O prefeito de Anguera, Mauro Vieira, afirmou que a organização do São João no município já está bem estruturada e planejada, com foco na segurança, na responsabilidade fiscal e na valorização de atrações com forte apelo popular. Em entrevista ao Boca de Forno News, o gestor destacou que a cidade deve receber um grande número de visitantes durante os festejos.
Segundo o prefeito, a experiência da gestão na realização de eventos contribui para a expectativa de uma festa tranquila. “O São João está muito bem organizado. Já temos uma experiência vasta para fazer com que ele seja muito bem planejado. Eu acredito que vai ser uma festa em paz. Nós prezamos muito pela segurança e o trabalho está sendo feito”, afirmou.
Mauro ressaltou que a escolha das atrações levou em consideração o sucesso nacional e a aceitação do público. Ele citou como exemplo o cantor Silvano Salles, que, segundo ele, teve grande engajamento nas redes sociais quando teve seu nome anunciado e nunca se apresentou em Anguera. “Todas as três bandas maiores que vão compor o São João são atrações que tiveram boa aprovação da população em função do sucesso que têm feito no Brasil inteiro”, disse.
O prefeito também destacou a presença de Rei Vaqueiro apontando como a atração está entre as mais requisitadas em eventos como o São João de Petrolina, considerado um dos maiores do país. Além disso, mencionou a cantora Joelma, cujo cachê gira em torno de R$ 500 mil.
Sobre os custos, Mauro garantiu que o município seguirá a orientação da União dos Municípios da Bahia (UPB), em conjunto com o Ministério Público, que recomenda limite de até R$ 700 mil para contratações artísticas. Ele avaliou a medida como necessária diante do aumento expressivo nos cachês. “Tem artista que praticamente dobrou o cachê de um ano para o outro, sem ter música nova fazendo sucesso”, criticou.
O gestor informou ainda que o investimento no São João deste ano será significativamente menor. “Nós vamos gastar praticamente 60% do que gastamos o ano passado, a menos”, afirmou, atribuindo a redução à atual conjuntura econômica e às dificuldades enfrentadas pelas prefeituras.
Em relação ao impacto econômico, o prefeito destacou que, apesar da movimentação gerada pelo evento, como aluguel de casas e aumento no fluxo de visitantes,, a arrecadação não acompanha mais o volume de gastos. “A divisa não corresponde ao valor investido. Já correspondeu, hoje não corresponde mais”, explicou.
Mauro Vieira também chamou atenção para os desafios financeiros enfrentados pelos municípios de pequeno e médio porte. Ele citou o aumento da alíquota do INSS, que passou de 8% em 2022 para 16%, além de um precatório de cerca de R$ 4 milhões que a prefeitura precisa equacionar. Segundo ele, apenas neste mês, os gastos com INSS e folha de pagamento chegaram a R$ 912 mil.
Outro ponto abordado foi o impacto da política de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, que, embora beneficie a população, reduz a arrecadação municipal. O prefeito mencionou o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e defendeu a criação de mecanismos de compensação, semelhantes aos adotados durante a pandemia da Covid-19. “É necessário que a gente se mobilize, como fizemos no passado, para garantir compensações tanto do imposto retido na fonte quanto do FPM”, disse.
O gestor alertou ainda para o risco de inadimplência previdenciária, que pode comprometer a emissão da certidão negativa e impedir a celebração de convênios, especialmente com o governo estadual.
Apesar das dificuldades, Mauro Vieira reforçou que a prioridade da administração é manter o equilíbrio financeiro e garantir o pagamento dos servidores em dia. “O maior compromisso de uma prefeitura é manter a folha em dia. Ninguém aceita trabalhar e não receber”, concluiu.