As novas regras da FIFA para a arbitragem estão sendo apresentadas de forma clara, simples e objetiva, com linguagem direta, frases curtas e termos comuns. As mudanças são amplas e impactam diretamente árbitros, assistentes, árbitros de vídeo (VAR), treinadores e jogadores. O objetivo é tornar o jogo mais justo para todos e mudar o desgaste da arbitragem, que é vista como um dos principais problemas do futebol.
As regras visam aumentar o fairness (justiça no sentido amplo da palavra), permitir que as equipes joguem sem interrupções desnecessárias, garantir o máximo de clareza nas decisões tomadas e, consequentemente, reduzir as controvérsias geradas. Espera-se que essas alterações tragam mais prazer para quem assiste, para quem treina e para quem organiza e explora as ligas, e que a evolução possa ser medida através da satisfação de cada um dos grupos, mesmo sabendo que os árbitros brasileiros não tem critérios uniformes.
As novas regras da FIFA para a arbitragem visam tornar o andamento do jogo mais fluido e, ao mesmo tempo, restituir ao torcedor a sensação de que os árbitros estão, de fato, à altura do espetáculo. Para isso, situações frequentemente impostas ao árbitro de modo a preservar a continuidade da partida, como a identificação de faltas, principalmente em relação a cartões, e a sinalização de infrações de impedimento, agora no sistema semiautomático, passam a ser delegadas ao assistente de vídeo (VAR).
Por sua vez, o VAR não deve ser uma instância superior que tem a última palavra em todas as situações. O intuito é evitar que o comando, as decisões e, portanto, a responsabilidade e a prestação de contas dos lances sejam transferidas para o vídeo e que a arbitragem torne-se refém da tecnologia.
Estas diretrizes introduzem uma nova abordagem às responsabilidades pessoais e coletivas dos árbitros. Toda decisão relevante, mesmo em processos de jogo em que não haja intervenção do VAR, precisa ser documentada e justificada. Ao final de cada partida, os árbitros devem explicar o que ocorreu no jogo e confirmar se seguiram os protocolos. Essa prestação de contas se estende também a decisões não tomadas, mas que poderiam ter sido, como uma falta não marcada que teria alterado o rumo da partida.
Os árbitros devem conduzir o jogo de forma imparcial e respeitosa. Não devem demonstrar favoritismo ou aversão a jogadores ou equipes, em suas decisões ou comportamento. São proibidos de aceitar presentes ou recompensas, direta ou indiretamente, de jogadores ou clubes. Também não devem discutir com jogadores ou treinadores ou escutar provocações. É vedada a presença dos árbitros em outros jogos da mesma competição, como espectadores e comentadores. E os árbitros não devem falar em público sobre o jogo antes de 72 horas após o término da partida, salvo se for para esclarecer qualquer irregularidade.
Estas regras de arbitragem foram desenvolvidas com base nas experiências dos últimos anos, visando atender às expectativas de torcedores, clubes e ligas. Priorizando a justiça, a velocidade e a clareza nas decisões, a estrutura da arbitragem e a condução de jogos passaram a exigir dos árbitros não só uma visão abrangente das situações de jogo, mas também a capacidade de escolha da melhor solução. Resta saber se os árbitros brasileiros aplicarão estas regras de forma regular.
Por Alberto Peixoto