O registro de dois casos de abate clandestino de animais em propriedades rurais de Feira de Santana nesta semana reacendeu a preocupação de produtores com a ação de quadrilhas especializadas no furto de gado e na comercialização ilegal de carne.
As ocorrências foram registradas na zona rural dos distritos de Tiquaruçu e Humildes. No primeiro caso, criminosos invadiram uma fazenda na localidade de Malhada Nova, em Tiquaruçu, cortaram a cerca da propriedade e abateram um boi de aproximadamente 17 arrobas. No local foram deixados apenas a cabeça, as vísceras e as patas do animal.
Já em Humildes, uma vaca prenha foi abatida dentro do pasto de uma fazenda na região de Areia Fina. Os criminosos retiraram toda a carne e abandonaram a cabeça, os pés, o couro e até o feto do animal. O prejuízo estimado pelo proprietário é de cerca de R$ 6,5 mil.
As vítimas registraram boletins de ocorrência na Polícia Civil e também levaram a situação ao conhecimento do comandante do Comando de Policiamento Regional Leste (CPRL), coronel Muller.
Embora os casos tenham ocorrido em Feira de Santana, o problema não é isolado. Nos últimos anos, produtores rurais de diversos municípios do Recôncavo Baiano vêm denunciando ações semelhantes. Entre as cidades mais citadas estão Santo Amaro, São Sebastião do Passé, Terra Nova, Amélia Rodrigues, Teodoro Sampaio, São Gonçalo dos Campos e São Francisco do Conde.
O modo de agir costuma ser parecido. Os criminosos invadem as propriedades durante a madrugada, realizam o abate dos animais no próprio local e levam apenas a carne, deixando espalhados cabeças, couro, vísceras e outros restos. Em muitos casos, a ação é rápida e ocorre em áreas afastadas das sedes das fazendas.
A suspeita entre produtores e entidades do setor agropecuário é de que exista uma rede de receptação responsável por colocar essa carne no mercado clandestino. Além do prejuízo econômico para os pecuaristas, a situação levanta um alerta para a saúde pública.
Sem qualquer inspeção sanitária, controle de origem ou fiscalização dos órgãos competentes, parte dessa carne pode chegar ao consumidor de forma irregular, representando riscos à população.
Diante do avanço dos casos, sindicatos rurais, associações de produtores e entidades ligadas ao agronegócio têm cobrado maior fiscalização sobre a comercialização de carne, além da criação de estruturas permanentes de policiamento rural especializado para reforçar a segurança nas propriedades do interior.
A Polícia Civil investiga os dois casos registrados em Feira de Santana e busca identificar os responsáveis pelos crimes.