Ao longo da Avenida Presidente Dutra, é possível observar o abandono e a morte gradual de árvores de grandes proporções. Essas árvores, que poderiam proporcionar sombra e amenizar o calor da cidade, estão perdendo suas folhas, galhos e troncos, fenômenos claramente visíveis e que se intensificam a cada ano. O período e a intensidade do abandono e da morte de algumas espécies diferem de outros locais, mas evidências indicam que o problema é mais acentuado na margem leste da avenida, do sentido Centro-bairro. No período seco, as árvores são as que mais apresentam sinais de abandono e morte.
A Avenida Presidente Dutra, localizada em Feira de Santana, caracteriza-se pelo comércio ativo e por um fluxo intenso de veículos de diferentes tamanhos. O entorno apresenta edifícios de médio porte na área central, caracterizados por comércio e serviços. A predominância de construção de pequeno porte, somada às características sociais e econômicas do local, tem favorecido a manutenção de áreas verdes, por meio da presença de várias árvores em calçadas e outros espaços. Essas árvores têm contribuído para amenizar as condições urbanas, tornando o local menos árido e mais adequado ao bem-estar da comunidade, à saúde pública e ao funcionamento da atividade econômica.
Apesar de sua importância, um número considerável de árvores apresenta sinais de abandono e morte gradual. Os primeiros sinais geralmente se manifestam nos meses mais quentes, em decorrência do estresse hídrico, mas o processo de morte e decadência parece se intensificar com a chegada do período chuvoso, propício à ocorrência de doenças e pragas.
O aparecimento de fungos na base do tronco e a observação de árvores secas são evidências visíveis desse fenômeno, sendo que alguns dos exemplares mortos apresentam seguimento da decomposição pelo tronco. Essa situação, além de acarretar o desmonte de áreas verdes, pode aumentar o risco de quedas e de comprometer a segurança dos frequentadores do local.
A degradação destas árvores traz impactos diretos sobre o meio ambiente e a qualidade de vida da população. A perda de árvore significa a diminuição da sombra, um bem essencial que ameniza a temperatura escaldante da Cidade Princesa e reduz a necessidade de energia para climatização de ambientes; a redução de biodiversidade, que afeta o equilíbrio de insetos e animais; e a maior probabilidade de quedas, provocando danos e riscos a cidadãos e veículos.
À escala urbana, o abandono de árvores influi na saúde pública, provoca custos elevados de manutenção e repercute na mobilidade. Os serviços ecossistêmicos que essas árvores oferecem são fundamentais para regular o microclima, filtrando o ar e contribuindo para a absorção de água de chuva. De forma mais precisa, a ausência de arborização compromete a qualidade do ar, diminui o bem-estar e a sensação de conforto, e aumenta a probabilidade de enchentes.
O aumento do número de árvores em estado de abandono e da mortalidade gradual em grande parte da cidade, principalmente nas principais Avenidas, têm motivações biológicas, urbanas, climáticas e institucionais. Além de não existir uma administração publica preocupada em humanizar a Princesa do Sertão – arvore não dão votos – também observam-se a presença de pragas e doenças, estresse hídrico e outros fatores que deterioram a saúde das plantas e as tornam mais suscetíveis ao abandono.
O gerenciamento – se é que existe – inadequado dos espécimes na área urbana, que requerem corte ou intervenções específicas, contribui para essa situação, especialmente quando se utilizam técnicas incorretas de poda. O clima, que na região frequentemente apresenta períodos prolongados de seca e, em contrapartida, chuvas localmente intensas, também pode ser um fator que causa o abandono. Finalmente, a falta ou ausência de um planejamento mais detalhado e da fiscalização do Poder Público podem ser motivações para essa situação.
O que pode-se dizer é que as árvores são muito importantes para a saúde e o bem-estar da população. Elas oferecem sombra, ajudam a controlar a umidade, atenuam temperaturas elevadas e melhoram a qualidade do ar além de embelezar a paisagem. Na Avenida Presidente Dutra, em Feira de Santana, o número de árvores que apresentam sinais de abandono e morte cresce há anos e a comunidade perde os benefícios oferecidos por essas plantas enquanto o poder público está preocupado com o famigerado voto.
Por Alberto Peixoto