Política Feira de Santana
Jerônimo defende escuta popular no PGP, critica oposição e reforça vínculos com Feira de Santana
Governador participou da plenária do Programa de Governo Participativo no Portal do Sertão, destacou a participação popular na construção das propostas para 2026 e comentou temas como juventude, educação e região metropolitana de Feira.
09/05/2026 13h36 Atualizada há 2 horas atrás
Por: Karoliny Dias Fonte: Boca de Forno News

Foto: Boca de Forno News

O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, participou neste sábado (9), em Feira de Santana, da Grande Plenária Territorial do Programa de Governo Participativo (PGP 2026), iniciativa batizada de “Encontros para o Futuro”, que reúne lideranças políticas, movimentos sociais, prefeitos e representantes de diversos segmentos para discutir propostas para o futuro da Bahia.

O encontro aconteceu no Território Portal do Sertão e contou também com as presenças do vice-governador Geraldo Júnior, do ministro e pré-candidato ao Senado Rui Costa e do senador Jaques Wagner, que retornou recentemente de agenda internacional na China.

Durante entrevista à imprensa, Jerônimo afirmou que o diferencial do PGP é justamente a participação popular na elaboração do programa de governo. Segundo ele, o processo vai além das discussões técnicas internas e busca ouvir diretamente a população em todas as regiões do estado. “Nós poderíamos fazer um programa de governo dentro de quatro paredes, mas temos um modo diferente. Ouvimos empresários, movimentos sociais, profissionais, secretários e, principalmente, o povo para entender onde estão as necessidades da população”, afirmou.

O governador também fez críticas à oposição e citou o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, ao comentar sobre modelos de elaboração de propostas de governo. “Infelizmente a nossa oposição não sabe fazer isso e não gosta. A gente primeiro escuta o povo para entender onde o calo aperta”, declarou.

Jerônimo ainda criticou indicadores da educação municipal de Salvador e mencionou problemas envolvendo creches da capital baiana. Apesar das críticas, ele ressaltou que o foco do encontro era a escuta das demandas do Portal do Sertão.

Ao explicar como funcionará o PGP, o governador destacou que o evento marca apenas o início do processo de escuta popular. Segundo ele, após as plenárias será aberta uma plataforma virtual para recebimento de sugestões da população. “Qualquer pessoa da Bahia poderá sugerir melhorias, como água, estrada vicinal ou outras demandas. A gente acolhe isso e coloca no programa de governo aquilo que for possível executar”, explicou.

Questionado sobre o cenário político em Feira de Santana e o crescimento da oposição na cidade, Jerônimo evitou tratar o tema como disputa eleitoral e destacou sua relação pessoal com o município. “Meu filho nasceu aqui, minha esposa e minha família são daqui. Minha carteira profissional foi assinada aqui na Universidade Estadual de Feira de Santana. Minha casa é aqui”, disse o governador, ao recordar momentos recentes em que circulou pela cidade, visitando comércio popular, cortando cabelo e encontrando moradores.

Jerônimo também comentou sobre o projeto de consolidação da Região Metropolitana de Feira de Santana. Segundo ele, o governo pretende avançar nas discussões para fortalecer a integração regional e ampliar serviços estratégicos. Entre os temas debatidos está a possibilidade de expansão da rede de saúde, incluindo a implantação do HGCA III para atender municípios da região metropolitana.

Outro ponto destacado pelo governador foi o diálogo com a juventude. Jerônimo afirmou que o governo busca compreender as novas demandas dos jovens para adequar políticas públicas nas áreas de educação, emprego, empreendedorismo, esporte e cultura. “Às vezes nós gestores achamos que sabemos o que a juventude quer, mas precisamos ouvir deles qual é o formato ideal. A juventude pode querer universidade, empreendedorismo, esporte ou cultura. O nosso desafio é equilibrar tudo isso”, afirmou.

Jerônimo Rodrigues - Foto: Boca de Forno News

O governador também destacou a importância da escola em tempo integral, mas ponderou que é necessário ouvir os estudantes sobre como as políticas devem ser implementadas. As plenárias do PGP seguem acontecendo em diferentes territórios da Bahia como parte da construção coletiva das propostas do grupo político liderado por Jerônimo Rodrigues para os próximos anos.

Vice-governador Geraldo Júnior

Já o vice-governador da Bahia, Geraldo Júnior, destacou a importância da união entre os governos federal, estadual e municipal durante participação na plenária do Programa de Governo Participativo (PGP 2026). Segundo ele, a parceria com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem sido fundamental para ampliar investimentos e promover ações de desenvolvimento na Bahia.

Durante entrevista, Geraldo Júnior ressaltou o papel do MDB na eleição de 2022 e reafirmou o alinhamento político do partido com o governador Jerônimo Rodrigues. De acordo com o vice-governador, o objetivo do grupo político é continuar promovendo transformações sociais e econômicas no estado. “A união com o governo federal é fundamental. O pacto federativo e o pacto social com o presidente Lula têm garantido resultados importantes para a Bahia, com geração de empregos, valorização do turismo, aumento salarial acima da inflação e fortalecimento da cidadania”, afirmou.

