Feira de Santana Meio Ambiente
I Fórum Socioambiental de Feira de Santana reúne especialistas e define diretrizes para enfrentar mudanças climáticas
Evento promovido pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente debate educação ambiental, adaptação da cidade, transição energética e medidas para reduzir os impactos das mudanças climáticas.
14/07/2026 18h02
Por: Karoliny Dias Fonte: Boca de Forno News

Foto: Boca de Forno News 

Feira de Santana deu um importante passo na construção de políticas públicas voltadas ao enfrentamento das mudanças climáticas com a realização do I Fórum Socioambiental, promovido pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Recursos Naturais nesta terça-feira (14). O encontro reuniu representantes do poder público, universidades, escolas, sociedade civil organizada, conselhos municipais e especialistas para discutir estratégias de adaptação e mitigação dos impactos ambientais.

Com o tema “Emergência Climática Requer Mudanças”, o fórum teve como foco a construção de diretrizes que servirão de base para futuras ações da Prefeitura de Feira de Santana.

Jaciara Moreira - Foto: Boca de Forno News 

Ao fazer um balanço do evento, a secretária municipal de Meio Ambiente, Jaciara Moreira, destacou que o principal objetivo foi transformar o debate em políticas públicas concretas. “Aqui tratamos de temas importantíssimos sobre a emergência climática e sua mitigação. Cada um dos preletores veio contribuir para que daqui nascessem decisões e fizéssemos diretrizes para a realização de políticas públicas ambientais em Feira de Santana com esse objetivo, que é a redução dos efeitos das mudanças climáticas”, afirmou.

Segundo a secretária, o fórum representa apenas o início de um processo permanente de discussão e construção coletiva. “Daqui nascem algumas diretrizes que vamos apresentar ao nosso prefeito e a toda a comunidade envolvida. A mitigação das mudanças climáticas é feita por várias mãos. Essa relação intersetorial que trouxemos aqui foi muito importante".

Ela ressaltou que participaram representantes do governo municipal, estadual, escolas municipais e estaduais, sociedade civil e conselhos municipais.

Durante o evento foram discutidos quatro temas considerados prioritários para o município:

Jaciara também comemorou o fato de Feira de Santana ter sido escolhida pelo Ministério do Meio Ambiente para integrar um importante projeto nacional. “Feira de Santana foi escolhida entre as dez cidades baianas para participar do projeto Adapta Cidade. Isso é muito bom para nós, porque a busca por diminuir os efeitos climáticos é importantíssima neste momento".

A secretária adiantou ainda que diversas propostas discutidas no fórum deverão ser encaminhadas ao prefeito para avaliação e futura implantação.

Entre elas estão:

“Estamos muito imbuídos com essa equipe e com essa comissão para fazermos contribuições na mitigação das mudanças climáticas".

Ela acredita que pequenas intervenções urbanas poderão gerar grandes resultados. “Hoje tratamos muito aqui de coisas bem simples, que são planos estruturantes que podem mudar histórias, como hortas urbanas. Achei muito interessante os jardins verticais e suspensos. Temos alguns planos estratégicos que vamos implantar e acredito que vai dar certo.”

Jaciara enfatizou que essas iniciativas já fazem parte do planejamento da secretaria e da administração municipal. “É plano de ação da nossa secretaria, é plano de ação do governo e vamos para frente porque vai dar certo.”

Segundo ela, o debate não termina com o encerramento do fórum. “Aqui iniciam as discussões. Não vai parar por aqui. É um assunto que necessita de idas e vindas, de muito diálogo, mas principalmente de ações rápidas que tragam base para vencermos os efeitos dessas mudanças climáticas.”

Ao final, agradeceu aos participantes e ao prefeito pelo apoio na realização do encontro.

Uefs

Ivan Ferreira- Foto: Boca de Forno News 

Representando a Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), o estudante de Engenharia Civil Ivan Ferreira participou das discussões defendendo que a educação ambiental deve estar no centro das políticas públicas.

Integrante da Equipe de Estudos em Educação Ambiental da universidade, da Rede de Juventude pelo Meio Ambiente (RejuMA) e do Coletivo Jovem de Meio Ambiente (CJ), Ivan classificou o fórum como um marco para a cidade. “Esse fórum foi um divisor de águas, porque trouxe a questão socioambiental. Não conseguimos falar de justiça climática e meio ambiente sem falar de educação ambiental".

Ele contou que sua própria trajetória foi construída por meio de projetos educacionais. “Eu sou fruto da educação ambiental. Vim de eventos promovidos pela Secretaria de Educação em 2018 e carrego toda essa vivência".

Para Ivan, a educação ambiental transforma a maneira como o cidadão enxerga sua relação com o planeta. “Ela transforma o indivíduo para que ele entenda que faz parte do ambiente e que também é responsável por ele".

