O “Palavra de Médico” deste domingo (11), Dia das Mães, falou sobre os triglicerídeos. Triglicerídeos Triglicerídeos são o principal tipo de gordura no corpo, armazenando energia extra proveniente da dieta, especialmente de calorias consumidas em excesso. Níveis altos (acima de \(150 \text{ mg/dL}\) ou \(175 \text{ mg/dL}\), dependendo do jejum) aumentam riscos de doenças cardíacas, infarto e pancreatite. O tratamento foca em dieta, exercícios e perda de peso.
O clínico geral e cirurgião Tarcízio Pimenta começou o quadro aproveitando o período do Dia das Mães para prestar homenagens às mães de Feira de Santana, da Bahia e de todo o Brasil, ressaltando o papel fundamental exercido por elas dentro das famílias e da sociedade. “Hoje muitas mães são chefes de casa, grandes gestoras, cuidadoras e exercem funções duplas e triplas. São mulheres que lutam diariamente pela educação dos filhos e pelo bem-estar da família”, afirmou o médico.
Em um momento emocionado, Tarcízio também relembrou a própria mãe, já falecida, destacando a gratidão pelo carinho, dedicação e incentivo recebidos ao longo da vida.
Após a homenagem, o médico abordou um tema importante para a saúde cardiovascular: os triglicerídeos elevados. Segundo ele, apesar de muitas pessoas se preocuparem apenas com o colesterol, o triglicerídeo também representa um grande risco à saúde e, muitas vezes, não recebe a devida atenção.
Durante a entrevista, Tarcízio explicou que existe uma grande confusão sobre a origem das gorduras no organismo. Segundo ele, há um mito de que apenas o consumo de gordura aumenta os níveis de gordura no sangue. “O problema não está somente na gordura que a pessoa come. O grande responsável pelo aumento dos triglicerídeos são os carboidratos e os açúcares”, destacou.
O médico explicou ainda que alimentos como pão branco, bolachas, bolos, arroz, macarrão, refrigerantes e sucos industrializados são os principais responsáveis pela produção excessiva de triglicerídeos no fígado. “O triglicerídeo é uma gordura produzida principalmente a partir do excesso de carboidratos. Quando a pessoa come muito e não gasta energia, o organismo transforma isso em gordura armazenada”, disse.
Ele ainda ressaltou que o colesterol e os triglicerídeos têm funções diferentes no corpo humano. “O colesterol tem funções estruturais importantes, participa da produção de hormônios, vitamina D e membranas celulares. Já o triglicerídeo funciona como reserva de energia. O problema é quando essa reserva fica excessiva”, explicou.
Tarcízio ainda alertou que o triglicerídeo alto é considerado uma doença silenciosa, já que na maioria dos casos não apresenta sintomas evidentes. “Os sintomas geralmente aparecem quando já existe uma doença instalada, como infarto, derrame cerebral ou obstrução dos vasos sanguíneos”, alertou.
Entre os sinais que podem surgir, ele citou:
- tontura;
- cansaço;
- sangue mais espesso;
- dificuldade de circulação;
- depósitos de gordura nas pálpebras;
- dores no peito;
- fadiga excessiva.
De acordo com Tarcízio, o aumento dos triglicerídeos contribui para o endurecimento e entupimento das artérias, elevando os riscos de doenças cardiovasculares graves.
Um dos principais alertas feitos pelo médico foi em relação à pancreatite, inflamação grave do pâncreas frequentemente associada aos níveis muito altos de triglicerídeos. “A pancreatite normalmente acontece quando os triglicerídeos ultrapassam 500. A pessoa sente uma dor abdominal muito forte, que irradia para as costas, acompanhada de vômitos e sudorese intensa”, explicou. Segundo ele, trata-se de uma doença grave e potencialmente fatal.
Tarcízio Pimenta também ressaltou a importância da realização periódica de exames laboratoriais e da correta interpretação dos resultados. Segundo ele, os níveis ideais de triglicerídeos devem ficar abaixo de 150 mg/dL.
- Até 150 mg/dL: considerado normal;
- Entre 150 e 200 mg/dL: nível de alerta;
- Acima de 500 mg/dL: risco elevado para pancreatite e complicações graves.
O médico explicou ainda que, preferencialmente, o exame deve ser realizado em jejum, embora também possa ser feito após alimentação.
Ao longo do quadro, Tarcízio reforçou que o tratamento e a prevenção dos triglicerídeos elevados dependem principalmente da mudança de hábitos. Ele recomendou a redução do consumo de:
- açúcar refinado;
- massas;
- pães;
- bolachas;
- refrigerantes;
- doces;
- alimentos ultraprocessados.
Por outro lado, destacou a importância das chamadas “gorduras boas”, presentes em alimentos como:
- azeite de oliva;
- abacate;
- peixes;
- castanhas.
Outro ponto enfatizado pelo médico foi a prática regular de atividade física. “Está comprovado que a atividade física ajuda diretamente a reduzir os triglicerídeos. Caminhadas e exercícios de 30 a 60 minutos diariamente já ajudam bastante”, afirmou.
Segundo ele, enquanto o colesterol nem sempre reduz apenas com exercícios, os triglicerídeos costumam responder muito bem à prática física regular.
Além da alimentação equilibrada e dos exercícios, o médico destacou que o controle do estresse também influencia diretamente nos níveis de triglicerídeos. “O estresse, a alimentação inadequada e o sedentarismo formam um conjunto perigoso para a saúde cardiovascular”, alertou.
Como de costume, Tarcízio também citou algumas alternativas naturais que podem auxiliar no controle dos triglicerídeos, embora ressalte que elas não substituem acompanhamento médico.
Entre as opções mencionadas estão:
- suco de abacaxi com bagaço de laranja;
- suco de beterraba com maçã;
- água de aveia com canela.
Ao encerrar sua participação no quadro Palavra de Médico, Tarcízio Pimenta fez um apelo para que a população passe a observar com mais atenção os níveis de triglicerídeos nos exames laboratoriais. “Pergunte ao seu médico como estão seus triglicerídeos. Muitas vezes as pessoas só perguntam sobre colesterol e esquecem dessa gordura silenciosa, que pode trazer consequências muito graves”, concluiu.
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