As forças de segurança da Bahia iniciaram, na manhã de segunda-feira (27), uma nova ofensiva para enfraquecer a atuação de organizações criminosas no Conjunto Penal de Feira de Santana. A Operação Angerona II busca identificar e interromper canais que permitem a integrantes de facções manter contato com grupos que atuam fora da unidade prisional.
A ação é conduzida de forma integrada pela Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap), pela Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) e pelo Ministério Público estadual. Pelo MP-BA, participam os grupos de Atuação Especial em Execução Penal (Gaep) e de Combate às Organizações Criminosas e Investigações Criminais (Gaeco).
Segundo informou a Seap, a ação pretende reforçar a segurança do estabelecimento e ampliar a cooperação entre os órgãos estaduais no enfrentamento à criminalidade. A eventual presença de celulares, drogas, armas artesanais ou outros objetos capazes de comprometer a ordem da unidade também está no centro da varredura. “A operação tem como objetivo reforçar a segurança da unidade prisional, levantar informações estratégicas para o aprimoramento das ações de inteligência”, informou a secretaria.
Em nota, o Ministério Público da Bahia também destacou que a mobilização procura atingir a capacidade de articulação dos grupos criminosos no sistema penitenciário. “A Angerona II tem o objetivo de fortalecer a segurança prisional, levantar informações estratégicas para o aperfeiçoamento das ações de inteligência, além de ampliar a atuação integrada das forças do Estado no enfrentamento à criminalidade”, afirmou o MP-BA. Segundo o órgão, a operação pretende contribuir para o “enfraquecimento da articulação das organizações criminosas no sistema prisional”.
Intervenção anterior
A Angerona II retoma uma ofensiva realizada em outubro de 2024 no Conjunto Penal de Feira de Santana, então apontado como a maior unidade prisional do estado, com aproximadamente 1.950 internos distribuídos em 11 pavilhões.
O nome da operação faz referência a Angerona, figura da mitologia romana associada ao silêncio. Na primeira edição, a denominação representava o propósito de interromper possíveis comunicações entre integrantes de organizações criminosas presos e grupos que permaneciam em atividade fora da unidade.
Na ocasião, mais de 250 profissionais participaram da intervenção. As equipes revistaram 165 celas de seis pavilhões e aproximadamente 1,1 mil internos nos primeiros dias da ação. Foram encontrados celulares, chips, cartões de memória, pendrives, porções de drogas, uma serra e armas brancas improvisadas.
Ao final da primeira Angerona, 31 internos apontados como lideranças de organizações criminosas foram transferidos para outras unidades penitenciárias. A medida buscava afastar esses presos de suas áreas de influência e dificultar a manutenção de contatos com integrantes das facções em liberdade. O balanço da transferência foi divulgado pela Seap.
A SSP-BA informou, naquele período, uma redução de 78,6% nos crimes violentos letais intencionais registrados em Feira de Santana durante a intervenção. Foram contabilizadas três ocorrências, contra 14 no período imediatamente anterior. Os números constam no balanço oficial da secretaria.
Sobre a ação desta segunda-feira, contudo, os órgãos envolvidos ainda não haviam divulgado mais detalhes sobre os resultados da operação deflagrada durante a manhã. A Seab chegou a informar que um balanço seria divulgado somente após a conclusão das atividades no Conjunto Penal, provavelmente ao fim do dia.
A nova operação ocorre quase dois anos depois e deverá mostrar se os canais de comunicação criminosa foram restabelecidos e quais medidas permanentes serão adotadas para impedir que integrantes de facções continuem exercendo influência sobre as ruas a partir do sistema prisional.