O senador baiano Jaques Wagner voltou a se pronunciar sobre os desdobramentos da operação que investiga possíveis irregularidades envolvendo o Banco Master e pessoas ligadas ao grupo empresarial investigado. Em entrevista à TV Bandeirantes, o parlamentar apresentou sua versão para os fatos e buscou esclarecer questionamentos relacionados à apreensão de dinheiro em espécie, à negociação de um apartamento de alto padrão em Salvador e à sua relação com empresários citados nas investigações.
Sobre os valores encontrados durante a operação, Wagner afirmou que os recursos têm origem lícita e declarada. Segundo ele, parte do montante corresponde a dólares e euros adquiridos legalmente para viagens internacionais realizadas nos últimos anos. O senador explicou que costuma guardar moeda estrangeira para futuras viagens e ressaltou que não há qualquer irregularidade na posse dos valores. “Não tenho nenhuma coisa para esconder. Esse dinheiro está guardado porque eu viajo e nem sempre utilizo apenas cartão”, declarou.
O senador também comentou a situação envolvendo um apartamento em construção no bairro do Horto Florestal, uma das áreas mais valorizadas de Salvador. De acordo com Wagner, o imóvel não integra seu patrimônio pessoal. Ele afirmou que o interesse na aquisição estava relacionado à possibilidade de ajudar uma de suas filhas a comprar o apartamento futuramente. Segundo o parlamentar, o empresário Augusto Lima teria adquirido o imóvel inicialmente, com a perspectiva de uma recompra posterior após a venda de outro bem da família ou mediante financiamento.
Durante a entrevista, Wagner negou possuir qualquer relação comercial com o Banco Master ou com a Credcesta. Ele destacou que a participação do Estado da Bahia limitou-se à privatização da rede de supermercados Cesta do Povo, processo que incluiu o cartão utilizado pelos beneficiários. A partir daí, segundo ele, os negócios passaram a ser conduzidos pela iniciativa privada.
Questionado sobre uma possível ligação com o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, o senador afirmou ter encontrado o empresário apenas duas vezes. A primeira ocorreu quando Vorcaro teria sido apresentado como sócio de Augusto Lima em negócios relacionados à Credcesta. A segunda, segundo Wagner, aconteceu quando foi consultado sobre uma indicação para a área jurídica da instituição financeira.
No campo político, Jaques Wagner descartou qualquer possibilidade de desistir da disputa eleitoral de 2026. O senador afirmou que sua pré-candidatura à reeleição está mantida e demonstrou confiança na própria trajetória política e patrimonial. “Minha candidatura está absolutamente mantida. Estou muito seguro de tudo o que fiz e da minha vida pessoal”, afirmou.
Wagner também comentou sua permanência como líder do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Senado Federal. Segundo ele, a decisão cabe exclusivamente ao chefe do Executivo, mas acredita que a relação de confiança construída ao longo dos anos reduz a possibilidade de mudanças.
Ao fazer um paralelo com episódios anteriores de sua carreira, o senador lembrou que também foi alvo de busca e apreensão durante a campanha eleitoral de 2018, período em que acabou eleito como o senador mais votado da história da Bahia.