Bahia Regulação das redes
Quase 80% dos pais baianos apoiam regulação das redes para proteger menores
Levantamento revela que famílias consideram insuficiente o controle apenas dentro de casa.
12/05/2026 08h18 Atualizada há 1 hora atrás
Por: Karoliny Dias Fonte: A Tarde
Cresce pressão por regras mais rígidas nas redes sociais após avanço do uso infantil - Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

O avanço do uso de celulares entre crianças e adolescentes tem levado pais baianos a cobrar maior controle sobre as plataformas digitais. Uma pesquisa realizada pela AtlasIntel, em parceria com o jornal A TARDE, mostra que 78,2% dos pais e responsáveis na Bahia defendem uma ampliação da regulação das redes sociais para restringir o acesso de menores a conteúdos nocivos.

O dado revela uma mudança importante na percepção das famílias: mesmo com regras em casa, apenas o controle familiar já não é suficiente diante da influência dos algoritmos e da exposição precoce às telas.

O debate sobre a transferência de parte da responsabilidade para o poder público ganha força com o apoio popular massivo. Para o advogado digital, Afonso Morais, essa intervenção não é apenas uma demanda social, mas um dever jurídico.

“O Estado pode e deve atuar quando existe risco à integridade de crianças e adolescentes. A liberdade de expressão não é absoluta. O próprio Estatuto da Criança e do Adolescente e a Constituição permitem limites quando há violência, exploração infantil, pornografia ou estímulo a crimes nas plataformas”, afirma.

Foto: Túlio Carapiá

Apoio à intervenção estatal cresce entre famílias

O apoio à regulação das plataformas digitais aparece de forma ampla entre diferentes perfis sociais, mas com diferenças significativas entre gênero, renda e posicionamento político.

Entre as famílias com renda entre R$ 2 mil e R$ 3 mil, o índice de aprovação da intervenção estatal chega a 92,5%, o maior registrado pela pesquisa.

As mulheres demonstram maior adesão à ideia de intervenção estatal. Segundo o levantamento, 83,8% das mães ou responsáveis do sexo feminino defendem maior regulação das plataformas digitais, contra 70,1% dos homens.

O recorte político revela uma das maiores divisões do estudo. Entre os eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 90,6% apoiam maior regulação das redes sociais. Já entre os eleitores do ex-presidente Jair Bolsonaro, a maioria rejeita a medida: 53,8% se posicionam contra a ampliação da intervenção estatal.

Apesar das divergências políticas, o temor sobre os efeitos das redes sociais entre menores é praticamente consensual. O estudo mostra que 65% dos pais estão muito preocupados com dependência digital e 55% apontam receio relacionado à saúde mental dos filhos.