Cultura Crônica da semana
O Analfabetismo político do brasileiro
Por Alberto Peixoto
04/07/2026 09h05 Atualizada há 2 horas atrás
Por: Karoliny Dias Fonte: Alberto Peixoto

Foto: Ilustração / Internet - Diário do Centro do Mundo 

O analfabetismo político é um problema importante no Brasil. O termo diz respeito à dificuldade da sociedade em participar ativamente da política. Essa dificuldade é chamada de analfabetismo pela semelhança com a forma de leitura e escrita. O conceito oposto é o de alfabetização cívica. Estar alfabetizado cívica e politicamente significa compreender o funcionamento do Estado e saber usar os instrumentos que ele oferece.

Votar é uma dessas formas de participação. O voto é um compromisso cívico e uma responsabilidade. Votar exige que as pessoas conheçam seus candidatos e suas promessas. Voto informado, ou seja, conhecer os candidatos, é impossível se as pessoas não usarem fontes confiáveis ou não lerem as propostas dos postulantes ao cargo.

O Brasil tem um alto grau de analfabetismo político. Essa condição pode ser observada por meio de desinformação sobre a política e a administração pública. O baixo consumo de propostas de candidatos, a confiança em boatos, a passividade nas várias esferas do processo político e a cultura do “deixa como está” também são indícios cíclicos.

Exemplos comuns do analfabetismo político são o voto em candidatos desconhecidos, a confiança em notícias falsas sobre candidatos, a falta de interesse em saber como o governo aplica o orçamento e a ausência de conhecimento sobre direitos e deveres. Esse analfabetismo político é real e existem indicações de que é um problema público no Brasil.

O conceito de analfabetismo político é raramente abordado, embora seja uma questão central e diretamente influente na prática brasileira. Analfabeto político é aquele que não compreende o seu papel fundamental como cidadão: é alguém que não participa, não exerce satisfatoriamente os seus direitos políticos e não busca saber o que se passa no seu país.

O analfabeto político é também incapaz de se organizar e lutar por seus direitos em favor da coletividade, sendo portanto, refém da exploração do poder. Na visão de Bertolt Brecht, "o pior iliterato é o analfabeto político" porque "não escuta, não fala, não participa dos acontecimentos políticos. Não sabe que o custo da vida, o preço dos feijões, a temperatura nas escolas, a vida e a morte das crianças dependem, entre outras coisas, das decisões políticas, que são decididas em sua ausência".

Os impactos do analfabetismo político são muitos. Por conta disso, o brasileiro não consegue fazer a menor critica ao governo, já que mais da metade da população é composta por analfabetos, sendo em sua maioria, os que ocupam cargos no Poder Legislativo e nos governos. Por conta do fato de votarem sem a mínima noção do que estão fazendo, o povo conta com uma grande quantidade de madames e coronéis, ou seja, candidatos de fachada, que só têm o poder de comprar e de trocar votos por favores.

E assim, por um lado, quem mais sofre com isso são os analfabetos, já que não têm a menor habilidade de analisar o que está acontecendo com seus direitos e garantias e não percebem que o seu voto é a única arma que possuem para mudar o que se encontra errado e, por outro lado, os políticos também ficam desinteressados em formar, em um futuro, um povo mais estudado e consciente de suas condições sociais, afinal, quanto mais ignorante a população for, mais chances esses tiveram de ganhar eleições.

A democracia brasileira precisa enfrentar a desigualdade social, a exclusão, a miséria, a falta de empregos e a violência. E esses problemas não se resolvem com a troca de partidos ou de pessoas. Embora o Estado brasileiro tenha sido sequestrado por uma minoria, com um enorme poder econômico e político, a maioria da população permanece em estado de letargia, com consciência e ações sociais limitadas. Repetidas vezes, os partidos e candidatos não têm compromissos com o interesse público nem são fiéis aos seus programas. E o dinheiro continua ditando as regras do poder. O ciclo da política brasileira se repete: a cada nova eleição, a esperança de que agora seja diferente

Por Alberto Peixoto