A Bahia registrou taxa de desocupação de 9,2% no primeiro trimestre de 2026, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC) divulgados na última quinta-feira (14) pelo IBGE. Apesar da alta em relação ao último trimestre de 2025, quando o índice era de 8,0%, o resultado representa a menor taxa para um primeiro trimestre em toda a série histórica iniciada em 2012.
O levantamento mostra que a Bahia voltou a ter a segunda maior taxa de desemprego do Brasil, empatada com Pernambuco e Alagoas, ficando atrás apenas do Amapá. O índice baiano também permaneceu acima da média nacional, que chegou a 6,1% no período.
No município de Salvador, a taxa de desocupação ficou em 10,2%, acima da registrada no estado e também superior aos índices observados no trimestre anterior e no mesmo período de 2025. Com isso, a capital baiana voltou a liderar o ranking nacional entre as capitais com maior desemprego.
Já na Região Metropolitana de Salvador, a taxa alcançou 11,2%, permanecendo como a maior entre as 21 regiões metropolitanas pesquisadas pelo instituto. O resultado também superou os índices do fim de 2025 e do primeiro trimestre do ano passado.
Mesmo com o avanço do desemprego na comparação trimestral, o número de pessoas ocupadas na Bahia chegou a 6,451 milhões entre janeiro e março deste ano, o maior contingente já registrado para um primeiro trimestre. Em relação ao mesmo período de 2025, houve crescimento de 3,3%, com saldo positivo de 207 mil trabalhadores.
Na comparação com o quarto trimestre do ano passado, porém, o estado perdeu 177 mil postos de trabalho, uma retração de 2,7%. Segundo o IBGE, a redução está relacionada principalmente à sazonalidade do mercado, marcada pelo encerramento de vagas temporárias criadas no período de festas e férias.
O número de pessoas desocupadas chegou a 657 mil no estado, crescimento de 13,9% frente ao trimestre anterior. Ainda assim, foi o menor contingente de desempregados para um primeiro trimestre em toda a série histórica da pesquisa.
O levantamento também mostrou queda no número de trabalhadores informais. Entre janeiro e março, 3,265 milhões de pessoas atuavam na informalidade na Bahia, redução de 3,9% frente ao último trimestre de 2025. Com isso, a taxa de informalidade caiu para 50,6%, a menor já registrada para um primeiro trimestre em 15 anos.
O principal destaque positivo do mercado de trabalho baiano foi o crescimento do emprego com carteira assinada no setor privado. O estado atingiu recorde histórico de 1,797 milhão de trabalhadores formais, após aumento de 30 mil vagas em relação ao trimestre anterior.
Por outro lado, a maior redução ocorreu entre os trabalhadores por conta própria, com perda de 60 mil ocupações. O setor público também registrou queda expressiva, com menos 55 mil trabalhadores no período.
Entre os segmentos econômicos, a administração pública, defesa, educação, saúde e serviços sociais apresentou a maior perda de postos de trabalho, com redução de 82 mil pessoas ocupadas. A construção civil veio em seguida, com retração de 50 mil trabalhadores.
Em contrapartida, o setor de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas teve saldo positivo de 20 mil ocupações no trimestre.
Na comparação anual, a administração pública liderou a geração de vagas, com acréscimo de 106 mil trabalhadores. Já a indústria geral registrou o pior desempenho, perdendo 48 mil postos de trabalho em relação ao primeiro trimestre de 2025.
Os dados do IBGE também apontam melhora no rendimento dos trabalhadores. O rendimento médio mensal real na Bahia chegou a R$ 2.483 no primeiro trimestre de 2026, alta de 3,7% frente ao trimestre anterior e de 8,9% na comparação anual.
Em Salvador, o rendimento médio alcançou R$ 3.568, avanço de 12,2% em relação ao fim de 2025. Na Região Metropolitana, o valor médio ficou em R$ 3.313, com crescimento de 10,3%.
A massa de rendimento real habitual dos trabalhadores baianos somou R$ 15,703 bilhões no período, aumento de 0,9% frente ao trimestre anterior e de 12,1% em comparação ao primeiro trimestre do ano passado.
Segundo o IBGE, os movimentos observados no mercado de trabalho refletem fatores sazonais típicos do início do ano, mas os resultados históricos indicam um cenário de recuperação gradual da ocupação e do rendimento no estado.