Pré-candidato ao Senado, João Roma comentou ontem (25) a repercussão envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o banqueiro Daniel Vorcaro. Durante entrevista à rádio Baiana FM, Roma afirmou que há tratamento desigual sobre o caso.
A repercussão teve início após a divulgação de mensagens, documentos e áudios que apontariam uma negociação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro para um aporte de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões, destinado ao financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Roma citou, ao comentar o episódio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e afirmou que o caso estaria sendo tratado de forma diferente pela opinião pública e pela imprensa. “Seria mesmo o nome disso um escândalo? Porque, se for, Lula vai ter que renunciar ao mandato de presidente. Porque, além de receber Vorcaro de forma secreta, ele também aconselhou e interagiu", justificou.
"Então houve o áudio do Flávio, e o próprio Flávio demonstrou com clareza, inclusive em uma entrevista para a GloboNews, que a Globo não só tinha solicitado, como recebido recursos. Assim como Flávio Bolsonaro tinha solicitado patrocínio, como Vorcaro patrocinou o filme de Lula e de Temer. Então o que me surpreende muito ao tratar do Brasil, do processo político e dos interesses de alguns, é realmente a diferença de tratamento, um caminho de dois pesos e duas medidas”, acrescentou.
Na mesma entrevista, João Roma também comentou o debate em torno da jornada de trabalho no país e afirmou ser favorável à adoção da escala 5x2 e ao fim do modelo 6x1. Apesar disso, o pré-candidato criticou o uso do tema em meio ao cenário eleitoral e defendeu uma discussão mais ampla sobre os impactos da medida.
“Eu sou a favor da escala 5x2, mas como eu comentei na entrevista, esse tema fica sendo utilizado como uma peça de manobras às vésperas do período eleitoral. Esse é um tema muito sério, que envolve ocupação, empregabilidade das pessoas, que envolve panoramas, em um mundo competitivo como esse, que muitas vezes não são suscitados”, declarou.
Roma também afirmou que o debate precisa considerar a realidade de empreendedores e trabalhadores informais. “Há uma quantidade maior de empreendedores do que pessoas com carteira assinada. Então, como ficam essas pessoas?”, questionou.
Durante a entrevista, o ex-ministro ainda direcionou críticas ao também pré-candidato ao Senado, Rui Costa (PT). Roma afirmou que o petista tenta manter uma imagem ligada à origem humilde, apesar do estilo de vida que leva atualmente: “Rui Costa é ‘sabor pobre’. Ele gosta muito de dizer que é da pobreza, das origens. Agora, merecidamente, eu soube que ele está de férias na Europa, não está na Ribeira ou aproveitando a nossa Bahia de Todos os Santos. Acho justo, merecido".
"Eu só critico justamente as pessoas que ficam todo o tempo escondendo os benefícios de uma vida que conquistou com seu salário, melhor que a maioria dos baianos. Acho justo ele aproveite sua vida e tenha esses benefícios, mas não acho correto ele manipular o cidadão baiano, querendo colocar uma capa de pobreza e humildade”, completou Roma.