O economista Amarildo Gomes avaliou, durante entrevista ao programa Boca de Forno, da Rádio Sociedade, que a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de classificar as facções criminosas brasileiras PCC (Primeiro Comando da Capital) e Comando Vermelho como grupos terroristas traz consequências negativas para a economia e para a imagem internacional do Brasil.
Segundo o economista, os impactos começaram a ser sentidos antes mesmo da efetivação da medida. Para ele, o simples anúncio já é capaz de gerar insegurança entre investidores internacionais e comprometer a atração de novos empreendimentos para o país.
Amarildo comparou a situação à divulgação de uma lista apontando bairros com forte presença de facções criminosas. De acordo com ele, locais classificados dessa forma tendem a perder investimentos, registrar desvalorização imobiliária e enfrentar maiores dificuldades para atrair empresas e empreendimentos de grande porte.
“Quando uma região é associada à violência e à criminalidade, investidores passam a procurar outros locais considerados mais seguros. O mesmo acontece com um país quando sua imagem internacional é afetada”, explicou.
Durante a entrevista, o economista destacou que organizações criminosas como PCC e Comando Vermelho possuem objetivos econômicos, ligados a atividades ilícitas como tráfico de drogas, roubos e sequestros, diferentemente de grupos terroristas, que, segundo ele, atuam motivados por questões ideológicas, religiosas ou políticas.
Na avaliação de Amarildo Gomes, a classificação promovida pelos Estados Unidos cria uma percepção negativa sobre o Brasil perante organismos financeiros internacionais e fundos de investimento responsáveis por direcionar recursos para diferentes países.
Ele argumentou que diversos investidores analisam indicadores de segurança antes de decidir onde aplicar recursos. Dessa forma, a associação do Brasil à presença de grupos considerados terroristas poderia reduzir o interesse de empresas estrangeiras em instalar operações no país.
Outro ponto levantado pelo economista envolve possíveis reflexos sobre instituições financeiras. Segundo ele, alguns bancos e empresas internacionais podem enfrentar restrições ou sanções decorrentes de regras internas relacionadas ao combate ao terrorismo, dificultando operações comerciais e financeiras envolvendo o Brasil.
Amarildo também demonstrou preocupação com possíveis impactos na soberania nacional. Segundo sua análise, a classificação poderia abrir espaço para ações unilaterais dos Estados Unidos contra indivíduos considerados terroristas, ainda que estejam em território brasileiro.
“O criminoso brasileiro deve ser investigado, julgado e condenado pela Justiça brasileira. Essa é uma questão de soberania nacional”, afirmou.
Questionado sobre possíveis medidas para reverter a situação, o economista disse acreditar que o governo brasileiro deverá atuar pela via diplomática. No entanto, ele avalia que uma mudança imediata é improvável, por considerar que a decisão possui forte componente político.
Segundo Amarildo, a medida estaria relacionada ao cenário político brasileiro e à aproximação entre lideranças da direita brasileira e o governo norte-americano. Ele citou ainda a atuação de integrantes da família Bolsonaro junto a autoridades dos Estados Unidos.
Apesar disso, o economista acredita que mudanças no cenário político norte-americano poderão influenciar futuras revisões da decisão. Ele mencionou as eleições legislativas previstas para novembro e avaliou que uma eventual mudança na composição do Congresso dos Estados Unidos poderia favorecer uma revisão da classificação.
Durante a entrevista, Amarildo também comentou sobre os interesses econômicos dos Estados Unidos na América Latina e destacou a importância estratégica das chamadas terras raras, minerais utilizados na produção de equipamentos tecnológicos e industriais.
Ele lembrou que uma empresa norte-americana adquiriu uma operação de mineração de terras raras localizada em Goiás, argumentando que os interesses econômicos já estão presentes no setor.
Ao final da entrevista, o economista reforçou que os principais prejudicados seriam os trabalhadores brasileiros. Segundo ele, a redução de investimentos estrangeiros pode diminuir a geração de empregos, especialmente aqueles oferecidos por grandes empresas, que normalmente possuem maior capacidade de investimento e melhores condições salariais.
“Quem paga a conta é o trabalhador. Quando grandes investimentos deixam de vir para o país, diminuem as oportunidades de emprego e desenvolvimento econômico”, concluiu.
Amarildo Gomes defendeu que a população analise os possíveis efeitos econômicos e políticos da medida e alertou para os impactos que uma imagem negativa do Brasil pode gerar na atração de investimentos internacionais e no crescimento da economia nacional.