Polícia Arcanjo
VÍDEO: Robô brasileiro pode ser usado em operações policiais
Batizado de Arcanjo, equipamento combina hardware chinês e inteligência desenvolvida no Brasil para reconhecimento facial e detecção de armas.
12/08/2026 08h18
Por: Karoliny Dias Fonte: Bahia.Ba
Foto: Reprodução

A IPQ Tecnologia apresentou, durante o COP International 2026, em São Paulo, o Arcanjo, um robô humanoide desenvolvido para aplicações de segurança pública. A proposta é utilizar o equipamento para reduzir a exposição de policiais em operações de risco, especialmente em locais fechados onde exista suspeita de pessoas armadas. [Assista ao vídeo no final da reportagem].

O projeto está em desenvolvimento há cerca de um ano e já recebeu aproximadamente R$ 1 milhão em investimentos, segundo Heitor Galvão, COO da empresa.

O hardware é produzido pela chinesa EngineAI, enquanto a IPQ desenvolve e adapta os sistemas de inteligência para as necessidades brasileiras. “A China fabrica o hardware e a gente fabrica a inteligência”, resumiu Galvão.

Robô pode entrar antes dos policiais

Uma das principais aplicações previstas é o uso do Arcanjo em incursões. Equipado com câmeras e sistemas de visão computacional, o humanoide poderá avançar em becos e outros ambientes de risco, identificar possíveis armas e transmitir imagens em tempo real aos policiais.

“A gente consegue mandar o humanoide na frente, com os analíticos de arma de fogo, para identificar se naquele beco, antes do policial aparecer, tem pessoas portando arma.”

Para Galvão, a tecnologia pode ajudar a preservar vidas durante operações de maior risco. “É melhor fazer isso no robô de um milhão do que em um policial nosso. É para poupar vidas.”

A empresa conta com cerca de 80 profissionais envolvidos no desenvolvimento, principalmente na Bahia.

Reconhecimento facial e outras aplicações

O Arcanjo também utiliza reconhecimento facial, visão computacional e diferentes sensores, podendo receber equipamentos como câmeras térmicas.

Durante o evento, a IPQ demonstrou o reconhecimento facial com uma base própria, formada previamente por imagens de participantes. A empresa destacou que o teste não utilizou o Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP).

Entre as aplicações estudadas estão rondas noturnas, monitoramento de áreas industriais, identificação de vazamentos de gás e vigilância em unidades prisionais.

A IPQ também trabalha para aumentar a autonomia do robô, permitindo que ele futuramente receba missões e execute determinadas rotinas sem controle permanente de um operador.

Tecnologia ainda está em desenvolvimento

Atualmente, a empresa possui uma unidade do Arcanjo, utilizada como plataforma de testes. A intenção é aprimorar recursos de inteligência artificial, sensores, automação e reconhecimento de imagens antes de ampliar a oferta comercial.

Devido ao alto custo do equipamento, a IPQ pretende inicialmente oferecer o humanoide como serviço, em vez de vendê-lo diretamente às forças de segurança. “Hoje a gente está fazendo a nossa venda como serviço, porque o valor é muito alto ainda”, afirmou Galvão.

Dados devem permanecer no Brasil

A empresa também afirma defender que os dados coletados pelo equipamento permaneçam em infraestrutura controlada pelo cliente ou hospedada no Brasil. Entre as possibilidades estão estruturas de colocation e infraestrutura da Telebras. “A soberania dos dados é uma das coisas que a empresa mais defende.”

Ainda em fase de desenvolvimento, o Arcanjo é apresentado pela IPQ como uma plataforma que poderá reunir robótica, sensores e inteligência artificial para avaliar ambientes de risco antes da entrada de agentes, com o objetivo de ampliar a segurança das operações policiais.

Vídeo

Loading...