Política Eleições 2026
Corrida de Milhões: conheça os candidatos da Bahia com as maiores arrecadações parciais de campanha
Levantamento revela quais candidatos da Bahia têm as maiores receitas já arrecadadas até agora para bancar campanhas de governador, senador e deputado
03/09/2026 09h25
Por: Karoliny Dias Fonte: Metro1
Foto: Imagem gerada com auxílio de IA

A corrida eleitoral no estado avança a reboque de uma engrenagem financeira milionária — e, salvo raríssimas exceções, movida quase que inteiramente a dinheiro público. Levantamento do Jornal Metrópole sobre as prestações de contas parciais declaradas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até o fechamento desta edição mostra que a disputa pelo governo estadual, Senado e Câmara dos Deputados na Bahia virou uma disputa de orçamentos, e alguns bem mais encorpados que outros.

A distribuição dos recursos passa quase toda pelo Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), também chamado de Fundo Eleitoral ou Fundão, irrigado por quase R$ 5 bilhões destinados legalmente pelo Orçamento da União aos partidos contemplados. E os números escancaram uma disparidade e tanto: enquanto um punhado de nomes opera com caixas na casa dos milhões, a maioria das candidaturas proporcionais precisa se virar com margens bem mais modestas. O ranking, claro, deve mudar, já que se trata de números parciais.

Liderança do Ranking

No topo da lista das campanhas mais endinheiradas da Bahia até o último dia 3 de setembro, está o ex-prefeito de Salvador ACM Neto, candidato a governador pelo União Brasil. Com uma receita declarada de R$ 5,78 milhões, aproximadamente três vezes mais que o R$ 1,84 milhão arrecadado por seu principal adversário, o governador Jerônimo Rodrigues (PT), Neto abre uma larga distância para o resto do Top 10 das campanhas ricas.

Do total, R$ 5,32 milhões têm origem nos R$ 526 milhões que o União Brasil tem disponível para 2026. A fatia principal saiu da Executiva Nacional do partido, que injetou R$ 4,64 milhões na chapa de ACM Neto, complementada por R$ 500 mil destinados pela direção do Podemos e mais R$ 181 mil transferidos pelo Diretório Estadual do União Brasil. 

A campanha também concentra um dos volumes mais expressivos de doação privada do estado: R$ 460 mil vieram de pessoas físicas, com destaque para os R$ 400 mil do ex-banqueiro e empresário Angelo Calmon de Sá, e outros R$ 40 mil do empresário Carlos Geraldo Calumby. Ainda assim, a soma de dinheiro público domina a conta: 92% do orçamento de Neto saiu do FEFC. 

Disputa ao Senado

Seguindo o ranking do estado, quem aparece é o ex-ministro da Cidadania do governo Bolsonaro e candidato ao Senado pelo PL, João Roma, com R$ 4,5 milhões acumulados, todos vindos de um único e generoso repasse da Direção Nacional do partido. É dinheiro suficiente para cobrir 84,3% do teto de gastos permitido pela lei eleitoral para a disputa de senador na Bahia, fixado pelo TSE em R$ 5,33 milhões.  

Em terceiro lugar, o senador Jaques Wagner (PT) soma R$ 3,25 milhões, em uma mistura de aportes do Fundão com uma das maiores doações privadas da eleição na Bahia. O PT nacional entrou com R$ 2,66 milhões (82,1% do total) e o Diretório Estadual do partido colocou mais R$ 50 mil. Por fim, há ainda a doação de R$ 533 mil feita pelo jurista, professor, ex-vereador e ex-prefeito de Salvador Edvaldo Brito, primeiro suplente do petista. Trata-se do maior aporte de pessoa física da sucessão no estado e que sozinha responde por 16,4% do caixa de Wagner.

Bancada governista 

Ainda na conta do PT nacional, quem também aparece bem-posicionado é Rui Costa, com R$ 2,71 milhões em recursos declarados. A maior parte veio da cúpula nacional do partido, que enviou também R$ 2,66 milhões (98,16%), somado a R$ 50 mil (1,84%) repassados pelo PT da Bahia. A quantia coloca Rui na 6ª colocação geral no estado.

Já o governador Jerônimo Rodrigues (PT), embora seja o segundo candidato ao Palácio de Ondina com mais recursos arrecadados, atrás de ACM Neto, ocupa a 11ª posição, com R$ 1,86 milhão, quase todo viabilizado pelo próprio partido. 

Teto cheio no páreo da Câmara

Se nas disputas majoritárias a concentração de caixa já é praxe, na briga por uma cadeira na Câmara dos Deputados o repasse vindo dos cofres da União deixa ainda mais evidente como o Fundão pode alavancar — ou conter — uma candidatura ao Parlamento federal.

No topo da relação, há empate de valores, ambos no teto máximo permitida a candidatos a uma vaga na Câmara: os deputados federais Capitão Alden e Roberta Roma, do PL, lideram com R$ 3,1 milhões cada, bancados integralmente pela cúpula do partido. Os valores repassados à dupla deixam os dois parlamentares praticamente no limite permitido para deputado federal na Bahia: R$ 3,17 milhões.

Terceiro pelotão

Logo depois, já na tropa dos R$ 2 milhões, estão os deputados federais Ivoneide Caetano (PT), Antonio Brito (PSD), Sérgio Brito (PSD) e Diego Coronel (Republicanos). À exceção de Brito, que recebeu R$ 30 mil do pai, Edvaldo Brito, todos os demais seguem com as campanhas irrigadas pelo Fundão por meio do comando nacional de seus partidos. 

No fim da lista dos “dez mais”, aparecem três nomes tradicionais da política baiana: os deputados Leur Lomanto Júnior e Manuel Rocha, ambos do União Brasil, e a deputada Lídice da Mata (PSB), todos na casa de R$ 1 milhão já arrecadados quase que totalmente via Fundão.

O que é Fundão Eleitoral?

O Fundo Especial de Financiamento de Campanha nasceu em 2017 para preencher o vácuo deixado pela proibição das doações empresariais a partidos e candidatos, barradas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2015. Bancado direto pelo Tesouro Nacional, o fundo tem seu total repassado à Justiça Eleitoral e fatiado entre as siglas, cabendo às direções nacionais dos partidos, em Brasília, decidir como distribuir a verba entre seus candidatos. Este ano, 30 partidos tiveram direito à verba de R$ 4,9 bilhões.

A partilha do FEFC entre os partidos segue a Lei Eleitoral: 2% divididos igualmente entre todas as siglas registradas; 35% na proporção dos votos obtidos na eleição anterior para a Câmara dos Deputados; 48% conforme o tamanho da bancada federal eleita; e 15% de acordo com a representação no Senado.