O secretário de Cultura da Bahia, Bruno Monteiro, se pronunciou sobre as recentes reclamações de artistas quanto a atrasos de pagamentos e à concentração de contratações nas mãos de poucos produtores no estado. Em entrevista ao site Boca de Forno News, ele reconheceu a existência de situações pendentes, mas apontou desinformação em parte das críticas e garantiu que o governo está atuando para regularizar os casos.
Um dos exemplos citados envolve o cantor Kevi Jonny, que afirmou não ter recebido valores de apresentações desde 2023. Segundo o secretário, há episódios específicos que precisam de apuração. “Houve uma contratação que não foi honrada para um show recente e isso precisa ser esclarecido. O governo está dialogando para regularizar a situação”, afirmou, acrescentando que nem todas as informações divulgadas nas redes sociais refletem a realidade completa dos contratos.
Monteiro também contestou rumores sobre altos valores em contratações de bandas, como no caso da banda Toque Dez, citada em conteúdos que mencionam cifras milionárias. Ele disse que ainda não há contratos fechados nesse sentido e que o processo de seleção está apenas começando, com a abertura do edital de apoio aos festejos juninos.
Outro ponto abordado foi a reclamação de produtores de pequeno e médio porte sobre a concentração do mercado do entretenimento em poucas mãos. De acordo com o secretário, essa crítica não procede no âmbito das ações do governo estadual. “Temos feito um trabalho de descentralização, ampliando o acesso direto dos artistas aos recursos públicos, sem depender de grandes intermediadores”, disse.
Ele destacou ainda a oferta de capacitações para que artistas e produtores consigam acessar editais e prestar contas, reduzindo a dependência de grandes produtoras.
São João
Sobre o São João, Monteiro confirmou a abertura de edital para apoio financeiro às prefeituras, reforçando que a distribuição dos recursos será feita de forma “democrática e republicana”, sem critérios políticos.
Ele citou como exemplo Feira de Santana, município que não é governado por um aliado direto do governo estadual, mas que recebeu investimentos significativos. Segundo o secretário, a gestão do governador Jerônimo Rodrigues já destinou mais de R$ 1,2 bilhão à cidade.
Monteiro também descartou, por enquanto, a criação de um evento junino exclusivo do Estado em Feira de Santana, afirmando que a prioridade é fortalecer iniciativas já existentes em parceria com os municípios.
O secretário ressaltou que a atuação da pasta vai além de grandes eventos como São João e Micareta. Ele destacou investimentos em diversas áreas culturais, incluindo feiras literárias, festivais e ações em distritos rurais.
Entre os equipamentos culturais, mencionou o Centro de Convenções de Feira de Santana, o Teatro Amélio Amorim, que passará por uma reforma, e o novo teatro da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS).
Centro de Convenções
Ao avaliar o funcionamento do Centro de Convenções, inaugurado há cerca de um ano e meio, Monteiro classificou o equipamento como essencial para o desenvolvimento cultural e econômico da cidade.
Segundo ele, o espaço tem registrado alta demanda, com fila de espera para eventos, e impulsionado não apenas a cultura, mas também o turismo de negócios. “Feira esperou mais de duas décadas por um equipamento como esse. Hoje, vemos o quanto ele tem potencializado a realização de eventos e movimentado a economia local”, afirmou.
A fala do secretário sobre o equipamento reforça o papel estratégico de Feira de Santana no cenário estadual, tanto como polo cultural quanto como centro logístico e econômico da Bahia.