Reduzir o tempo no banho, manter a chama do fogão azul, revisar mangueira e regulador e comprar botijão apenas em revendedoras autorizadas são medidas simples que podem aliviar o orçamento doméstico e, ao mesmo tempo, evitar acidentes graves dentro de casa. Com a chegada da temporada mais fria do ano, quando os banhos tendem a ficar mais longos e o consumo de energia para aquecer a água aumenta, o uso consciente do gás liquefeito de petróleo (GLP), conhecido popularmente como gás de cozinha, volta a ser apontado como alternativa de economia para as famílias.
Um levantamento do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás), elaborado com base em dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e da Light, mostra que um banho de dez minutos utilizando GLP custa, em média, R$ 0,78 em um estado como o Rio de Janeiro. No chuveiro elétrico, o mesmo banho chega a R$ 1,74. A diferença representa uma economia de cerca de 55%.
Embora o cálculo tenha sido feito com base em tarifas e preços praticados no estado carioca, o comparativo chama atenção para um ponto comum a muitas famílias brasileiras: o peso do aquecimento da água nas contas da casa. Isoladamente, a economia por banho pode parecer pequena, mas o impacto tende a crescer quando se considera o número de pessoas no imóvel, a frequência dos banhos e o aumento natural do consumo nos dias de temperatura mais baixa.
Presidente do Sindigás, Sergio Bandeira explica o padrão identificado. “O que muita gente não percebe é que o clima influencia diretamente no consumo de energia para aquecer a água. Nos meses mais frios, a água chega às residências em temperaturas mais baixas e, para atingir o mesmo nível de aquecimento, é necessário consumir mais energia do que em dias quentes”, afirma.
Segundo ele, o GLP continua sendo uma fonte de energia acessível e essencial em milhões de lares brasileiros, mas precisa ser usado com eficiência. “O GLP continua sendo uma fonte de energia acessível, segura e essencial em milhões de lares brasileiros. Mas, como todo recurso, pode e deve ser usado com inteligência, especialmente em momentos de maior consumo”, explica
Dicas para economizar
A economia, no entanto, não depende apenas da escolha da fonte de aquecimento. Pequenas mudanças de hábito no uso do fogão, do forno e do aquecedor também ajudam a fazer o gás durar mais. Entre as orientações do Sindigás estão reduzir o tempo de banho, manter as bocas do fogão limpas, usar a boca adequada para cada tamanho de panela, tampar os alimentos durante o cozimento, aproveitar o forno para preparar mais de um prato ao mesmo tempo e, sempre que possível, utilizar panela de pressão.
A cor da chama também serve como alerta. A chama azul indica combustão adequada. Quando está amarelada, pode haver sujeira, má regulagem ou problema no equipamento, o que aumenta o consumo e pode comprometer a segurança. Nesses casos, a orientação é acionar um técnico especializado.
Além da economia, o uso correto do gás é uma medida de prevenção. Em Salvador, uma ocorrência no bairro do Stiep em fevereiro deste ano mostrou como um vazamento pode evoluir para uma situação de grande risco. Um chamado para verificar vazamento de GLP em um prédio residencial do Conjunto dos Bancários terminou em explosão seguida de incêndio de grandes proporções. Ao todo, 16 pessoas precisaram de atendimento médico, sendo 12 civis e quatro bombeiros militares.
Na ocasião, o Corpo de Bombeiros Militar da Bahia informou que a ocorrência foi registrada inicialmente como vazamento de gás. A explosão aconteceu quando as equipes iniciavam a entrada no imóvel para averiguar a situação. Parte da edificação ficou estruturalmente comprometida, moradores precisaram ser evacuados e a Defesa Civil de Salvador isolou o prédio para avaliação técnica.
A tenente Rosenildes São Pedro, do Corpo de Bombeiros, explicou à Tribuna da Bahia que o botijão não explode isoladamente. A principal suspeita, naquele caso, envolvia o acúmulo de GLP em ambiente fechado. O alerta reforça a importância de manter o botijão em local ventilado e de agir corretamente ao perceber cheiro de gás.
Atenção aos equipamentos
Entre os cuidados básicos, o Sindigás orienta que o consumidor compre o botijão somente em revendedoras autorizadas, confira se o recipiente está lacrado e sem ferrugem, mantenha o botijão sempre em local ventilado e nunca deite, empurre ou utilize o botijão como suporte. A instalação do regulador deve ser feita apenas com as mãos, sem o uso de ferramentas.
Mangueira e regulador também exigem atenção. Os equipamentos devem ter marca do Inmetro e prazo de validade dentro do período indicado pelo fabricante, normalmente de cinco anos. Se houver rachaduras, ressecamento, mau encaixe ou qualquer sinal de dano, a troca deve ser feita imediatamente.
Outra recomendação é realizar periodicamente o teste de vazamento nas conexões com espuma de água e sabão. Se aparecerem bolhas, há indicação de vazamento. Nessa situação, a orientação é fechar o registro, manter portas e janelas abertas, afastar pessoas do local e não acionar interruptores, aparelhos elétricos ou qualquer fonte de faísca.
“Seguindo essas orientações simples, é possível economizar no dia a dia e ainda garantir a segurança de toda a família. É o tipo de informação que vale ouro no fim do mês”, afirma Sergio Bandeira de Mello.