O “Palavra de Médico” deste domingo (24) falou sobre a ferritina alta. A ferritina é uma proteína responsável por armazenar ferro no organismo. Quando os seus níveis estão aumentados (acima de 200 ng/mL em mulheres ou 300 ng/mL em homens), é fundamental investigar a causa, que pode variar desde inflamações simples até excesso real de ferro.
O clínico geral e cirurgião Tarcízio Pimenta fez um importante alerta sobre os cuidados necessários com a ferritina, proteína responsável pelo armazenamento do ferro no organismo. O especialista explicou que a interpretação equivocada dos exames e o uso indiscriminado de suplementos de ferro podem provocar sérios danos à saúde.
Segundo o médico, muitas pessoas ainda confundem ferritina com ferro. Ele esclareceu que a ferritina é uma proteína complexa produzida principalmente no fígado, na medula óssea, no baço e nos músculos, cuja função é armazenar o ferro de forma segura dentro do organismo. “O ferro não pode circular livremente em grandes quantidades no sangue porque se torna tóxico. Ele precisa ser transportado e armazenado por proteínas como a ferritina, a transferrina, a hemoglobina e a hemossiderina”, explicou.
De acordo com Tarcízio Pimenta, um dos erros mais comuns ocorre quando o paciente recebe o resultado do exame e, ao perceber a ferritina baixa, decide iniciar por conta própria o uso de medicamentos à base de ferro, como sulfato ferroso e polivitamínicos.
O médico alertou que essa prática pode causar problemas sérios no fígado, coração, artérias, pâncreas e em outros órgãos do corpo. “Comprar ferro e tomar sem orientação médica pode trazer consequências graves. Antes de qualquer tratamento, é preciso investigar a causa da alteração da ferritina”, afirmou.
O especialista destacou que, em muitos casos, a ferritina baixa pode estar relacionada apenas à alimentação inadequada ou à perda excessiva de sangue, principalmente em mulheres com fluxo menstrual intenso.
Ele explicou que a correção alimentar muitas vezes já é suficiente para normalizar os níveis da substância. Entre os alimentos ricos em ferro citados pelo médico estão feijão, lentilha, grão-de-bico, ervilha, repolho, beterraba, couve, verduras verdes, abóbora, batata, castanha de caju, amêndoas, fígado, carnes vermelhas e miúdos de boi e frango.
Além disso, o médico ressaltou a importância da vitamina C na absorção do ferro pelo organismo.
Durante a entrevista, Tarcízio Pimenta também chamou atenção para os riscos da ferritina elevada. Segundo ele, a alteração pode funcionar como marcador inflamatório e foi bastante utilizada durante a pandemia da Covid-19 para acompanhar a evolução de pacientes graves. “O excesso de ferro leva à inflamação. Hoje a ferritina também é usada para identificar processos inflamatórios no organismo”, explicou.
Entre os sintomas e problemas associados à ferritina alta, o médico destacou:
- cansaço constante e falta de energia;
- fadiga mesmo após dormir bem;
- dores articulares;
- alterações na coloração da pele;
- aspecto bronzeado sem exposição solar;
- queda de cabelo;
- problemas no fígado;
- esteatose hepática;
- hepatites;
- alterações metabólicas;
- comprometimento da memória;
- degeneração de células nervosas.
Segundo ele, o acúmulo de ferro pode atingir inclusive o cérebro, favorecendo processos de degeneração neural e alterações cognitivas. “O excesso de ferritina pode provocar degeneração das células nervosas e comprometer a memória da pessoa”, alertou.
O médico explicou ainda que os níveis normais de ferritina variam entre homens e mulheres. Nas mulheres, os valores geralmente ficam entre 30 e 300 nanogramas por mililitro. Já nos homens, podem chegar a 350 nanogramas por mililitro. De acordo com o especialista, isso ocorre porque os homens possuem maior quantidade de massa muscular, local onde também há produção de ferritina.
Outro ponto destacado por Tarcízio Pimenta foi a necessidade de cautela antes de indicar procedimentos como sangrias terapêuticas, retirada de sangue para redução dos níveis de ferro no organismo.
Ele relatou já ter visto pacientes serem encaminhados de forma precipitada para retirada de 300 a 500 ml de sangue apenas com base em alterações isoladas da ferritina, sem investigação adequada. “Às vezes uma simples gripe ou virose pode elevar a ferritina. Nem sempre há necessidade de procedimentos mais invasivos”, explicou.
Para um diagnóstico correto, o médico defende que a avaliação da ferritina seja associada a outros exames laboratoriais, como PCR, VHS, DHS, TGO, TGP, bilirrubinas, glicemia, colesterol, triglicerídeos e exames para investigação de hepatites. Segundo ele, somente a análise completa do quadro clínico pode indicar a real causa da alteração.
Ao final da entrevista, Tarcízio Pimenta reforçou que a ferritina é um exame extremamente importante, mas precisa ser interpretado corretamente para evitar tratamentos inadequados e riscos à saúde. “A ferritina precisa ser solicitada e analisada com responsabilidade. Muitas vezes o paciente precisa apenas de orientação médica e mudança na alimentação, não de medicamentos”, concluiu.
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