Educação Educação
Campanha vai definir nome da futura Universidade Federal de Feira de Santana e reforça mobilização pelo projeto
Votação popular será realizada entre os dias 12 e 18 de agosto, por meio do Instagram da comissão, enquanto grupo responsável pelo projeto busca ampliar o engajamento da sociedade e fortalecer a luta pela implantação da instituição.
11/08/2026 15h31
Por: Karoliny Dias Fonte: Boca de Forno News

A Comissão Interinstitucional responsável pelo projeto de criação da Universidade Federal com sede em Feira de Santana lançou oficialmente a campanha que irá definir, por votação popular, o nome da futura instituição. A iniciativa, que acontece entre os dias 12 e 18 de agosto, representa mais um passo na mobilização em torno de um projeto considerado estratégico para o desenvolvimento de Feira de Santana e de todo o interior da Bahia.

Segundo o presidente da comissão, Fábio Lora, a escolha do nome busca aproximar a população da construção da universidade e fortalecer a identidade do projeto. “Desde o ano passado nós criamos essa comissão especial e viemos trabalhando para viabilizar uma universidade federal com sede em Feira de Santana. Precisamos construir essa identidade e, por isso, buscamos o engajamento da comunidade”, afirmou.

De acordo com ele, mais de 50 instituições participaram das discussões iniciais, apresentando diversas sugestões de nomes. Após uma análise técnica e observando os critérios permitidos pelo Ministério da Educação (MEC), a comissão definiu três opções que serão submetidas à votação popular. “Um dos nomes faz referência à vocação da universidade, outro ao Portal do Sertão e outro contempla toda a região do sertão baiano”, explicou.

A votação será realizada exclusivamente pelos stories do Instagram, no perfil @federalemfeira, onde diariamente os participantes poderão registrar seu voto durante o período da campanha.

Embora ainda dependa de decisões do Governo Federal, Fábio Lora destacou que o projeto não está parado. “O projeto está em andamento tecnicamente. Hoje temos uma proposta bem estruturada, nossa vocação está definida e os pilares do projeto estão consolidados. Agora buscamos ampliar o engajamento popular e também sensibilizar os representantes políticos, especialmente neste período eleitoral”.

Segundo ele, a criação de uma universidade federal em Feira é um sonho antigo da região. “Há mais de quarenta anos existe esse desejo. Nos últimos cinco anos esse movimento ganhou força e avançou bastante.”

Ao explicar o modelo pensado para a futura universidade, Fábio Lora revelou que uma das primeiras perguntas feitas pelo MEC dizia respeito à vocação da instituição. A partir dessa reflexão, a comissão analisou as características econômicas de Feira de Santana. “Feira tem forte vocação para o empreendedorismo, para a logística e para diversos setores produtivos. Tudo isso exige tecnologia e inovação. Entendemos que essa deve ser a principal vocação da futura universidade”.

Lora diz ainda que, após a definição do nome, o próximo passo será fortalecer ainda mais a identidade institucional e ampliar a mobilização da sociedade “Estamos dando nome a essa criança que está crescendo. Queremos transformar esse engajamento em pressão positiva junto às instituições federais para que esse projeto se torne realidade”.

Comissão

Já o membro da comissão, Jacson Machado, destacou que parte da estrutura necessária já existe por meio do atual campus federal instalado em Feira de Santana. Segundo ele, atualmente são oferecidos 12 cursos de graduação e quatro cursos de pós-graduação, além de outros quatro cursos já aprovados pelo MEC, incluindo formações voltadas para educação inclusiva, educação escolar quilombola e cursos tecnológicos ligados à área de software e sistemas.

Para Jacson, transformar o campus em universidade federal permitirá ampliar significativamente o acesso ao ensino superior. “Nossa perspectiva é que esse projeto permita que toda a região tenha acesso ao financiamento direto do Governo Federal”.

Ele ressaltou ainda o impacto econômico que investimentos em educação superior produzem. “A cada R$ 1 milhão investido na educação superior, entre R$ 3 milhões e R$ 4 milhões retornam para a economia na forma de geração de emprego e renda.”

Durante a entrevista, Jacson também apresentou dados que demonstram a necessidade de expansão do ensino superior federal no interior da Bahia. Segundo ele, jovens de municípios como Serrinha, Anguera, Ipecaetá e Santaluz possuem até quatro vezes menos oportunidades de ingressar em uma universidade pública do que moradores das capitais.

