisa fazer a manutenção. A gente não tem condição de dizer que o transporte não vai quebrar, porque a gente não prevê”, declarou.

Linhas ampliadas 

O coordenador também destacou que houve ampliação das linhas de transporte escolar durante a gestão do prefeito Edifrancio Oliveira. De acordo com Gervásio, comunidades que necessitavam de atendimento passaram a contar com transporte. Ele citou ainda o transporte disponibilizado para estudantes que se deslocam para Feira de Santana, afirmando que atualmente existem veículos em diferentes horários para atender alunos que frequentam instituições de ensino na cidade. “Nessa gestão, a gente disponibilizou. Tem de manhã, meio-dia e à tarde. 17h também saem três ônibus para Feira de Santana para levar as pessoas para a faculdade”, disse.

Passageiros que não são estudantes

Sobre a reclamação de que estudantes estariam viajando em pé enquanto outros passageiros ocupam os assentos, Gervásio afirmou que a orientação do Departamento de Transportes é de que os alunos tenham prioridade dentro dos veículos.

Ele explicou, porém, que moradores das comunidades rurais acabam utilizando os ônibus por dificuldades de deslocamento e que a equipe procura orientar os passageiros para evitar a superlotação. “É recomendado e é proibido carona. A gente recomenda aos motoristas que, no espaço dos ônibus, a prioridade é dos alunos”, afirmou.

Segundo o coordenador, os motoristas são orientados a não permitir situações que comprometam o bem-estar dos estudantes, mas ele ressaltou que também é necessário conscientizar os passageiros. “A gente recomenda que não utilize o carro com excesso, por conta da preservação do bem-estar do aluno. Porém, também não pode chegar, pegar um cidadão e arrastar. A gente precisa manter o respeito”, declarou.

Gervásio afirmou que a equipe continuará acompanhando a utilização dos veículos e orientando os passageiros e motoristas para garantir a segurança dos estudantes. “A gente está o tempo todo preservando o bem-estar do aluno, o bem-estar do povo de Santa Bárbara e zelando pelos transportes que carregam os alunos”, concluiu.