O Movimento em Defesa da Democracia contra o Fascismo realiza neste sábado (8), em Feira de Santana, um seminário voltado à discussão dos impactos da expansão do capitalismo no município e seus reflexos nas áreas de mobilidade urbana, meio ambiente, economia, urbanização, questão agrária e desigualdade social.
Em entrevista ao Portal Boca de Forno News, o coordenador do Movimento em Defesa da Democracia e da Frente Brasil Popular em Feira de Santana, Elísio Santa Cruz de Guedes, fundador da Central Única dos Trabalhadores (CUT) Nacional e da CUT Bahia, destacou a importância do evento para a formação política e social da população.
Segundo ele, o seminário será realizado no Centro Social Urbano (CSU), no bairro Cidade Nova, com início às 9h e programação até 16h30. A orientação é para que os participantes cheguem cedo. “Esse seminário é de suma importância para Feira de Santana, para os trabalhadores, as trabalhadoras, as donas de casa e para toda a sociedade. É um momento para refletirmos sobre os desafios que a cidade enfrenta diante da expansão do capital e seus impactos na vida da população”, afirmou.
Elísio explicou que um dos principais objetivos do encontro é analisar o crescimento urbano de Feira de Santana e os efeitos provocados pela expansão imobiliária e pelo fortalecimento de grandes empreendimentos comerciais. Segundo ele, embora o município tenha alcançado posição estratégica na economia baiana, ainda convive com profundas desigualdades sociais. “O crescimento da cidade, a expansão das grandes construtoras, dos grandes atacadões e do capital impactam diretamente a mobilidade urbana, a saúde, a educação e diversos outros aspectos da vida da população. Feira de Santana ocupa hoje um papel estratégico, mas as desigualdades continuam profundas”.
O seminário contará com duas mesas de debates, reunindo pesquisadores e professores para discutir diferentes aspectos do desenvolvimento urbano e social. Na primeira mesa, o pesquisador Andrey Brito abordará a expansão do capitalismo no campo e sua interface com a pecuária. Já Clóvis Ramanai discutirá o processo de urbanização e o lugar ocupado pela população negra na cidade. “Feira de Santana é uma cidade negra, mas o povo negro continua enfrentando profundas desigualdades sociais”, destacou Elísio.
Também integra a primeira mesa o professor aposentado e ex-vereador Marialva Barreto, que fará uma análise sobre a expansão urbana como fator de impacto ambiental e apresentará reflexões sobre a resistência popular diante dessas transformações.
A segunda mesa contará com a participação do economista Antônio Rosevaldo, que discutirá as tendências da economia de Feira de Santana e suas relações sociais. A pesquisadora Nasceli Freitas abordará as mudanças no urbanismo do município e os reflexos da nova paisagem urbana sobre a sociedade. Já a professora Larissa Penelu fará uma análise sobre as transformações ocorridas a partir da mudança da Feira Livre para o Centro de Abastecimento, discutindo os impactos sociais e econômicos dessa reorganização urbana.
Segundo Elísio, os pesquisadores contribuirão para ampliar o processo de formação política dos participantes. “São professores e pesquisadores com grande capacidade intelectual, que vão ajudar na formação dos trabalhadores e da sociedade sobre esse novo momento vivido por Feira de Santana”.
O coordenador informou que o Movimento em Defesa da Democracia realiza uma convocação ampla para que sindicatos, associações, movimentos populares, movimento negro, movimento de mulheres, estudantes e demais organizações participem do seminário.
Entre as entidades envolvidas na organização estão o Sindicato dos Comerciários, Sindicato dos Bancários, APLB Sindicato, APUB, Sintraf, Sindicato dos Rodoviários, movimento estudantil, Diretório Central dos Estudantes (DCE), Juventude Negra, UJS, Sindicato dos Químicos (Sindiquímica), Sindae e diversas outras organizações populares.
Elísio ressaltou que o seminário possui um importante papel de organização e formação da classe trabalhadora. “É um seminário com grande peso político e social. Queremos reunir trabalhadores, sindicatos, associações e todos os movimentos populares para refletir sobre os desafios atuais da cidade”.
Durante a entrevista, Elísio afirmou que um dos fatores que motivaram a realização do seminário é a situação do transporte coletivo em Feira de Santana. Segundo ele, a expansão da cidade não foi acompanhada por melhorias na mobilidade urbana. “O crescimento dos bairros e da expansão imobiliária não veio acompanhado de um transporte coletivo de qualidade. Hoje a mobilidade urbana em Feira de Santana é precária e isso será um dos temas centrais do seminário”.
Ele voltou a defender a implantação da tarifa zero no transporte público, argumentando que a população tem direito ao acesso ao transporte de forma mais ampla.
Ao comentar a situação do transporte coletivo, lembrou também da manifestação realizada por estudantes no Terminal Central, em 26 de janeiro, movimento que contou com apoio do Movimento em Defesa da Democracia. “Entendemos que Feira de Santana enfrenta um problema grave de mobilidade urbana, e por isso apoiamos aquele movimento estudantil”.
Fim da escala 6x1
Outro tema que será discutido durante o seminário é a proposta de extinção da escala de trabalho 6x1. Segundo Elísio, o movimento participou da construção das mobilizações em defesa da pauta e acompanha sua tramitação no Congresso Nacional.
Ele afirmou que a proposta já avançou na Câmara dos Deputados e agora aguarda análise pelo Senado. “A nossa preocupação é que essa proposta não fique parada. Defendemos sua aprovação porque muitos trabalhadores adoecem física e mentalmente devido ao excesso de trabalho”.
Na avaliação do coordenador, a redução da jornada representa melhoria na qualidade de vida da população. “A luta é pela redução da jornada. Os trabalhadores precisam de mais tempo para o lazer, para a cultura e para a convivência com a família. Defendemos a superação da escala 6x1 e modelos de trabalho que proporcionem mais qualidade de vida”.
Reforma agrária e fortalecimento do campo
A programação também inclui discussões sobre a questão agrária e os impactos da expansão do capitalismo no campo. Elísio afirmou que o debate sobre concentração fundiária e reforma agrária permanece atual e influencia diretamente a realidade dos municípios.
Segundo ele, políticas voltadas para o fortalecimento da agricultura familiar podem ampliar a assistência técnica, melhorar a produção de alimentos saudáveis e contribuir para a permanência das famílias no campo. “Muitos trabalhadores deixam a zona rural por falta de condições. Se houver investimentos em infraestrutura, saúde, transporte e qualidade de vida no campo, fortalecemos também a cultura popular e construímos cidades mais equilibradas”.
O coordenador informou ainda que diversas lideranças sindicais, representantes do movimento negro e organizações populares já confirmaram presença no seminário.
Entre elas está Breno Cassiano, liderança ligada ao movimento negro e ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, além de representantes da Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen) e de diversas organizações da sociedade civil.
Ao final da entrevista, Elísio reforçou o convite para que trabalhadores, estudantes, representantes de sindicatos, movimentos sociais e toda a população participem do seminário. “Será um momento importante para discutir os problemas da cidade, refletir sobre os desafios do desenvolvimento urbano e fortalecer a luta em defesa dos direitos da população e da classe trabalhadora”, concluiu.