Existem cisões na política que prescindem de notas formais ou anúncios à imprensa. Elas se desenham na prática: em cadeiras vazias em compromissos oficiais, itinerários que não se encontram e fotografias governamentais em que falta uma das peças centrais. É esse o cenário que ganha força nos bastidores de Feira de Santana, onde o acordo político entre o prefeito José Ronaldo e seu vice — que também comanda a pasta da Educação —, Pablo Roberto, demonstra desgaste antes mesmo do encerramento do primeiro ano de gestão.
Durante o período eleitoral, a união não foi vendida ao eleitorado como uma acomodação de forças. A narrativa oficial apostava na convergência estratégica, já que José Ronaldo traz a bagagem e o peso político acumulados ao longo de décadas de vida pública. Já Pablo Roberto, apresenta jovialidade e dinamismo, elemento fundamental para transmitir a ideia de renovação e garantir equilíbrio à chapa.
O que se apresentava como uma simbiose política de sucesso, contudo, agora colide com a rotina do Paço Municipal. No meio político feirense, o distanciamento já é tratado como fato consumado. A postura de Pablo Roberto passou por uma mudança drástica. O vice-prefeito e secretário tornou-se figura rara em momentos de grande apelo institucional, como entregas de obras, lançamentos de serviços e cerimônias oficiais.
O divisor de águas ocorreu nos festejos juninos. Historicamente assíduo nas comemorações promovidas pela prefeitura, Pablo Roberto não marcou presença em nenhuma agenda oficial de São João ou São Pedro. Sem confirmações ou desmentidos oficiais, o espaço fica aberto para conjecturas de aliados e opositores sobre os desdobramentos eleitorais dessa frieza institucional.