Durante a entrevista, Ivan destacou o papel da Universidade Estadual de Feira de Santana na formação da população sobre questões ambientais. Segundo ele, a universidade aproxima conhecimento científico da comunidade por meio de eventos e projetos de extensão.

Como exemplo, citou o Congresso 50+ Uefs, que abriu espaço para debates envolvendo justiça climática, mudanças climáticas, Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e emergência climática.“A Uefs é um dos maiores instrumentos que Feira de Santana possui para formar a população e fazê-la compreender os perigos aos quais está exposta e como pode ajudar a resolver esses problemas".

Ele também destacou que a universidade debate temas como racismo ambiental nas periferias, os impactos do El Niño e a importância da igualdade étnico-racial para a sustentabilidade. “A Uefs é uma carta na manga que a Prefeitura precisa saber aproveitar. É um divisor de águas no processo de conscientização da população".

Ao falar sobre atitudes individuais, Ivan defendeu que é preciso ampliar o debate para além das recomendações tradicionais. Segundo ele, a população precisa compreender todo o impacto ambiental provocado pelos padrões de consumo. “Nós ouvinos desde criança que precisa fechar a torneira ou tomar banhos mais rápidos. Mas é preciso amadurecer essa discussão". 

Como exemplo, citou que a produção de um quilo de carne consome milhares de litros de água e lembrou que roupas de poliéster também possuem elevado custo hídrico em sua fabricação.

Também chamou atenção para o consumo de água utilizado no resfriamento de grandes equipamentos tecnológicos, tema que, segundo ele, ainda é pouco debatido.

Para o estudante, o maior desafio continua sendo formar uma população consciente. “Hoje já não falamos apenas em aquecimento global, mas em ebulição global. A população precisa entender onde está inserida e qual é o seu papel para mitigar esses enfrentamentos". 

Ele defendeu ainda que mais fóruns sejam realizados com linguagem acessível e horários que permitam maior participação popular.

Defesa Civil

Antônio José - Foto: Boca de Forno News 

O coordenador da Defesa Civil de Feira de Santana, Antônio José, afirmou que nenhum município está totalmente preparado para enfrentar eventos climáticos extremos, mas garantiu que o trabalho preventivo vem sendo intensificado. “Quando falamos de eventos climáticos extremos, nenhum lugar do mundo está devidamente preparado. O que fazemos é nos preparar para o processo preventivo e mitigatório". 

Segundo ele, órgãos internacionais, como a agência norte-americana NOAA, já alertam para a possibilidade de ocorrência de um super El Niño. “Existe cerca de 90% de chance de que esse fenômeno aconteça". 

Antônio explicou que a Prefeitura vem promovendo diversas iniciativas para preparar a cidade. Além do Fórum Socioambiental, estão previstas novas atividades de capacitação e planejamento, entre elas eventos promovidos pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais sobre mudanças climáticas; reuniões realizadas no Portal do Sertão; um workshop da Defesa Civil voltado para secretários municipais, representantes políticos e instituições; construção conjunta de medidas de convivência com a estiagem.

Segundo ele, neste momento o município ainda enfrenta um período de estiagem e não uma situação de seca. “De acordo com as previsões, só teremos chuvas novamente entre o final de 2026 e o início de 2027.”

O coordenador informou ainda que equipes da Defesa Civil e da Secretaria Municipal de Agricultura realizam visitas constantes aos oito distritos rurais para monitorar a situação.

Ao comentar sobre as áreas mais vulneráveis, Antônio José explicou que os impactos do El Niño atingem principalmente a agricultura familiar. “Quando falamos do El Niño, estamos falando principalmente da estiagem. A zona rural sofre de maneira muito mais severa". 

Ele ressaltou, entretanto, que os reflexos acabam chegando também à cidade. “A agricultura familiar sofre primeiro, mas isso reflete diretamente na zona urbana. No fim, todos sofrem os efeitos dos fenômenos da natureza". 

Questionado sobre as medidas preventivas já existentes, Antônio informou que todas as secretarias municipais possuem planos de trabalho voltados ao atendimento da população em caso de agravamento da situação.

Segundo ele, os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) funcionarão como porta de entrada para o atendimento às famílias. “Caso aconteça uma necessidade maior, a população recorre às instituições. Os CRAS são o ponto da Prefeitura dentro das localidades e, a partir deles, os demais órgãos são acionados.”

O I Fórum Socioambiental encerrou suas atividades com a expectativa de que as propostas debatidas durante o encontro sirvam de base para novas políticas públicas voltadas à adaptação climática, preservação ambiental e melhoria da qualidade de vida da população de Feira de Santana.