Política Fim da escala 6x1
Deputados baianos recuam após reação a emenda que adia fim da escala 6x1
A proposta passou a gerar críticas por estabelecer uma transição considerada longa para o fim da atual escala.
21/05/2026 08h23
Por: Karoliny Dias Fonte: Tribuna da Bahia
Foto: Divulgação

A discussão sobre o fim da escala 6x1 no Brasil ganhou um novo capítulo e provocou desgaste entre parlamentares baianos. Deputados federais que assinaram uma emenda à PEC 221/2019, proposta que estabelece regras de transição e prevê que a redução da jornada de trabalho seja implementada apenas em dez anos, passaram a recuar após a repercussão negativa da medida. Em alguns casos, parlamentares solicitaram a retirada das assinaturas ou alegaram que o apoio ao texto não representava concordância com o mérito da proposta.

Entre os deputados baianos que assinaram a emenda estão Capitão Alden (PL-BA), Arthur Oliveira Maia (União Brasil-BA), José Rocha (União Brasil-BA), Roberta Roma (PL-BA), João Carlos Bacelar (PL-BA), Diego Coronel (Republicanos-BA), Paulo Azi (União Brasil-BA), Rogéria Santos (Republicanos-BA) e Claudio Cajado (PP-BA).

A proposta passou a gerar críticas por estabelecer uma transição considerada longa para o fim da atual escala. Diante das reações, alguns parlamentares buscaram justificar o apoio inicial ou afastar interpretações de que seriam contrários à redução da jornada.

O deputado federal Capitão Alden afirmou nesta quarta-feira (20) que assinou a emenda por entender que mudanças desse porte precisam ocorrer de forma planejada para evitar impactos econômicos. Segundo ele, o debate sobre a melhoria das condições de trabalho é legítimo, mas exige estudos técnicos.

“Sou favorável ao debate sobre melhoria da qualidade de vida do trabalhador. Quem não quer trabalhar menos e viver melhor? O problema é fazer uma mudança dessa magnitude sem estudo econômico, sem planejamento e sem dizer quem vai pagar a conta”, afirmou.

O parlamentar também argumentou que o país ainda enfrenta desafios estruturais que precisariam ser considerados antes de alterações mais amplas nas relações de trabalho. “O Brasil já resolveu problemas como baixa produtividade, alta carga tributária, burocracia e informalidade? Não podemos copiar apenas o resultado [de outros países] sem construir o caminho”, acrescentou.

A deputada Roberta Roma também buscou se distanciar do conteúdo da emenda. Ela afirmou que a assinatura não refletia sua posição sobre o tema e defendeu uma solução que não postergue excessivamente a mudança.

“A assinatura de uma emenda que adia essa conquista por uma década não reflete minha posição real sobre o tema”, declarou. A parlamentar ainda criticou o que classificou como tentativa de transformar o tema em disputa política.

Já Rogéria Santos protocolou um pedido para retirada da assinatura, alegando necessidade de uma análise mais aprofundada. Arthur Oliveira Maia, por sua vez, reafirmou apoio ao fim da escala 6x1 e disse que assinou a emenda apenas para permitir a discussão da matéria, defendendo posteriormente a implantação da jornada 5x2.