Ele informou que, quando considerados os territórios do Portal do Sertão, Sisal e Bacia do Jacuípe, cerca de 75% das matrículas no ensino superior pertencem à rede privada. Na Bacia do Jacuípe, o percentual de matrículas públicas é inferior a 10%. Já no Portal do Sertão, somando as instituições públicas existentes, esse índice gira em torno de 27%. “Existe uma reparação histórica que precisa ser feita com o povo sertanejo. Os talentos dos nossos jovens não podem ficar limitados apenas por terem nascido em cidades do interior”.

Para ele, ampliar a presença da educação pública é uma forma concreta de promover desenvolvimento social e econômico. “A educação é um direito previsto na Constituição. Precisamos lutar para garantir esse direito.”

Jacson ressaltou que nenhuma conquista desse porte acontece sem participação popular. “Nada acontece sem luta, sem mobilização e sem organização”.

Ele fez questão de agradecer o apoio da imprensa local. “A imprensa representa os olhos e os ouvidos da população. É através dela que conseguimos dialogar com a sociedade. Esse projeto só terá sucesso com mobilização social, política, econômica e também com o apoio da comunicação”.

Segundo Jacson, Feira de Santana já exerce papel estratégico na Bahia. A cidade atende mais de 80 municípios em áreas como saúde, educação, comércio e logística. “Feira continuará crescendo naturalmente. O maior impacto desse projeto será transbordar oportunidades para os municípios vizinhos, que hoje ainda são muito desassistidos”.

Jacson Machado também avaliou o atual sistema de ingresso nas universidades públicas. Embora reconheça a importância do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), ele acredita que novas formas de seleção podem ampliar o acesso dos estudantes. “O Enem foi uma grande conquista porque permite que qualquer brasileiro escolha onde deseja estudar. Mas também existem desafios”.

Segundo ele, as universidades poderiam discutir modelos complementares de seleção. “Precisamos pensar em processos alternativos, utilizando histórico escolar e outros critérios que possam facilitar o acesso dos estudantes, especialmente aqueles das escolas públicas e dos institutos federais”.

Ele também chamou atenção para a necessidade de aproximar ainda mais os jovens das universidades. “Muitos estudantes têm um celular nas mãos, mas isso não significa que tenham acesso às informações sobre as oportunidades existentes. As universidades precisam intensificar esse diálogo”.

INED doará campus para futura universidade

O presidente do SIM/INED, professor Josué Mello, afirmou que a futura universidade nasce com forte participação popular e apoio de diversos setores da sociedade. Segundo ele, o projeto representa uma oportunidade histórica para transformar toda a região do semiárido baiano. “É uma universidade que nasce conectada com a população, com os movimentos sociais e com as forças econômicas de Feira de Santana. É um projeto novo e transformador”.

Josué revelou que o INED decidiu doar integralmente sua propriedade e seu campuspara sediar a futura universidade federal. Conforme ele, a documentação já está em cartório e conta com a anuência do poder público municipal. “A expectativa é que ainda este ano possamos realizar uma solenidade para a assinatura definitiva da escritura, transferindo esse patrimônio para a futura universidade”.

Durante sua fala, Josué destacou que Feira de Santana precisa ampliar seus indicadores educacionais para sustentar seu crescimento econômico. “O desenvolvimento não acontece apenas pelo comércio ou pelas indústrias. Ele acontece principalmente pela formação da inteligência humana”.

Ele comparou a realidade de Feira com a de Campina Grande (PB), cidade que possui universidade estadual e universidade federal. “Em Campina Grande, cerca de 33% da população jovem está na universidade. Em Feira de Santana, esse percentual é inferior a 9%. Não podemos nos conformar com isso”.

Para o professor, uma universidade federal autônoma permitirá criar cursos alinhados às necessidades da região, fortalecendo o desenvolvimento econômico e social.

Josué Mello fez questão de destacar que a proposta não representa concorrência com a Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). “A UEFS deu tão certo que entendemos ser necessário ter mais uma universidade. A universidade federal vem para somar, ampliar oportunidades e contribuir para que a própria UEFS avance ainda mais”.

Ao final, ele reforçou o convite para que toda a população participe da votação do nome da futura instituição e acompanhe o projeto. “Queremos que esse sonho seja também o sonho da comunidade. Quanto maior for o envolvimento da população, maiores serão as chances de concretizar essa conquista histórica para Feira de Santana e para todo o interior da Bahia”, finaliza.