Feira de Santana Ajuda
Projeto social de dança busca apoio para levar bailarinas de Feira de Santana a competições nacionais e internacionais
Instituto A Dança Salva Vidas atende cerca de 600 crianças em Feira de Santana e outros municípios e enfrenta dificuldades para financiar viagens e oportunidades que já levaram jovens bailarinas a conquistas no Brasil, na Argentina e em Portugal.
20/08/2026 11h51
Por: Karoliny Dias Fonte: Boca de Forno News

Foto: Boca de Forno News

Transformar vidas por meio da dança, revelar talentos e abrir caminhos para crianças e adolescentes que sonham em seguir carreira profissional. Esse é o propósito do Instituto Social A Dança Salva Vidas, projeto que atende cerca de 600 crianças somente em Feira de Santana e também desenvolve atividades em outros municípios da Bahia. Apesar das conquistas nacionais e internacionais, a instituição enfrenta uma das maiores dificuldades para manter o trabalho: a falta de recursos financeiros e de apoio para custear viagens, hospedagens, inscrições e demais despesas das bailarinas.

A presidente do instituto, Cleide Santos, esteve na Câmara Municipal de Feira de Santana em busca de apoio para garantir a continuidade da trajetória de jovens que vêm se destacando em competições e seleções de dança dentro e fora do país.

Segundo Cleide, a instituição retornou recentemente de Portugal, onde a bailarina Manuela Sampaio conquistou sete bolsas internacionais e participou de uma importante seleção ligada a uma renomada companhia de ópera de Paris, obtendo o primeiro lugar. “Manuela chegou de Portugal há uns 15 dias, onde conquistou sete bolsas internacionais. Participou da maior seleção de uma renomada companhia de ópera de Paris, onde teve o primeiro lugar”, relatou Cleide.

Agora, a jovem se prepara para novos desafios. No dia 28 de agosto, Manuela e outras integrantes do projeto viajam para o Rio de Janeiro, onde participarão de um dos maiores festivais da área e terão a oportunidade de dançar em um grande palco. A viagem está prevista para terminar no dia 2 de setembro.

Cleide Santos - Foto: Boca de Forno News

No Rio, além da competição, as bailarinas terão acesso a experiências importantes para a formação profissional. Manuela fará treinamento de GR e também terá aula de balé com a renomada bailarina Ana Botafogo, no Teatro Municipal. A participação no evento carioca, segundo Cleide, já está praticamente garantida graças à ajuda de pessoas e empresários, inclusive do município de Itati, mas ainda há despesas com hospedagem.

O maior desafio, entretanto, está marcado para novembro. No dia 3 de novembro, Manuela deverá embarcar para os Estados Unidos, onde permanecerá até o dia 23, participando de uma nova etapa internacional e buscando concretizar as oportunidades conquistadas ao longo de sua trajetória.

Para essa viagem, o instituto estima a necessidade de aproximadamente R$ 42 mil. “Agora para os Estados Unidos, a nossa cotação está em R$ 42 mil, do dia 3 ao dia 23. A nossa maior preocupação está sendo agora novembro”, explicou Cleide.

A dirigente destaca que o instituto não possui verba pública garantida nem emendas parlamentares para financiar as viagens. A entidade, segundo ela, possui documentação regular, CNPJ e conquistou, depois de muita luta, o reconhecimento de utilidade pública, mas ainda depende de doações e da colaboração da sociedade e de empresários para conseguir levar as bailarinas aos eventos. “Nós não temos verba, não temos emenda parlamentar. A gente luta. Temos toda a nossa documentação, temos CNPJ, conquistamos com muita luta a nossa utilidade pública e só temos a nossa esperança”, afirmou.

De Feira para o mundo

A trajetória do Instituto A Dança Salva Vidas já ultrapassou as fronteiras de Feira de Santana. Ao longo dos anos, o projeto levou seus integrantes para Santa Catarina, Fortaleza, Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Argentina e Portugal.

O projeto também cresceu e deixou de atuar exclusivamente em Feira. Atualmente, existem atividades em Conceição do Jacuípe, Taquaruçu, Conceição da Feira, Irará, Água Fria e Itatim, além da própria Feira de Santana.

Em Itatim, por exemplo, Cleide contaque chegou ao município inicialmente com receio de não conseguir manter as atividades por falta de recursos. O projeto começou atendendo aproximadamente 30 crianças e, atualmente, alcança cerca de 200 crianças na localidade. “Eu cheguei ano passado com medo, porque não tenho recurso, como falei. Chegou para 30 crianças e hoje estamos com 200 crianças”, contou.

Foto: Boca de Forno News

Para Cleide, o nome do projeto representa exatamente aquilo que ela acredita que a dança pode fazer na vida de uma criança e de uma família. “Quando o nome é A Dança Salva Vidas é porque eu acreditava e acredito que ela transforma realmente a vida”, destacou.

