O Nordeste registrou o maior crescimento nas tentativas de fraude de identidade entre as regiões brasileiras no primeiro semestre de 2026, com alta de 14% na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo o Mapa da Fraude, da Serasa Experian. A região contabilizou 433,6 mil tentativas e respondeu por 16,3% das ocorrências identificadas no país durante processos de cadastro e validação de identidade.
O avanço nordestino ficou acima do registrado no Sudeste, que teve crescimento de 13,8% e concentrou a maior quantidade de ocorrências, com 844,3 mil tentativas e participação de 31,7% no total nacional. O Sul teve alta de 7,9%, enquanto Norte e Centro-Oeste registraram crescimento de 7,8% cada, com 149,3 mil e 162 mil tentativas, respectivamente.
Em todo o país, foram registradas 2,86 milhões de tentativas de fraude de identidade entre janeiro e junho, alta de 32,9% sobre o primeiro semestre de 2025, quando houve 2,15 milhões de ocorrências. O volume equivale a uma tentativa a cada 5,5 segundos e considera casos identificados durante processos de entrada de novos clientes e validação de identidade para contratação de serviços, também conhecidos como onboarding.
Análise
As tecnologias antifraude evitaram um prejuízo potencial de R$ 3,77 bilhões no período, o equivalente a mais de R$ 20 milhões protegidos, em média, por dia, de acordo com a Serasa Experian. Os mecanismos utilizados combinam análise de dados cadastrais, validação de documentos, biometria e outros sinais de identidade durante a jornada digital.
“Os números mostram que a pressão dos fraudadores começa antes mesmo de uma conta, um crédito ou um serviço ser liberado. Quando uma identidade falsa ou dados de terceiros passam pela etapa de cadastro, o criminoso pode ganhar acesso a diferentes produtos e ampliar o prejuízo. Por isso, a validação de identidade precisa combinar segurança, precisão e agilidade desde o primeiro contato do cliente com a empresa”, afirma o Diretor de Autenticação e Prevenção a Fraude, Leandro Bartolassi.
Setor financeiro
O setor financeiro concentrou 61,1% das tentativas identificadas no semestre, considerando meios de pagamento, bancos e cartões e financeiras, com a primeira categoria respondendo sozinha por 42,71% do total. Na comparação com o primeiro semestre de 2025, porém, o varejo apresentou o maior crescimento, de 120,7%, seguido por telefonia, com 51,4%, e serviços, com 40,2%.
“A fraude de identidade não está restrita às instituições financeiras. Ela pode ocorrer na contratação de uma linha telefônica, na abertura de uma conta, na solicitação de crédito, no credenciamento de um estabelecimento ou no cadastro para acessar diferentes serviços. Com a migração de mais jornadas para o ambiente digital, cresce também a necessidade de validar identidades por meio de diferentes camadas de proteção”, explica o diretor da datatech.
Entre as datas comemorativas, o Dia dos Namorados apresentou a maior taxa de risco, de 2,42%, índice 22,2% superior à média do semestre, seguido pelo Dia das Mães, com 2,21%, e pelo Ano Novo, com 2,08%. No Dia dos Namorados, as tecnologias antifraude evitaram R$ 20,39 milhões em prejuízos potenciais, conforme a tabela divulgada pela Serasa Experian.
A Geração Z, por sua vez, concentrou 28,5% das tentativas identificadas e registrou 505 mil ocorrências, alta de 27,3%, a maior participação entre as gerações analisadas. A Geração X apareceu em seguida, com 484 mil tentativas e 27,4% do total, enquanto os Millennials somaram 389 mil casos e responderam por 22%.
Identidade nacional
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) aponta a Carteira de Identidade Nacional (CIN) como um instrumento para reduzir fraudes bancárias e aprimorar a identificação de clientes na abertura de contas. A entidade firmou, ao lado da Zetta e da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia em Identificação Digital (Abrid), acordo de cooperação técnica com o Ministério da Gestão e Inovação (MGI) para criar uma rede digital integrada de identificação.
A CIN utiliza o CPF como número único de identificação e conta com QR Code, validação digital, reconhecimento facial e impressões digitais, mecanismos que, segundo a Febraban, podem dificultar o uso de identidades falsas na abertura de contas. Em vigor desde 2024, o documento já teve mais de 55,8 milhões de unidades emitidas, conforme dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) informados pela entidade.
Segundo a Febraban, a padronização também pode reduzir inconsistências cadastrais, facilitar a validação das informações entre instituições e diminuir custos relacionados a fraudes documentais. O acordo com o governo federal busca estabelecer tecnologias e regras para ampliar a utilização da CIN em serviços prestados por órgãos públicos e empresas privadas.