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Marques suspende pesquisa que apontou queda de Flávio após diálogos com Vorcaro
Ministro indicou ‘suspeitas de indução ao eleitor’ em perguntas da AtlasIntel após divulgação de áudio em que senador pede recursos ao banqueiro do Master para o filme “Dark Horse”.
09/06/2026 07h47
Por: Karoliny Dias Fonte: Estadão
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kássio Nunes Marques, atendeu a um pedido dos advogados do Partido Liberal e determinou a suspensão da pesquisa da AtlasIntel que aponta queda de seis pontos porcentuais na intenção de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno contra o presidente Lula (PT) nas eleições presidenciais de outubro.

O levantamento foi divulgado em 19 de maio, dias após a revelação de um áudio em que Flávio pede recursos ao banqueiro do Master, Daniel Vorcaro, para financiar o filme “Dark Horse”.

Em comunicado à imprensa, a AtlasIntel afirmou que o áudio da conversa entre Flávio e o banqueiro foi exibido após o fim do questionário principal da pesquisa. Segundo o instituto, os entrevistados já haviam respondido às perguntas eleitorais e não podiam mais alterar as respostas quando foram direcionados a uma página separada para ouvir o material.

Nunes Marques entendeu que há “suspeitas de indução ao eleitor” nas perguntas formuladas pelo instituto. A decisão é liminar e será submetida ao referendo do plenário da Corte eleitoral na terça-feira, 9.

Na decisão de sete páginas, o ministro citou uma entrevista concedida pelo CEO do instituto de pesquisa, Andrei Roman, em 19 de maio à CNN, na qual ele afirma que o áudio de Flávio seria “muito problemático para a imagem” do pré-candidato e revelaria “fatos extremamente graves”, capazes de comprometer “a viabilidade dele neste ciclo eleitoral e a permanência dele na corrida”.

“O CEO da AtlasIntel (...) reconheceu o viés político do conteúdo submetido aos entrevistados e externou juízo valorativo acerca do potencial de desgaste eleitoral do pré-candidato mencionado na representação”, assegura Nunes Marques.

Nesta segunda-feira, 8, o CEO da AtlasIntel afirmou no X (antigo Twitter), sem citar diretamente a decisão de Nunes Marques, que “muitos tentaram atacar a reputação da AtlasIntel quando os resultados não convinham”.

“A reputação se constrói lentamente, a partir de um trabalho árduo. A realidade que se impõe hoje é que não existe uma empresa de pesquisa a nível global com a trajetória que a AtlasIntel construiu. Depois de cada ataque injusto, a AtlasIntel se consolidou mais e é justamente isso que vai continuar acontecendo”, afirmou Andrei Roman.

Recém-empossado na presidência do TSE, o minsitro Nunes Marques afirma que “embora os institutos de pesquisa disponham de autonomia técnica para definição da metodologia empregada nos levantamentos que realizam, tal prerrogativa não afasta o controle jurisdicional em hipóteses nas quais haja indícios de desvirtuamento da pesquisa”.

Na ocasião, o levantamento mostrou que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro caiu seis pontos porcentuais desde abril e apareceu com 41,8% das intenções de voto contra 48,9% do presidente Lula (PT) em um eventual segundo turno presidencial.