Saúde Palavra de médico
Junho Violeta: O “Palavra de Médico” deste domingo (14) alertou para violência contra idosos e combate mitos sobre o envelhecimento
Médico Tarcízio Pimenta destaca crescimento da população idosa, denuncia diferentes formas de violência e reforça a importância da autonomia e do respeito na terceira idade.
15/06/2026 08h29 Atualizada há 3 horas atrás
Por: Karoliny Dias Fonte: Boca de Forno News

Foto: Reprodução / Internet

O médico clínico geral e cirurgião Tarcízio Pimenta fez um alerta sobre a violência contra a pessoa idosa e os preconceitos relacionados ao envelhecimento durante participação no quadro “Palavra de Médico” deste domingo (14), no programa Boca de Forno, da Rádio Sociedade News FM. Aproveitando a campanha Junho Violeta, dedicada à conscientização e combate à violência contra os idosos, o especialista chamou a atenção para a necessidade de maior proteção, respeito e valorização dessa parcela da população.

Segundo Tarcízio Pimenta, embora o mês de junho seja marcado por festividades como o São João e eventos esportivos, também deveria ser um período de intensa mobilização social para discutir os direitos da pessoa idosa e enfrentar os diversos tipos de violência que atingem esse público.

O médico destacou que uma das formas mais comuns de agressão é o preconceito relacionado à idade, conhecido como etarismo. De acordo com ele, situações aparentemente simples, como críticas a idosos que dirigem ou frequentam espaços públicos, representam manifestações desse tipo de discriminação. “A violência contra o idoso é uma coisa visível. Ela começa com a discriminação”, afirmou.

Entre os tipos de violência mais frequentes, o médico citou a violência física, psicológica, financeira, sexual, além da negligência e do abandono. Ele relatou que agressões físicas, empurrões, lesões e maus-tratos ainda são observados com frequência. Já a violência psicológica se manifesta por meio de humilhações, ameaças e isolamento social, muitas vezes praticados pela própria família.

Tarcízio ressaltou que muitos idosos convivem com o medo de se tornarem um peso para filhos e netos, o que contribui para o isolamento e para o sofrimento emocional. Segundo ele, a perda da independência é uma das maiores preocupações dessa população.

Outro ponto de preocupação é a violência financeira. O médico relatou situações em que familiares se apropriam dos cartões bancários e senhas dos idosos para realizar empréstimos e compras sem autorização. “Muitas vezes o benefício que o idoso recebe é o que sustenta a casa. Esse recurso deveria ser utilizado para medicamentos, alimentação e necessidades básicas, mas acaba sendo usado indevidamente por terceiros”, observou.

A negligência também foi destacada como uma prática recorrente, caracterizada pela falta de cuidados básicos, como alimentação adequada, administração de medicamentos e aquisição de itens essenciais, incluindo fraldas para idosos acamados.

Durante a entrevista, Tarcízio Pimenta criticou frases frequentemente dirigidas aos idosos, como “você não pode fazer isso sozinho”. Para ele, esse tipo de atitude reforça a ideia equivocada de incapacidade.

O médico enfatizou que a autonomia é fundamental para a qualidade de vida na terceira idade e que os idosos devem ser estimulados a manter sua independência sempre que possível e de forma segura.

Ao abordar aspectos relacionados ao envelhecimento, o especialista explicou o processo de sarcopenia, caracterizado pela perda gradual de massa muscular. Segundo ele, essa redução começa por volta dos 30 anos de idade e ocorre de forma lenta e silenciosa, comprometendo a força e a funcionalidade muscular ao longo do tempo.

A consequência direta é o aumento do risco de quedas e fraturas, especialmente as de colo do fêmur, consideradas graves entre os idosos. Tarcízio citou dados que apontam que, entre idosos que sofrem esse tipo de fratura, uma parcela significativa pode morrer nos meses seguintes em decorrência de complicações relacionadas à imobilidade, infecções e ao período prolongado acamado.

O médico também chamou atenção para problemas estruturais das cidades que comprometem a segurança dos idosos. Entre eles, a falta de sinalização adequada para travessias, calçadas esburacadas e passeios mal conservados. Segundo ele, o receio de sofrer quedas faz com que muitos idosos evitem sair de casa, reduzindo ainda mais a prática de atividades físicas e a convivência social.

Além disso, Tarcízio destacou que a violência urbana tem contribuído para o isolamento da população idosa. Pesquisas recentes, segundo ele, indicam que muitos idosos deixam de frequentar mercados, feiras, farmácias e espaços públicos por medo de assaltos e agressões.

O médico observou que o Brasil vive um acelerado processo de envelhecimento populacional e alertou para a necessidade de políticas públicas mais eficazes. Ele também lembrou que doenças crônicas, como a hipertensão arterial, tornam-se mais frequentes com o avanço da idade, aumentando a demanda por cuidados especializados.

Para Tarcízio Pimenta, o Junho Violeta deve ir além das campanhas institucionais e resultar em ações concretas de conscientização, acolhimento e proteção. “O Brasil está envelhecendo rapidamente e precisamos compreender as necessidades dessa população. É fundamental transformar a conscientização em atitudes práticas de respeito, proteção e cuidado com os idosos”, concluiu.