O descarte irregular de lixo e entulho tem sido apontado como um dos principais desafios enfrentados pelo setor de limpeza pública de Feira de Santana. Segundo o diretor de Limpeza Pública do município, Pedro Paulo Santos, as equipes realizam um planejamento semanal para atender diferentes regiões da cidade, mas o surgimento constante de novos pontos de descarte dificulta a manutenção dos locais já limpos. “Todo dia aparece um ponto novo. A gente está monitorando, vem colocando câmera para acompanhar e notificar alguns carros. Quando a gente acaba de limpar um local, aparece outro”, explicou.
De acordo com o diretor, a coleta regular de lixo domiciliar apresenta uma situação mais controlada. O serviço é realizado em dias previamente definidos, conforme a região, com frequência de segunda, quarta e sexta-feira ou terça, quinta e sábado. “O lixo tem os dias certos de passar. A gente não tem muito problema com isso. É esporádico, uma coisa ou outra, uma reclamação ou outra. Mas o descarte irregular de entulho é o que dá dor de cabeça para a gente”, afirmou.
Para combater o problema, a Secretaria Municipal de Serviços Públicos, por meio do Departamento de Limpeza, tem ampliado o monitoramento dos pontos considerados críticos. Pedro Paulo informou que a pasta conta também com o apoio da Seprev na instalação de equipamentos de monitoramento. Segundo ele, mais de duas mil notificações já foram realizadas relacionadas ao descarte irregular.
O diretor destacou ainda que o município vem estudando a implantação de ecopontos permanentes. Enquanto isso, alguns locais provisórios foram disponibilizados para o descarte de entulho, inclusive para atender carroceiros. “Já fizemos estudos para colocar ecopontos na cidade. Creio que em breve o prefeito vai estar sensível a isso”, declarou.
Entre os pontos provisórios citados estão áreas no bairro Irmã Dulce, na Alameda Quatro, em Olhos d’Água e no Mochila. Recentemente, uma caixa também foi instalada na região da Avenida Marquês de Abrantes, entre Baraúna e Sobradinho, para que carroceiros possam realizar o descarte de maneira adequada.
Para Pedro Paulo Santos, entretanto, a atuação do poder público, sozinha, não é suficiente para resolver o problema. “É humanamente impossível qualquer cidade, só a parte do município, fazer cem por cento. Tem que ter ajuda dos munícipes. A comunidade tem que ajudar”, ressaltou.
O diretor orientou os moradores a respeitarem os dias de coleta e procurarem locais adequados para o descarte de entulho, especialmente durante obras e reformas residenciais.
A população também pode utilizar o aplicativo Fala Feira para registrar solicitações, denúncias e reivindicações relacionadas à limpeza pública. Segundo Pedro Paulo, as demandas recebidas são encaminhadas às equipes para averiguação.
Ele citou como exemplo uma ação realizada no condomínio Minha Casa Minha Vida, no bairro Caraíbas, após uma solicitação dos moradores. A equipe foi ao local para realizar a limpeza da área destinada ao armazenamento do lixo e também dialogou com os responsáveis pelo condomínio sobre medidas de manutenção.
Audiência pública
Outro ponto destacado pelo diretor foi a realização de uma audiência pública na Câmara Municipal de Feira de Santana para discutir o descarte irregular de resíduos. Segundo Pedro Paulo, o encontro está previsto para o dia 27 de agosto.
Para ele, a participação da sociedade é fundamental para encontrar soluções para o problema. “O jogo de comunicação tem ajudado bastante a gente. Quando a pessoa solicita pelo órgão de comunicação, talvez seja porque não teve acesso, apesar de as redes sociais estarem aí. Então, quando fazem a solicitação aos meios de comunicação, é importante, porque nós estamos atentos também e vamos ao local”, afirmou.
A expectativa é que a discussão reúna representantes do poder público, vereadores, entidades e moradores para debater medidas de fiscalização, conscientização e ampliação dos espaços adequados para o descarte de resíduos em Feira de Santana.