O Dia do Trabalhador foi marcado por mobilização, reflexão política e defesa de direitos durante evento promovido pelo Sindiborracha-BA, no Clube Social da entidade, em Feira de Santana. A programação reuniu lideranças sindicais, representantes de movimentos sociais e políticos, que destacaram a importância da união da classe trabalhadora e a luta pelo fim da jornada 6x1, com adoção da escala 5x2.
Durante o ato, o presidente do PSB, Aroldo, enfatizou a necessidade de melhores condições de trabalho e criticou a sobrecarga enfrentada, especialmente pelas mulheres. Segundo ele, a jornada atual impõe sacrifícios excessivos e precisa ser revista. O dirigente também chamou atenção para a importância do voto consciente, defendendo que os trabalhadores elejam representantes comprometidos com suas pautas.
Na mesma linha, Oberdan Cerqueira reforçou o papel das mulheres na mobilização, destacando que são elas as mais impactadas pela jornada extensa. Ele ressaltou que a luta pela redução da carga horária deve ser coletiva e envolver toda a sociedade.
Representando a União Brasileira de Mulheres (UBM), Laisa destacou que a defesa da redução da jornada também é uma pauta de saúde e qualidade de vida. Ela lembrou que países que adotaram a escala 5x2 registraram aumento de produtividade e redução de acidentes de trabalho. Além disso, fez um apelo pelo combate à violência contra a mulher, defendendo maior engajamento social na denúncia e prevenção do feminicídio.
A diretora-geral do Sintest-BA/UEFS, Daiana Alcântara, trouxe um resgate histórico ao lembrar que o 1º de Maio nasceu da luta por melhores condições de trabalho, como a jornada de oito horas. Ela afirmou que, mais de um século depois, a classe trabalhadora ainda enfrenta desafios semelhantes, como a escala 6x1, que classificou como “massacrante”, sobretudo para mulheres, que acumulam múltiplas jornadas.
O secretário de imprensa do Sindicato dos Bancários, Edmílson, destacou que a data é um momento de reflexão, reforçando a defesa da jornada 5x2 e alertando para propostas que possam retirar direitos trabalhistas. Ele também criticou a possibilidade de flexibilização da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), apontando riscos como a perda de garantias como férias, 13º salário e FGTS.
Durante as comemorações do Dia do Trabalhador no Sindicato dos Borracheiros de Feira de Santana, o vereador Sílvio Dias, que também é pré-candidato a deputado estadual, destacou a importância da data não apenas como momento de celebração, mas também de reflexão e luta por direitos.
Segundo o parlamentar, o trabalhador tem motivos para comemorar, sobretudo por ser responsável direto pelo desenvolvimento do país. Ele ressaltou, no entanto, que a realidade ainda é marcada por jornadas exaustivas, especialmente para as mulheres, que acumulam o trabalho formal com as atividades domésticas. “O trabalhador precisa ter dignidade, trabalhar para se sustentar, mas também ter tempo de lazer e convivência com a família”, afirmou.
Nesse contexto, Sílvio Dias defendeu a proposta em tramitação no Congresso Nacional que prevê o fim da escala 6x1 e a adoção do modelo 5x2, no qual o trabalhador atua cinco dias e descansa dois. Para ele, a medida acompanha as transformações sociais e tecnológicas e pode gerar benefícios tanto para empregados quanto para empregadores, além de contribuir para a abertura de novas vagas de trabalho, especialmente para os jovens.
O vereador também rebateu críticas de que a mudança poderia prejudicar empresas. De acordo com ele, a ampliação do tempo de descanso tende a aumentar a produtividade e estimular setores como comércio e serviços. “Todos ganham: o trabalhador, com mais qualidade de vida, e o empresário, com mais circulação de recursos”, pontuou.
Ao abordar o cenário político, o pré-candidato reforçou a importância do voto consciente nas próximas eleições, orientando os trabalhadores a analisarem o histórico dos candidatos e suas posições em relação às pautas trabalhistas. Ele alertou para promessas feitas em períodos eleitorais que nem sempre se confirmam na prática.
Sílvio Dias também criticou declarações recentes do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, sobre a possibilidade de extinção da Consolidação das Leis do Trabalho. Para o vereador, esse tipo de proposta representa risco direto aos direitos conquistados pelos trabalhadores, como férias, 13º salário e FGTS. Ele argumentou que a negociação direta entre empregado e empregador, sem a proteção legal, tende a ser desigual.
“O trabalhador não tem o mesmo poder de negociação que o empregador. A CLT existe justamente para garantir o mínimo de direitos e equilíbrio nessa relação”, destacou.
Por fim, o vereador avaliou que a aprovação da jornada 5x2 depende da mobilização popular, especialmente em um ano eleitoral. Segundo ele, a pressão da sociedade pode influenciar o Congresso Nacional a avançar na pauta. “Quando o trabalhador se organiza e cobra, há mais chances de conquistas. O 1º de Maio é também um chamado à luta coletiva”, concluiu.
Ao longo do evento, também foram registradas participações de lideranças sindicais e militantes, reforçando a importância da organização coletiva e da atuação política. A tônica dos discursos destacou que, além da celebração, o Dia do Trabalhador deve servir como momento de conscientização e mobilização por direitos e melhores condições de vida.