O pré-candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), afirmou nesta quarta-feira (1º), durante entrevista ao programa Giro Baiana, da rádio Baiana FM 89,3, que sua declaração sobre o peso político dos prefeitos foi retirada de contexto. Na mesma entrevista, o ex-prefeito de Salvador também analisou o cenário das eleições presidenciais de 2026, comentou a composição da oposição ao governo federal e condenou declarações consideradas machistas feitas pelo blogueiro Paulo Figueiredo.
Ao comentar uma fala feita durante a pré-campanha, quando afirmou que "essa coisa de ter 300 prefeitos não muda nada, representa nada", em referência à base de apoio do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), ACM Neto negou ter desrespeitado os gestores municipais.
Segundo ele, a intenção era explicar que sua campanha não será conduzida com foco nas disputas locais de cada município. "Eu disse que não ia municipalizar as eleições. O que é não municipalizar as eleições? É não entrar nesse momento numa disputa local. Porque cada município tem dois, três, quatro grupos políticos. Tem o grupo do prefeito, mas tem o grupo do ex-prefeito, tem o grupo de vereadores, tem o grupo do candidato que disputou e não venceu", afirmou.
O pré-candidato acrescentou que não pretende transformar prefeitos em adversários políticos apenas por não integrarem sua base de apoio. "A minha declaração foi tirada de contexto", disse, lembrando que também já exerceu o cargo de prefeito. ACM Neto ainda ressaltou que conta com o apoio dos prefeitos das maiores cidades da Bahia.
Durante a entrevista, ACM Neto também avaliou o cenário da sucessão presidencial e afirmou acreditar que a disputa de 2026 deverá ser marcada pela polarização e decidida em dois turnos. "Provavelmente vai ser uma eleição de dois turnos. Hoje ainda está polarizada entre os dois nomes com maior densidade eleitoral, que são Lula e Flávio Bolsonaro, com oscilações de pesquisa para pesquisa. Só vamos ter uma clareza maior a partir de agosto, quando será possível avaliar o tamanho e a força de cada um dos pré-candidatos", declarou.
O dirigente do União Brasil reconheceu a força eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que buscará a reeleição, mas observou que o campo de oposição ainda está em processo de consolidação. "Lula está no terceiro mandato, é normal que tenha esse tamanho e lidere as pesquisas. Do outro lado, existe um campo dividido de oposição ao PT. É claro que Flávio é quem aparece com maior tamanho, mas há outros nomes, como Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos. É preciso acompanhar o início da campanha para fazer uma avaliação mais precisa", afirmou.
Questionado sobre sua relação política com Flávio Bolsonaro, ACM Neto evitou classificá-lo como seu principal aliado na Bahia e destacou que sua coligação reúne partidos que apoiam diferentes pré-candidatos à Presidência da República.
Segundo ele, o União Brasil mantém uma aliança estadual que inclui o PL, presidido na Bahia por João Roma, além de outras legendas. "Aqui na Bahia temos um conjunto de partidos que nos apoiam, inclusive o PL. Também tenho como aliado o Novo, que tem Romeu Zema como candidato, mantenho uma relação antiga de amizade com Ronaldo Caiado e dialogo com o DC, que apresentou recentemente o nome de Joaquim Barbosa. Respeitamos a posição de cada partido, e o que une essa aliança é o propósito de mudar a Bahia", afirmou.
Ainda durante a entrevista, ACM Neto foi questionado sobre declarações do blogueiro Paulo Figueiredo, aliado do campo bolsonarista, que afirmou em um podcast que mulheres "votam mal". O pré-candidato afirmou discordar completamente da opinião. "Eu não concordo em nenhuma medida com uma opinião como essa. Ao contrário, temos estimulado a participação das mulheres na política e ampliado os espaços para que elas possam se destacar", declarou.
Como exemplo, citou as prefeitas Débora Régis e Sheila Lemos, classificando ambas como referências na vida pública e exemplos da importância da presença feminina na política baiana.
Com informações do site BNews