Polícia Operação da PF
Ex-governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro é alvo de operação da PF
Agentes cumpriram mandado de busca na residência do político, localizada em um condomínio na região da Barra da Tijuca.
15/05/2026 08h37
Por: Karoliny Dias Fonte: Bahia.Ba
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Polícia Federal (PF) realizou, na manhã desta sexta-feira (15), uma operação que teve como um dos alvos o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. Agentes cumpriram mandado de busca na residência do político, localizada em um condomínio na região da Barra da Tijuca, área nobre da capital fluminense.

A ação faz parte da Operação Sem Refino, que também tem como alvo o empresário Ricardo Magro, ligado ao grupo empresarial responsável pela Refit, controlador da Refinaria de Manguinhos.

Contra o empresário foi expedido mandado de prisão preventiva, além de pedido de inclusão do nome na Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo usado para localizar e prender investigados em outros países. Ele reside atualmente em Miami.

Segundo a Polícia Federal, a investigação apura a atuação de um grupo empresarial do setor de combustíveis suspeito de ocultação de patrimônio, dissimulação de bens e envio irregular de recursos ao exterior.

Ao todo, a operação cumpre 17 mandados de busca e apreensão e sete medidas de afastamento de função pública, em ações realizadas no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Distrito Federal. As determinações foram autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo Tribunal Federal.

Bloqueio de ativos e suspeitas fiscais

As apurações também envolvem possíveis irregularidades fiscais e inconsistências relacionadas à operação de uma refinaria associada ao grupo investigado. Por decisão judicial, cerca de R$ 52 bilhões em ativos financeiros foram bloqueados, além da determinação de suspensão das atividades econômicas de empresas ligadas à investigação.

A operação integra investigações conduzidas pela Polícia Federal no contexto da chamada ADPF das Favelas, processo que discute a atuação de forças de segurança no estado e possíveis conexões entre organizações criminosas e agentes públicos. Os trabalhos contam com apoio técnico da Receita Federal do Brasil.

Contexto político

Cláudio Castro deixou o governo do estado em 23 de março, antes da retomada do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que o declarou inelegível por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. Com a renúncia, a Corte considerou prejudicada a análise sobre uma eventual cassação do mandato.

Desde então, o comando do estado passou interinamente para o presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), o desembargador Ricardo Couto, enquanto segue a discussão no Supremo sobre o modelo de escolha do governador que deverá completar o mandato até as próximas eleições.