Esporte Copa 2026
Brasil chega à Copa entre dúvidas táticas e esperança no talento
Tostão analisa as opções de Ancelotti para a estreia, força do meio-campo e jogos decididos por detalhes.
10/06/2026 06h51
Por: Karoliny Dias Fonte: A Tarde
Carlo Ancelotti, técnico da Seleção Brasileira - Foto: CBF/Divulgação

Quem vai ganhar a Copa do Mundo? Ninguém sabe. Tudo é incerto. Como escreveu o filósofo e artista plástico Nuno Ramos: “Tudo parece fácil e concatenado quando ganhamos; tudo parece disperso e difícil quando perdemos. No entanto, é por tão pouco que se ganha ou se perde”. Em um torneio curto, repleto de grandes seleções, os detalhes e o imponderável costumam decidir o destino dos favoritos.

Dúvidas de Ancelotti para a estreia

Qual será a escalação e a estratégia escolhidas por Carlo Ancelotti na estreia? Contra o Egito, além da eficiente marcação por pressão, Bruno Guimarães, Paquetá e Raphinha, amparados por Casemiro, trocaram belíssimos passes e encontraram espaços para servir Vinicius Junior e Igor Thiago.

O centroavante, porém, desperdiçou duas oportunidades claras de gol. Vinicius Junior também não teve a melhor noite nas finalizações. Mesmo assim, a movimentação e a qualidade dos passes mostraram uma possibilidade interessante para a Seleção.

Um quarteto que remete a 1982

Durante a partida, o quarteto formado por Casemiro, Bruno Guimarães, Paquetá e Raphinha trouxe à memória outro grupo marcante: o meio-campo da Seleção de 1982, com Cerezo, Falcão, Zico e Sócrates.

A comparação não é técnica nem histórica, mas estrutural. Assim como naquele time, não havia pontas fixos e abertos. Os jogadores se movimentavam constantemente, ocupando diferentes setores do campo e participando da construção ofensiva.

Desafio pelos lados do campo

Ao mesmo tempo, surgiram preocupações defensivas. Após a lesão de Wesley, o Brasil teve dificuldades para preencher o lado direito do campo. Pela esquerda, Vinicius Junior e Raphinha atuaram próximos do ataque, deixando pouca proteção ao setor defensivo.

Essa fragilidade pode ser ainda mais perigosa diante de adversários que exploram velocidade e amplitude. Marrocos, por exemplo, costuma atacar com força pelos lados e pode exigir uma estrutura mais equilibrada.

Uma alternativa seria retomar o modelo utilizado anteriormente, com Matheus Cunha mais recuado pela esquerda, auxiliando na marcação, e um ponta aberto pela direita, como Rayan ou Luís Henrique. Nesse cenário, Vinicius Junior e Raphinha formariam a dupla ofensiva.

Endrick segue pedindo passagem

Mais uma vez, Endrick saiu do banco de reservas e marcou um gol importante. O atacante continua demonstrando personalidade e eficiência nos minutos que recebe.

Um leitor lembrou o personagem Zé da Galera, criado por Jô Soares durante a Copa de 1982, que telefonava para Telê Santana pedindo mudanças no time. Segundo ele, faria o mesmo hoje para dizer: “Ancelotti, coloca o Endrick”.

Por que o Brasil é candidato ao título?

A Seleção Brasileira está entre os candidatos ao Mundial não por causa do passado glorioso ou das cinco conquistas anteriores, mas porque possui jogadores entre os melhores do mundo em suas posições e conta com um treinador experiente e vencedor.

Em torneios dessa dimensão, tradição ajuda, mas não entra em campo. O que decide são o talento, a organização coletiva, o equilíbrio emocional e a capacidade de transformar pequenos detalhes em grandes diferenças.

Uma história de bastidores em 1970

Antes da estreia na Copa de 1970, surgiu uma situação curiosa envolvendo Pelé. Sem qualquer acordo comercial, praticamente todos os jogadores da Seleção utilizavam a mesma marca de chuteira por considerá-la a melhor e mais confortável.

Pelé, porém, assinou contrato com outra empresa. O problema era que o novo modelo não oferecia o mesmo conforto da chuteira que ele preferia usar.

A solução encontrada pelo roupeiro da Seleção foi simples e genial: retirou a identificação da chuteira favorita de Pelé e colocou nela a marca da empresa patrocinadora. Todos ficaram satisfeitos. Pelé jogou com o modelo que gostava, as empresas preservaram seus interesses e o Brasil conquistou a Copa do Mundo.