A cidade de Santa Bárbara, localizada na região sisaleira e próxima a Feira de Santana, vive dias de forte repercussão política após a revogação do Decreto nº 30/2026, que havia declarado situação de emergência no município devido às fortes chuvas registradas no início do ano.
A decisão assinada pelo prefeito Edifrancio de Jesus Oliveira passou a gerar questionamentos entre moradores e lideranças políticas após comentários sobre a possível realização de um São João antecipado de grande porte, com elevados investimentos públicos, começarem a circular nos bastidores da cidade.
A principal dúvida levantada pela população é direta: se o município enfrentava uma situação considerada grave a ponto de justificar um decreto de emergência, por qual motivo agora estaria discutindo a realização de uma festa milionária?
O Decreto nº 30/2026, publicado em 11 de março deste ano, afirmava oficialmente que o município enfrentava transtornos provocados por “fortes e intensas chuvas”, causando prejuízos em diversas localidades. No documento, a Prefeitura apontava danos em estradas vicinais, alagamentos, erosões e prejuízos à infraestrutura pública municipal, principalmente em comunidades rurais.
O texto também relatava prejuízos em residências, propriedades rurais, atividades produtivas e dificuldades de mobilidade enfrentadas por moradores da zona rural devido às condições das vias de acesso. Ainda segundo o decreto, relatórios técnicos da Defesa Civil municipal indicavam necessidade urgente de adoção de medidas emergenciais.
Com a publicação do decreto, a administração municipal autorizou a mobilização total dos órgãos públicos para ações de resposta aos danos causados pelas chuvas. O documento também permitia a adoção de medidas administrativas urgentes, utilização de propriedades em situações de risco e até dispensa de licitação para contratação de bens, serviços e obras destinadas à recuperação das áreas afetadas.
Na ocasião, a própria gestão municipal reconheceu oficialmente a gravidade da situação enfrentada pelo município. Porém, no último dia 11 de maio, a Prefeitura publicou o Decreto nº 46/2026, revogando integralmente a situação de emergência decretada anteriormente.
O novo documento cancela oficialmente o decreto emergencial de março, mas não detalha publicamente quais fatores técnicos motivaram a mudança de entendimento da administração municipal. A decisão chamou atenção principalmente de moradores da zona rural, que ainda relatam dificuldades estruturais e impactos provocados pelas chuvas registradas nos últimos meses.
Paralelamente à revogação do decreto, comentários sobre a possível realização de um São João antecipado de grande porte passaram a movimentar os bastidores políticos da cidade.
A situação aumentou a repercussão entre moradores, comerciantes e lideranças locais, principalmente diante do contraste entre o cenário emergencial apresentado pela própria Prefeitura há menos de dois meses e a possibilidade de elevados investimentos em festividades.
Nas ruas e nas redes sociais, moradores passaram a questionar se os recursos públicos não deveriam ser direcionados para recuperação de estradas vicinais, assistência às famílias afetadas e melhorias estruturais em comunidades rurais.
A presidente municipal do MDB em Santa Bárbara e integrante da oposição, Ana Paula Cunha, comentou o assunto nas redes sociais e questionou a decisão da Prefeitura de revogar o decreto emergencial.
Segundo ela, o município não teria sofrido impactos suficientes para justificar a decretação da emergência desde o início. “Dois meses exatamente depois, no dia 11 de maio, ele revogou este decreto. Agora ele não diz a justificativa porque revogou. Nós sabemos desde o primeiro decreto que houve fortes chuvas, mas que não teve impacto nenhum dentro do município, é sabido por todos”, afirmou.
Ana Paula também levantou questionamentos sobre os motivos da revogação da medida. “Por que será que dois meses depois o prefeito revoga um decreto que ele deu em março? Perguntar não ofende”, declarou.
Até o momento, a Prefeitura de Santa Bárbara não apresentou publicamente detalhes técnicos sobre a revogação do decreto emergencial nem confirmou oficialmente os rumores envolvendo possíveis investimentos milionários no tradicional São João do município.
Enquanto isso, o assunto segue repercutindo em Santa Bárbara e em cidades da região sisaleira, ampliando o debate sobre responsabilidade administrativa, prioridades públicas e transparência na aplicação dos recursos municipais.
Com informações do site Bahia Notícia