O Sindicato dos Bancários de Feira de Santana realizou, nesta quarta-feira (5), uma mobilização em frente à agência do Santander, no centro da cidade, para denunciar o que classifica como precarização dos serviços bancários, redução no quadro de funcionários e desrespeito tanto aos clientes quanto aos trabalhadores da instituição financeira. A manifestação foi apresentada como uma paralisação de advertência e, segundo o sindicato, novas ações deverão ocorrer em outras instituições bancárias.
Em entrevista ao Boca de Forno News, o diretor de imprensa e comunicação do Sindicato dos Bancários de Feira de Santana, Edmilson Almeida Cerqueira, afirmou que a categoria trava uma luta contra o Santander há vários meses em defesa dos trabalhadores e da população que utiliza os serviços do banco.
Segundo ele, o Santander fechou duas agências em Feira de Santana, localizadas nas avenidas JJ Seabra e Getúlio Vargas, além de retirar os caixas da unidade da Senhor dos Passos. Com isso, restou apenas uma agência para atender Feira de Santana, município com quase 700 mil habitantes, além de cidades da região.
Edmilson afirmou que a situação se agravou nesta semana, quando o sindicato encontrou apenas três funcionários trabalhando na agência, enquanto cerca de 100 pessoas aguardavam atendimento nos caixas. "O banco espanhol teve lucro de R$ 4,3 bilhões apenas no primeiro semestre de 2026, mas continua demitindo funcionários, fechando agências e maltratando tanto os trabalhadores quanto a população", criticou.
O dirigente sindical também denunciou que há aposentados e beneficiários de programas sociais aguardando entre quatro e cinco meses para receberem cartões bancários, o que impede o acesso aos seus benefícios.
Durante a entrevista, Edmilson fez um apelo à Câmara Municipal de Feira de Santana para que sejam criadas comissões de vereadores destinadas a fiscalizar o funcionamento das agências bancárias, principalmente nos períodos de pagamento no fim do mês. Segundo ele, os parlamentares poderiam constatar de perto o descumprimento da chamada Lei dos 15 Minutos para atendimento bancário, além de outras legislações municipais.
Entre as irregularidades apontadas estão o não cumprimento das normas de segurança, como o funcionamento das portas com detectores de metais, o descumprimento da legislação que proíbe operações de carga e descarga de carros-fortes em frente às agências, por colocar em risco pedestres, além da falta de atendimento adequado aos clientes.
"O Ministério Público também precisa verificar como estão sendo tratados idosos, pessoas com deficiência e demais usuários. Há clientes sentados nos corredores e nos salões das agências, enquanto os bancos continuam cobrando tarifas e oferecendo um serviço que está muito longe de ser digno", afirmou.
Questionado sobre a expectativa do sindicato em relação às reivindicações, Edmilson disse que o principal objetivo é conscientizar a população sobre a realidade enfrentada diariamente nas agências. Segundo ele, apesar da imagem positiva divulgada pelos bancos em campanhas publicitárias, os clientes convivem diariamente com longas filas, demora no atendimento e falta de estrutura.
O dirigente defendeu uma união entre população, órgãos fiscalizadores e entidades para cobrar investimentos das instituições financeiras. "Os maiores bancos do Brasil obtiveram lucro de R$ 127 bilhões em 2025. O que queremos é que uma pequena parcela desse lucro seja investida em quem realmente o produz: os trabalhadores e os clientes", declarou.
Sobrecarga e adoecimento dos bancários
Edmilson também chamou atenção para as condições de trabalho dos bancários. Segundo ele, funcionários que deveriam encerrar a jornada entre 16h e 17h estão deixando as agências por volta das 21h devido à falta de pessoal. Ele afirmou que a categoria enfrenta ameaças constantes, sobrecarga de trabalho e adoecimento físico e mental.
Durante a entrevista, lembrou ainda o caso de um funcionário do Bradesco que, segundo ele, tentou tirar a própria vida em decorrência da pressão vivenciada no ambiente de trabalho. "O bancário está adoecendo. Há falta de funcionários, excesso de trabalho e os clientes também acabam sendo humilhados na tentativa de conseguir atendimento", ressaltou.
Campanha nacional pode resultar em greve
O diretor de imprensa informou ainda que os bancários estão em campanha nacional da categoria. A atual convenção coletiva vence no fim de agosto, enquanto a data-base é 1º de setembro.
Segundo Edmilson, os bancos têm criado dificuldades nas negociações e tentam retirar direitos históricos da categoria, incluindo mudanças relacionadas ao plano de saúde dos trabalhadores. Caso não haja avanço nas negociações, ele não descarta uma paralisação nacional dos bancários.
Sobre o futuro das manifestações, Edmilson explicou que a ação realizada no Santander foi apenas uma paralisação de advertência. Ele informou que novas mobilizações deverão ocorrer também em agências do Itaú, Bradesco e demais instituições financeiras que, segundo o sindicato, estejam adotando práticas semelhantes.
"O movimento continuará enquanto persistirem o desrespeito aos trabalhadores e aos clientes. Queremos despertar a população para que cobre seus direitos, inclusive recorrendo à Justiça quando as leis forem descumpridas", afirmou.
O sindicalista também alertou para os impactos econômicos provocados pelo fechamento de agências bancárias, principalmente em municípios do interior. Segundo ele, quando uma agência é fechada, o comércio local também sofre prejuízos, pois moradores passam a se deslocar para cidades maiores, como Feira de Santana, para resolver questões bancárias e acabam realizando suas compras nesses municípios, reduzindo a movimentação econômica das cidades de origem.
Dia do Bancário
No dia 27 de agosto, às 7h, será realizado um café da manhã com bancários e representantes da imprensa. Durante o encontro, o presidente do Sindicato dos Bancários de Feira de Santana, Eritan Machado, deverá apresentar um balanço das negociações da campanha nacional da categoria, que estão sendo realizadas em São Paulo com representantes de todo o país.
Já no dia 28 de agosto, data em que é celebrado o Dia do Bancário, será promovida uma confraternização da categoria. A programação inclui a tradicional "Sexta sem Meta", com apresentação de Marcos Lima (voz e violão), show da banda 80 na Pista, Banda L'age D'or, que é cover do Legião Urbana, além do encerramento com Ney Jamaica com o Audácia Pura.