Ela cita como exemplos as próprias bailarinas que vêm se destacando nas competições, entre elas Manuela, Ivana e Melissa Kelly, que já está no Rio de Janeiro sendo preparada para uma oportunidade na França.

Segundo Cleide, a expectativa é que Manuela, no futuro, consiga chegar ao destino profissional que considera seu grande objetivo, em Miami, além das oportunidades relacionadas à ópera de Paris.

Transformar sonhos em oportunidades

Apesar das conquistas, Cleide Santos reforça que cada viagem representa uma batalha financeira para o instituto. A entidade precisa mobilizar empresários, pessoas físicas e a comunidade para conseguir custear os deslocamentos das bailarinas. Para a viagem ao Rio de Janeiro, a maior parte dos custos já foi levantada, restando principalmente a hospedagem. Já a viagem aos Estados Unidos exige uma mobilização maior, com uma estimativa de R$ 42 mil.

A presidente do instituto reforça que o objetivo não é apenas levar as bailarinas para disputar competições, mas garantir que crianças e adolescentes tenham acesso a uma oportunidade que pode mudar suas vidas. “Eu quero convidar todos vocês que estão me ouvindo a visitar a nossa sede. Não é só disputar essa prova. O sonho é que esse projeto se torne referência, disputar cada família e mostrar a importância dele”, afirmou.

A sede do Instituto Social A Dança Salva Vidas fica na Rua da Concórdia, nº 2.033, no bairro Caseb, em Feira de Santana.

Quem quiser conhecer o trabalho ou colaborar com o projeto pode entrar em contato pelo WhatsApp da instituição, pelo número (75) 98332-3848, ou acompanhar as atividades pelas redes sociais, no perfil @stcleidesantos, conforme informado durante a entrevista.

Para Cleide, o apoio da sociedade pode ser decisivo para que jovens como Manuela, Ivana e Melissa continuem avançando e transformando talento em oportunidade profissional.

A dança como expressão 

Manuela Sampaio - Foto: Boca de Forno News

A história de Manuela Sampaio revela também o impacto emocional do projeto. A jovem contou que começou a se aproximar da dança ainda criança. Inicialmente, não imaginava que aquilo poderia se transformar em uma profissão. Com o tempo, passou a compreender a dança também como uma forma de arte e de expressão dos sentimentos.

Aos cinco anos, Manuela perdeu a mãe, uma perda que, segundo ela, teve um impacto profundo em sua vida. “Foi uma perda muito grande para mim, porque ela era meu apoio. E através da dança eu encontrei um refúgio, algo maior ainda do que eu tinha encontrado. Eu consegui mostrar o que eu não conseguia falar por palavras. Eu consegui mostrar com a dança”, relatou.

A experiência fez com que ela nunca mais parasse de dançar. “Parece que são só passos, mas para as bailarinas é algo grandioso”, afirmou.

Manuela considera a viagem ao Rio de Janeiro a realização de um grande sonho e conta que a preparação para chegar até esse momento é intensa. Atualmente, ela treina de segunda a sábado, em uma rotina que exige disciplina, dedicação e muitas horas de ensaio. “Não é fácil. Nada é fácil. Dá muita vontade de desistir, mas quem tem foco e força vai até o final. Eu não pretendo desistir tão facilmente”, disse.

Para ela, o resultado das competições e das seleções torna todo o esforço recompensador. Além da dança, Manuela afirma que o projeto também provocou mudanças importantes em sua vida pessoal. Ela relata melhora no controle emocional, no estado psicológico, na saúde, na disposição e na autoestima.

Segundo a bailarina, o próprio pai percebeu uma transformação significativa depois que ela passou a participar do projeto. “Meu pai mesmo falou que depois da dança eu melhorei muito. A dança me ajudou muito”, afirmou.

A rotina também trouxe reflexos para a escola. Mesmo com a agenda intensa de treinamentos e viagens, ela continua estudando e afirma que passou a se dedicar ainda mais aos estudos, mantendo boas notas.

Sonho de brilhar no palco

Ivana de Jesus - Foto: Boca de Forno News

Outra integrante do projeto que se prepara para a viagem é Ivana de Jesus. A jovem também demonstra entusiasmo com a oportunidade de participar das atividades no Rio de Janeiro e ter contato com profissionais de destaque, incluindo Ana Botafogo. Para Ivana, fazer parte do Instituto A Dança Salva Vidas representa uma oportunidade de crescimento e uma experiência que pretende levar para toda a vida.

Ela também destaca a importância da disciplina durante os treinamentos, afirmando que é necessário manter o foco e a atenção nas aulas para alcançar bons resultados. A jovem lembra ainda da experiência vivida durante a viagem para a Argentina, que considera inesquecível. “Eu vivi uma experiência muito boa que eu nunca vou esquecer. É uma experiência maravilhosa e a dança mudou muito a minha vida”, afirmou.

Ivana diz gostar do balé e demonstra orgulho por poder representar Feira de Santana nos palcos onde o projeto tem conseguido chegar.