Geraldo Júnior destacou ainda que o PGP busca ampliar a participação popular na construção das propostas de governo, envolvendo movimentos sociais, lideranças políticas e representantes dos 417 municípios baianos. “Diferente de outros grupos políticos, nós governamos ao lado dos movimentos sociais. Esse processo está acontecendo nos 27 territórios de identidade da Bahia, ouvindo a população e construindo coletivamente as propostas”, declarou.

O vice-governador lembrou que as plenárias já passaram por regiões como Irecê e Chapada Diamantina antes de chegar ao Portal do Sertão, em Feira de Santana.

Ao comentar sobre o desenvolvimento econômico da cidade, Geraldo Júnior destacou o papel estratégico de Feira de Santana no fortalecimento da indústria baiana e na política de neoindustrialização defendida pelo governo federal. Segundo ele, a cidade possui importância decisiva para a geração de emprego, renda e movimentação da economia no interior do estado.

O vice-governador também mencionou a realização da INDEX, apontada por ele como uma das maiores feiras industriais da Bahia e do Nordeste. Geraldo destacou a parceria com a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB) e afirmou que o fortalecimento da indústria impacta diretamente outros setores econômicos. “Quando a indústria se fortalece, toda a cadeia econômica cresce junto, incluindo comércio, serviços, economia criativa, economia popular e solidária”, afirmou.

Geraldo Júnior também ressaltou o crescimento das chamadas “indústrias sem chaminé”, ligadas à economia criativa e aos setores culturais, apontando essas atividades como alternativas importantes para geração de renda tanto na capital quanto no interior da Bahia. Para o vice-governador, o fortalecimento industrial segue sendo um dos principais instrumentos para impulsionar a economia e ampliar oportunidades de trabalho no estado.

Senador Jaques Wagner

O senador Jaques Wagner demonstrou otimismo com o cenário político para as eleições de 2026 durante participação na plenária do Programa de Governo Participativo (PGP), realizada neste sábado (9), em Feira de Santana. Segundo o parlamentar, o grupo político liderado pelo governador Jerônimo Rodrigues chega fortalecido para a próxima disputa eleitoral após consolidar, desde 2007, uma ampla aliança partidária no estado.

Wagner afirmou que a base governista construiu uma trajetória marcada por investimentos e ações em diversas regiões da Bahia, o que, segundo ele, gera reconhecimento popular e atrai investimentos nacionais e internacionais. “Nós conseguimos construir um grupo político amplo, com partidos de diferentes orientações, mas unidos em torno de um programa de governo. A nossa história tem muito serviço prestado à Bahia e a Feira de Santana”, declarou.

O senador destacou ainda que encara o processo eleitoral com cautela e humildade, ressaltando que pesquisas não definem resultados antecipadamente. “Ninguém acreditava que venceríamos em vários momentos da nossa história política, mas o povo da Bahia reconheceu o trabalho realizado”, afirmou.

Ao comentar sobre as prioridades da Bahia no Senado Federal, Jaques Wagner disse que o foco continuará sendo a atração de investimentos, geração de empregos e fortalecimento de programas sociais em parceria com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entre os programas citados pelo senador estão o Minha Casa Minha Vida e o programa Pé-de-Meia, voltado para estudantes da rede pública.

Segundo Wagner, a Bahia vem se consolidando como um estado com segurança jurídica e ambiente favorável para novos negócios. O parlamentar revelou que retornou recentemente da China, onde acompanhou apresentações da Neojibá e aproveitou a agenda internacional para dialogar com empresários interessados em investir no estado. “A Bahia é a maior economia do Nordeste e continuará puxando o desenvolvimento regional. Nossa prioridade será sempre desenvolver a economia com inclusão social”, afirmou.

Questionado sobre sua motivação para disputar mais um mandato eletivo após ocupar cargos como governador, ministro e senador, Jaques Wagner disse que pretende continuar contribuindo com o debate político nacional. “Eu quero continuar fazendo boa política. A democracia é espaço de diálogo e confronto de ideias, não de ofensas ou agressões”, declarou.

O senador também comentou o encontro recente entre o presidente Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Wagner afirmou ter conversado com Lula após a reunião e destacou o reconhecimento internacional do presidente brasileiro. “O presidente Lula é hoje respeitado nos quatro cantos do mundo. Ele prega a paz, o desenvolvimento e a redução da pobreza”, disse.

Ainda conforme Jaques Wagner, as investigações envolvendo o banco Master e possíveis desdobramentos políticos do caso. Segundo ele, as apurações precisam avançar para esclarecer responsabilidades. “O Brasil precisa conhecer os verdadeiros culpados por esse talvez maior escândalo bancário da história brasileira”, afirmou.

O senador também citou o ministro André Mendonça ao comentar o andamento das investigações e defendeu aprofundamento das apurações conduzidas pela Polícia Federal.