Ao alcançar o quinto mês seguido de alta e renovar o maior patamar da série histórica aos 81,6%, o endividamento dos consumidores brasileiros expõe a dependência de uma linha de crédito de altíssimo risco. Em abril, o índice era de 80,9%.
Os dados de maio foram apresentados ontem pela Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor de maio, realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
O cartão de crédito permanece isolado como a modalidade mais utilizada, parte do problema de 84,6% das famílias endividadas.
O ciclo de endividamento penaliza famílias de menor renda, elevando a inadimplência das que recebem até três salários mínimos para 38,6%. O total de famílias que se consideram “muito endividadas” subiu para 17,0%, renovando o maior nível desde junho de 2024 e gerando uma postura de extrema cautela no mercado.
Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, o efeito prático do diagnóstico da pesquisa serve de alerta.
“Essa sequência de aumentos atinge, principalmente, as famílias de menor poder aquisitivo, pela exposição às taxas decorrentes de atrasos em pagamentos”, afirma. “É preciso garantir que o consumidor possa renegociar essas dívidas e recuperar seu fôlego financeiro”, reforça.