Brasil Segurança Pública
Renan Santos defende bomba atômica e “banho de sangue” contra facções
Candidato à presidência disse que “ter armas nucleares é uma forma de defender sua própria soberania.
27/08/2026 08h15
Por: Karoliny Dias Fonte: A Tarde
Candidato à presidência disse que “ter armas nucleares é uma forma de defender sua própria soberania - Foto: Reprodução | TV Globo

O candidato do Missão à presidência, Renan Santos, defendeu, em sabatina na TV Globo na quarta-feira, 26, que o Brasil deve ter bombas atômicas para se tornar uma potência mundial. Ele declarou que “ter armas nucleares é uma forma de defender sua própria soberania”.

Segundo o político, as armas nucleares servirão para dar “poder de dissuasão para as nossas riquezas serem respeitadas”, mencionando terras raras, alimentos e energia. Para ele, isso vai evitar que o Brasil tenha uma “posição submissa” frente a projetos internacionais.

“No futuro, se o Brasil quiser ser uma das cinco maiores nações do mundo, ele vai precisar ter soberania, soberania sob seu próprio território, soberania militar e vai ter que discutir ter bombas atômicas”, disse o candidato.

“Banho de sangue”

Na ocasião, ele também reiterou sua ideia de promover um “banho de sangue” para acabar as facções de tráfico que dominam o território nacional. Renan afirmou que irá decretar um “estado de exceção” nas favelas brasileiras. Apesar disso, alegou ser um “pacifista”.

O que eu defendo é a criação e a declaração de uma guerra contra o crime organizado. É a aceitação de uma realidade que já é verdadeira para os brasileiros. Precisamos de uma guerra contra eles, esse é o primeiro ponto.Renan Santos - candidato à presidência

De acordo com ele, a coordenação das operações de invasão e “neutralização” do narcotráfico ficaria a cargo das forças policiais, enquanto o Exército atuaria estritamente de forma auxiliar.

O político citou um custo estimado de “R$ 5 bilhões por ano” para sustentar as bases e operações policiais no Estado do Rio de Janeiro.

Renan Santos assegurou que pretende reproduzir “muitos elementos que foram adotados em El Salvador”, embora tenha dito que não é Nayib Bukele.

Dentre eles, o candidato à presidência apoia o fim da presunção de inocência para quem for classificado como “inimigo da nação” e planeja a construção de presídios gigantescos, com capacidade de 30 a 40 mil vagas cada. Ele calculou que precisaria de “6 milhões de reais” para cada prisão de segurança máxima.

Santos falou que os membros das facções devem ser tratados de maneira diferente do cidadão comum. Ele defendeu penas mais duras para crimes cometidos com armas, redução do tempo de julgamento e facilitação da tutela antecipada de operações.

Candidato ameaça descumprir decisões do STF

Ainda na sabatina, Renan Santos também explicou que não irá cumprir decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que julgar “ilegais”.

Como exemplo prático de uma decisão que ele considera “grotesca” e que não deveria ser cumprida, o candidato citou uma medida recente do ministro Alexandre de Moraes que quebrou o sigilo de fonte de jornalistas.

Ele esclareceu que essa recusa não seria uma decisão isolada ou tomada puramente “da sua cabeça”. Ele definiu que, diante de uma ordem que ele acreditar ilegal, iria “avocar a União” e solicitar um parecer jurídico para avaliar o que fazer.

Renan ainda argumentou que o direito e o dever de não cumprir uma decisão ilegal não é uma prerrogativa exclusiva dele como eventual presidente, mas sim de qualquer cidadão. Dessa forma, um brasileiro que julgar uma decisão judicial como ilegal teria o direito de descumpri-la.