A menos de dois meses do início oficial da campanha eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue na liderança da disputa pelo Palácio do Planalto, segundo pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (20). O levantamento indica estabilidade no cenário eleitoral em relação ao mês anterior e aponta que o senador Flávio Bolsonaro (PL), principal nome da oposição, conseguiu interromper a perda de apoio observada após a repercussão do caso Dark Horse, em referência ao filme sobre a vida do pai, Jair.
No cenário considerado mais provável para o primeiro turno, Lula aparece com 41% das intenções de voto, enquanto Flávio registra 31%. Os números repetem, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, o quadro observado na rodada anterior da pesquisa. O levantamento ouviu 2.004 pessoas em 139 municípios e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A sondagem foi realizada em 17 e 18 de junho, período em que novos desdobramentos do escândalo envolvendo o Banco Master passaram a atingir também integrantes da base governista. A operação da Polícia Federal que teve como alvo o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), ocorreu justamente durante a coleta dos dados, o que pode ter limitado a percepção dos eleitores sobre o episódio.
Na disputa direta entre Lula e Flávio em um eventual segundo turno, o cenário também permaneceu inalterado. O presidente aparece com 47% das intenções de voto, contra 43% do senador. O resultado mantém a vantagem do petista, mas indica uma disputa mais apertada do que a observada após a divulgação do caso Dark Horse, quando a diferença entre os dois havia aumentado.
O levantamento mostra ainda que Lula lidera com ampla margem na pesquisa espontânea, quando os entrevistados não recebem uma lista de candidatos. Nesse cenário, o presidente é citado por 30% dos eleitores, enquanto Flávio soma 17%. Os demais nomes aparecem com índices residuais.
A pesquisa também testou confrontos entre Lula e outros possíveis candidatos da oposição. Em uma disputa contra o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), o presidente venceria por 47% a 41%. Já diante do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), Lula alcançaria 48%, contra 39% do adversário.
Apesar da liderança, o levantamento traz um sinal de alerta para o Palácio do Planalto. O governo ainda não conseguiu converter em ganhos expressivos de popularidade medidas consideradas estratégicas para a campanha, como o pacote de crédito e subsídios anunciado nos últimos meses e a defesa do fim da escala de trabalho 6x1, aprovado pela Câmara dos Deputados, mas ainda sem avanço no Senado.